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Grupo Rede quer investir em etanol e co-geração

18/03/2008

 

O grupo Rede, holding que controla ativos de geração, distribuição e comercialização de energia no Norte, Centro-Oeste e Sudeste, está na fase final de estudos de um projeto que, além de diversificar sua matriz energética, vai ampliar também sua capacidade geradora. De acordo com o estudo, previsto para ser concluído em abril, a Rede e potenciais parceiros estão dispostos a investir R$ 1,4 bilhão para erguer duas usinas produtoras de etanol, cujo bagaço de cana-de-açúcar seria usado para gerar 200 megawatts (MW). É principalmente na geração da energia da cana que o grupo está de olho.

 

Hoje, o grupo tem capacidade instalada de 564 megawatts (MW). É dona da PCH Juruena de 6,1 MW, detém 53,6% dos 902,5 MW da hidrelétrica de Lajeado e outros 61,7% da holding que controla a usina de Guaporé, de 120 MW. Além das geradoras, a companhia controla as distribuidoras do Pará (Celpa), a mato-grossense (Cemat) e a de Tocantins (Celtins). O grupo controla ainda distribuidoras paulistas Caiuá, Nacional, Bragantina e Vale Paranapanema e a paranaense Cia. Força e Luz do Oeste.

 

Carmem Campos Pereira, presidente do grupo Rede, disse ao Valor que está aberta a associações com usinas de álcool e investidores financeiros para viabilizar os projetos. Dos R$ 1,4 bilhão, 30% deverão ser desembolsados pelo grupo e seus sócios. Para a maior parte, ela conta com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de outras instituições do mercado.

 

"Estamos nos ajustes finais. E teremos alguma decisão em abril deste ano", declarou Carmem. Companhia de capital nacional, o grupo Rede é controlado por Jorge Queiroz de Moraes Júnior, atual presidente do conselho de administração. Moraes Júnior exerce o controle por meio da Empresa de Energia Vale do Paranapanema e da Denerge, que juntas detêm 77,57% do capital total. O BNDES tem 20,3% e o restante está nas mãos do mercado. Em 2006, inclusive, a companhia tinha a intenção de fazer um aumento de capital no nível 2 de Governança Corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mas as condições de mercado, disse a executiva, impediram o andamento da operação.

 

Segundo o escopo dos novos projetos de geração da Rede, cada usina responderia por um investimento de R$ 700 milhões e ambas seriam instaladas no Estado do Mato Grosso do Sul. Carmem explica também que, no auge, as duas operações demandariam 5 milhões de toneladas de cana da uma e produziriam 450 milhões de litros por ano de etanol. Cada uma teria energia disponível para venda no mercado de 100 MW.

 

Os locais já estão definidos: os municípios de Campo Grande e Sidrolândia. A empresa já fez aquisição de áreas onde poderão ser instaladas as usinas e para plantio. A idéia é trabalhar com boa parte de arrendamento e compra de cana de terceiros.

 

"O grupo já investiu R$ 8 milhões nos estudos. Mas esse número pode atingir R$ 20 milhões", revelou Carmem, que conta com as usinas operando a partir de 2010 e com auge de produção em 2012.

 

Apesar da iniciativa em direção à energia de bagaço de cana, Carmem explica que seus planos não param por aí. A executiva refutou, categoricamente, a instalação sequer de um megawatt de térmicas a carvão ou a gás natural. E reafirma que a aposta do grupo na área de geração se concentra em hidroeletricidade e biomassa.

 

No ano passado, o grupo alocou R$ 1,04 bilhão no seu parque elétrico. Desse montante, R$ 620 milhões foram injetados por diversas instituições, funcionando como uma espécie de subsídio, já que neste valor há repasses do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e recursos do programa do governo federal, por meio da Eletrobrás (Luz para Todos e substituição de térmicas a óleo). Neste ano, a previsão é elevar os investimentos em 20%, sempre com participação dos subsídios do governo federal e outras instituições.

 

Dona de uma receita líquida de R$ 3,3 bilhões em 2007, com alta de 13,8% em relação a 2006 (e lucro de R$ 168 milhões - queda de 45%), o grupo Rede passou por um duro processo de reestruturação financeira nos últimos anos para ajustar seu pesado endividamento. Depois de uma série de operações financeiras, inclusive com lançamentos de debêntures perpétuas, sua dívida líquida fechou em R$ 2,8 bilhões em 2007. Ainda ficou 25,6% maior que em 2006.

 

Apesar do incremento, a dívida líquida é relativamente confortável quando comparada ao Lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Lajida). No ano passado, o Lajida foi de R$ 1,1 bilhão, 22% maior que 2006.


Valor Econômico

São Paulo/SP

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17/03/2008

 

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