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Semana pode ser decisiva para Vale e Xstrata

17/03/2008

Em uma semana em que aumentaram as especulações em torno dos negociações para a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata pela Companhia Vale do Rio Doce, os papéis das companhias voltaram a subir. As ações ON da Vale subiram 5,14% na última semana na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuperando quase toda a perda do ano, que ainda acumula desvalorização de 0,69%. Já as ações PNA da mineradora brasileira tiveram desempenho um pouco mais tímido, ainda assim fecharam a semana com alta de 1,38%. No ano, entretanto, o papel registra queda de 4,22%. As ADRs, negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE), tiveram alta de 2,05% entre os dias 10 e 14 deste mês, e somam alta de 3,52% neste ano.

Já as ações da Xstrata, que iniciaram a semana em queda na Bolsa de Londres, subiram 1,78% na quinta-feira e 0,43% na sexta, encerrando a semana com leve alta, de 0,05%. No ano, porém, o alvo do que pode ser a maior compra já realizada pela Vale registra alta de 10,93%.

O aumento das especulações ocorre a medida em que se aproxima a data-limite de 21 de março, próxima sexta-feira, para que a Vale apresente uma oferta formal de compra da rival anglo-suíça. Também foi influenciada por informações de que os executivos da Xstrata e da principal acionista da mineradora ,a Glencore International, estariam vindo para o Brasil para uma nova etapa de negociações, já que o presidente da mineradora brasileira, Roger Agnelli, fraturou o pé e não poderia viajar. A informação não foi confirmada por nenhuma das partes.

Também circulou no mercado internacional o boato de que um acordo entre a Vale e a Glencore já teria sido fechado. Traders na Europa disseram ter ouvido comentários de que a Vale fechou a compra da participação da Glencore na Xstrata por 42 libras por ação.

Direito de comercialização

A Glencore, que detém uma participação de 35% na Xstrata, tem sido o maior empecilho para o fechamento do negócio. A companhia possui direitos de comercialização de boa parte da produção da mineradora e gostaria de manter esses direitos, o que a Vale não está disposta a conceder.

Fontes disseram que, para fechar o negócio, a Glencore propôs ficar com a comercialização por dez anos da produção, tirando o minério de ferro. A Vale teria feito uma contra-proposta, reduzindo esse prazo para cinco anos, e excluindo também a produção de níquel.

Recado

No início do mês, Roger Agnelli chegou a sinalizar que as negociações haviam esfriado e, em uma forma de mandar um recado para os acionistas da Xstrata, afirmou que é mais barato e mais importante investir nos projetos que a Vale já possui do que adquirir a mineradora anglo-suíça. " "Isto não é prioridade para a Vale. É mais barato a gente focar nos nossos projetos", disse o executivo e acrescentou "O nível de ativos e de pessoal da Xstrata é muito bom; eles são os maiores da área de carvão (e cobre). No entanto, evidentemente, temos limites, no sentido de que é melhor o crescimento orgânico."

Negócio de US$ 90 bi

Os boatos sobre a negociação entre as empresas começaram em dezembro, mas a mineradora brasileira só admitiu que estava em negociação na segunda quinzena de janeiro. Falava-se no mercado que a Vale teria oferecido US$ 90 bilhões para ficar com a Xstrata.

Segundo fontes próximas à negociação, parte da transação seria realizada por meio de troca de ações preferenciais da Vale. Ainda assim a companhia precisaria financiar até US$ 60 bilhões.

Um pacote de financiamento para a potencial aquisição é avaliado entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões. Fontes da Vale disseram que um empréstimo de US$ 50 bilhões teria sido garantido por um grupo de bancos liderados pelo HSBC e Santander. O grupo de bancos que vai liderar o financiamento deve incluir entre sete e dez instituições, e o capital deve ser levantado internacionalmente.

A potencial megaoperação de compra chegou a provocar certo desconforto no Planalto. A preocupação do governo federal era de que a mineradora brasileira poderia perder o controle das operações, ao realizar a emissão de ações para o pagamento de parte do negócio. Além disso, avaliava-se que com a incorporação das atividades da Xstrata, a Vale passaria a ter mais ativos no exterior e fatalmente passaria a investir mais fora do que em projetos dentro do País.

Sinal verde

O Conselho de Administração da Vale , que inclui representantes do governo, deu sinal verde para que a mineradora avaliasse a aquisição da Xstrata. A Valepar, detém mais de 50% do capital votante da Vale e é composta pela Bradespar, pelo fundo de pensão Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e pela BNDESPar, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), assim como a japonesa Mitsui.

A Vale acertou com o governo as condições para a compra e recebeu o sinal verde para prosseguir com as negociações.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Nacional

17/03/2008

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