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Aquisição não deve afetar preço do minério

17/03/2008

A possível aquisição da mineradora suíça Xstrata pela Companhia Vale do Rio Doce deverá concentrar ainda mais o mercado minerador mundial, mas as siderúrgicas, principais clientes do setor, descartam maiores prejuízos caso a operação venha realmente a se concretizar. O presidente da subsidiária brasileira da siderúrgica ArcelorMittal, José Armando Campos, avalia que a compra seria até benéfica para o Brasil, que passaria a contar com a segunda maior mineradora do mundo. "Se conseguir comprar, é o fortalecimento de uma empresa brasileira. É bom para nós", afirmou Campos, que participou, na última sexta-feira, de um seminário, no Rio, com empresários do setor siderúrgico.

O executivo justifica que, muito mais do que obedecer à concentração do setor, os preços do minério no mundo são o resultado do atual balanço entre oferta e demanda do produto. Por isso, avalia, as negociações entre mineradores e siderúrgicas teriam uma influência menor na formação dos preços do insumo. Como exemplo, Campos lembrou que, embora a Vale tenha fechado um reajuste de 70% com os clientes, o aumento acertado com a ArcelorMittal limitou-se a 65%.

O executivo acrescentou que, ao se consolidar, o setor minerador contribui para reduzir a volatilidade dos preços durante os ciclos econômicos negativos. A mesma lógica, de acordo com Campos, vale para as siderúrgicas quando buscam a consolidação. "É o que perseguimos. Isso dá maior disciplina ao mercado. Permite que se projete com mais segurança o crescimento da oferta com a demanda", afirmou o executivo, ao lembrar que a indústria siderúrgica vive atualmente uma tendência de alta. "O que vai evitar um aumento maior é a consolidação na cadeia de valor e o mercado em si. Se o preço cair, vamos ver mudanças de patamar para baixo, mas não como antes."

Em relação à desvalorização do dólar, que reduz a competitividade das exportações, o presidente da ArcelorMittal do Brasil afirmou que o crescimento do mercado interno tem compensado as perdas das siderúrgicas do País com o mercado externo. Se fosse há quatro anos, alertou, as siderúrgicas não teriam como agüentar o impacto da desvalorização da moeda americana.

Já o presidente do Conselho de Administração do grupo industrial alemão ThyssenKrupp, Hans-Ulrich Lindenberg, avaliou que uma possível aquisição não vai alterar a conjuntura do setor minerador. O executivo acredita que o negócio não deverá tornar os entendimentos entre mineradoras e siderúrgicas mais complicadas do que já são. Lindenberg classificou a compra da Xstrata uma "excelente oportunidade para a Vale".

Quanto aos preços do minério, o executivo da Thyssen lembrou que o atual patamar é mais alto do que o esperado por executivos do setor.

Em fevereiro, a Gerdau SA anunciou que pesquisas confirmaram 1,8 bilhões de toneladas métricas de minério de ferro na quatro minas da companhia. Enquanto o presidente da empresa, Andre Gerdau Johannpeter, declinou em comentar especificamente o que a compra da Xstrata pela Vale-poderia significar, ele disse que a companhia está bem posicionada para qualquer cenário.

"Gerdau acabou de anunciar uma grande reserva de minério de ferro, portanto temos a capacidade e logo iremos alcançar o índice de 80% de auto-fornecimento, então seremos meno afetados pela fusão ou qualquer outro impacto no mercado," disse Johannpeter.

Enquanto isso, duas outras siderúrgicas brasileiras entrando no negócio de exportação de minério de ferro. A Usinas Siderurgicas de Minas Gerais SA(Usiminas) planeja exportar cerca de 1 milhão de toneladas métricas de minério de ferro este ano, disse o presidente da companhia, Rinaldo Campos Soares.

Em fevereiro, a Usiminas completou a compra das mineradoras J.Mendes, Somisa Siderurgica Oeste de Minas e Global Mineração. O negócio custou à Usiminas um pagamento inicial de US$ 925 milhões, com pagamento a ser feito caso pesquisas de exploração confirmem o tamanho e a qualidade das reservas.

A companhia espera alcançar uma produção de 6 milhões de toneladas de minério de ferro em 2008, com planos atingir entre 29 milhões de toneladas e 30 milhões de toneladas em 2013. A Usiminas usará cerca de 20 milhões de toneladas para expandir a produção de aço, o restante será destinado à exportações ou venda a terceiros.

Já a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tem um perfil mais agressivo perfil na produção de minério de ferro, com plano de atingir uma capacidade de produção de 100 milhões de toneladas até 2012.

Este ano, a CSN planeja exportar cerca de 25 milhões de toneladas métricas de minério de ferro, o que deverá gerar receita de US$2 bilhões para a companhia.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Nacional

17/03/2008

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