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Holcim entra em novos negócios no País

10/03/2008

A cimenteira suíça Holcim, que disputa a liderança do mercado mundial com a francesa Lafarge e é a quarta maior fabricante do mercado brasileiro, inicia novos negócios no País. A empresa, que tem planos de investir quase R$ 2 bilhões até 2011 no Brasil para ampliar a produção de cimento - o que pode incluir a aquisição de reservas de calcário -, está entrando no mercado de prestação de serviços de soluções de engenharia, com um sistema de aplicação de microcimento desenvolvido pela própria subsidiária, tecnologia que está sendo patenteada em âmbito mundial, informou Carlos Eduardo Garrocho de Almeida, diretor comercial e de relações exteriores da companhia no Brasil. "É um novo posicionamento da Holcim no mercado. Analisamos a obra e oferecemos a solução necessária."

Conforme Almeida, o sistema de aplicação, o Microinjet, e o microcimento da Holcim consumiram quatro anos entre pesquisa, desenvolvimento e testes e perto de R$ 10 milhões em investimentos. Lançado em experiência-piloto no mercado brasileiro no ano passado, entretanto, já rendeu à companhia entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em receitas e a expectativa de Almeida para este ano é faturar R$ 5 milhões somente com os negócios gerados pela própria Holcim, que vai franquear o sistema. A empresa montou uma equipe, que será ampliada, com dez profissionais para atuar na área. "Queremos criar uma unidade de negócio." O sistema será lançado oficialmente ao mercado durante a Feicon, que acontece em abril.

A Holcim está capacitando empresas interessadas, tanto locais como de outros países, em utilizar o sistema. "O programa tem funcionamento semelhante ao de franquias. Fornecemos a tecnologia, capacitamos, damos assessoria técnica e a empresa-parceira faz a aplicação." Hoje, são dez as companhias credenciadas, mas a expectativa é ter 30, em dois anos.

Almeida disse que ainda não tem dados suficientes para estimar o potencial desse mercado, que acredita, contudo, ser enorme, já que a subsidiária desenvolveu o sistema partindo da demanda de seus clientes por soluções que evitassem reformas longas e o refazimento de obras. Segundo o executivo, o microcimento, já utilizado em alguns países, é inédito no Brasil. "A própria Holcim tem na França, mas importar cimento é muito caro."

O microcimento, composto de partículas superfinas de clínquer (que dá origem ao cimento), é indicado para recuperar superfícies desgastadas e resolver problemas de fissuras e rachaduras em estruturas, pisos, pavimentos e paredes de concreto. O Microinjet aplica o produto sob pressão e o sistema da Holcim trabalha com três tecnologias de uso do microcimento: microcapa, que recupera pisos, inclusive problemas de desnível, e é resistente à abrasão; micropintura, misturado com tinta revigora pisos e paredes de concreto desgastados e com problemas; e injeções, que preenchem fissuras, entre outras aplicações.

Almeida observou que, apesar de mais caro inicialmente, o sistema permite maior velocidade na solução do problema e durabilidade. Uma microcapa, por exemplo, pode durar 10 anos, afirmou, e a reforma dura cerca de dois, três dias, dependendo do tamanho. Hoje, a empresa está aplicando a microcapa, por exemplo, na Castelo Branco, importante rodovia de acesso a capital paulista, para consolidar o piso da pista lateral, que está cedendo, informou Almeida. O sistema Microinjet pode ser utilizado em vários tipos de edificações, como comercial, residencial e industrial.

O novo cimento é parte da estratégia da Holcim de se diferenciar em um mercado de commodities, desenvolvendo produtos para as mais diversas aplicações, incluindo em ambientes agressivos, como poços em alto mar, por exemplo. Conforme Almeida, a companhia fabrica também produto customizado, de acordo com as necessidades de grandes clientes. Em média, a Holcim investe anualmente no Brasil cerca de R$ 2 milhões em pesquisa, desenvolvimento e assessoria técnica. Seu portfólio tem 14 tipos de cimentos especiais e, segundo Almeida, foi a primeira fabricante a colocar no mercado brasileiro o cimento Ari (de alta resistência). "Ficamos sozinhos com o Ari por 15 anos. Ninguém conseguia copiar."

Uma parte do investimento de R$ 434 milhões aprovados pela Holcim em dezembro último para modernizar as fábricas brasileiras de cimento e implantar um nova unidade de concreto no País já foi aplicada. Almeida afirmou que 50% desses recursos, previstos para serem aplicados até 2011, já estão comprometidos com contratos fechados de compra de equipamentos ou em fase de contratação.

As duas fábricas de cimento localizadas em Minas Gerais, em Barroso e Pedro Leopoldo, receberão a maior fatia do investimento, R$ 300 milhões. Na unidade de Pedro Leopoldo, a maior da Holcim no Brasil, serão aplicados R$ 160 milhões e grande parte será investida na aquisição de cerca de quatro equipamentos, disse Edson Ribeiro, gerente da fábrica, que tem capacidade para produzir 2 milhões de toneladas de clínquer e 2,2 milhões de toneladas de cimento por ano. A subsidiária tem capacidade total de 3,2 milhões de toneladas de clínquer e 5,2 milhões de toneladas de cimento. Em 2007, fabricou 3,6 milhões de toneladas de cimento e Almeida estima 4 milhões para 2008.

Apesar da demora na entrega de equipamentos, causada pelo aumento da demanda das cimenteiras, a Holcim deve começar a instalar em maio um novo moinho de carvão em Pedro Leopoldo, que permitirá à unidade moer 58 toneladas de combustível por hora, ante as 36 toneladas atuais. O novo equipamento, que junto com acessórios e instalação custa R$ 23 milhões, aumentará a eficiência dos fornos da fábrica. "Com isso, aumentamos e qualidade do produto e a produtividade", afirmou Ribeiro.

O segundo equipamento mais caro da lista é um novo filtro para o forno, que custará R$ 20 milhões e permitirá à unidade, que já está dentro do padrões brasileiros de emissão de pó, superar as normas mundiais de emissão, disse Almeida. Outros R$ 12 milhões estão sendo aplicados na substituição de um classificador (equipamento que classifica os produtos que saem da moagem) e R$ 15 milhões - até 2009 - para melhorar a eficiência da expedição com a instalação de novos terminais de carregamento. A meta é reduzir de 1 hora e 28 minutos para 60 minutos o tempo de expedição de cimento à granel e diminuir de 2 horas para 1 hora e 40 minutos o tempo de carregamento do produto ensacado, disse Ribeiro.

A matriz também já reservou, disse Almeida, R$ 1,2 bilhão para a construção de nova fábrica de cimento no País e mais R$ 300 milhões para ampliar a produção das unidades mineiras em 1 milhão de toneladas anuais de cimento, a fim de aproveitar a capacidade de clínquer excedente. Os projetos aguardam os estudos de viabilidade.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Indústria

10/03/2008

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