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Demanda acelerada dobra as descobertas de jazidas no país

05/03/2008

De acordo com o DNPM, a companhia está retomando três projetos na área de insumos para cimento, com investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão.

Apesar da retomada do setor de construção civil, materiais não metálicos como calcário, areia e água mineral deixaram de ser os mais procurados no subsolo como até bem pouco tempo atrás. Quando os requerimentos de pesquisas minerais somavam 7,7 mil, em 1998, substâncias não metálicas respondiam por até 70% do total de pedidos. "Hoje a situação se inverteu e os minerais metálicos são responsáveis por 60%, 70% do total das pesquisas", ressalta o geólogo.

Os requerimentos de pesquisa mais que triplicaram em dez anos. Foram pedidas 23,5 mil autorizações de estudo do solo em 2007. No primeiro bimestre, já somavam 26 mil. As descobertas, identificadas pelos relatórios de pesquisa aprovados, somaram 1,427 mil no mesmo período, bem mais que os 622 registrados em 1998.

O Brasil é o maior produtor mundial de ferro, nióbio, bauxita, manganês, grafita e tântalo. Exporta também níquel, magnésio, caulim, vermiculita cromo e mica. É auto-suficiente em calcário, diamante para fins industriais, titânio, ouro, tungstênio e talco. E importa fosfato, cobre, zinco, potássio, diatomito, enxofre e carvão metalúrgico.

A demanda aquecida e os recentes problemas regulatórios entre mineradoras, DNPM e municípios produtores fizeram o governo preparar um marco regulatório para o setor. A idéia é criar royalties para a exploração do subsolo, tal como no setor de petróleo. Outra prática comum à exploração de óleo e gás é a licitação de áreas de exploração, que já acontece desde 1999 no setor petrolífero. O leilão de concessões será realizado com base nos mapeamentos geológicos já preparados pela Companhia de Recursos Minerais (CPRM).

Floresta Amazônica

Os estados mais procurados pelos investidores, segundo Nery, são Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pará e São Paulo. A floresta Amazônica, protegida pelas áreas reservadas aos indígenas, está na mira do setor de mineração. O governo estuda liberar a exploração na floresta, para combater o garimpo, que é, segundo empresários e governo, mais predatório que a atuação de empresas. As permissões para lavra garimpeira, por sua vez, têm diminuído ao longo dos anos. Eram 660 em 1998 e em 2007 somaram 46.

Grandes empresas passaram a atuar no lugar do costumeiro garimpo, que levou milhares a Serra Pelada, no Pará, e a cidades mineiras como Ouro Preto, Itabira e Mariana - degradadas depois da exaustão dos recursos minerais. Os investimentos no setor de mineração nos próximos quatro anos deverão variar de US$ 28 bilhões a US$ 30 bilhões, de acordo com estimativa realizada no ano passado pelo DNPM com base nos planos das mineradoras.

A Companhia Vale do Rio Doce prevê investir US$ 889 milhões em pesquisa mineral, dos quais a maior parte destina-se a projetos no Brasil. A MMX, de Eike Batista, está estudando 20 áreas.

Além de estudar o subsolo brasileiro, as empresas estão comprando o que já foi descoberto. A Anglo American adquiriu da MMX o controle de duas minas - o sistema de produção Minas-Rio e o do Amapá. No mesmo caminho, siderúrgicas resolveram garantir matéria-prima para produzir aço. A Usiminas anunciou recentemente a compra da mina J.Mendes, de Minas Gerais, por US$ 925 milhões. A Gerdau também investirá nas minas que já possui: Miguel Burnier, Várzea do Lopes, Gongo Soco e Dom Bosco.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Caderno A

05/03/2008

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