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Eike Batista, 56 anos, um dos principais empresários do país, é supersticioso. Adotou o sol dos incas – símbolo da força e do otimismo – como logotipo de seu conglomerado e tem por hábito concluir as siglas que batizam seus empreendimentos com a letra X. A presença do símbolo matemático da multiplicação serviria para dar sorte e impulsionar o lucro nos negócios. Por um tempo foi exatamente o que ocorreu: investidores injetaram US$ 26 bilhões nas empresas do grupo de 2005 a 2013, e o brasileiro chegou a figurar como sétimo homem mais rico do planeta no ranking da revista Forbes.

– Não sei se vou passar ele pela direita ou pela esquerda. Mas eu vou passar – disse Eike há dois anos, quando perguntado se pretendia alcançar algum dia o primeiro lugar no ranking dos homens mais ricos do mundo, ocupado então pelo mexicano Carlos Slim.

O que parecia uma meta alcançável – afinal, o magnata brasileiro estava em sétimo na lista – transformou-se no sonho de uma noite de verão. Hoje, se Eike quiser chegar ao topo vai precisar multiplicar sua fortuna em quase sete vezes. O declínio, no entanto, não é só uma perda pessoal. Representa o mau desempenho do empresário nos negócios, um infortúnio, portanto, para os investidores. A crise que começou em junho passado na petroleira OGX, empresa com maior valor de mercado do Grupo EBX, acabou contaminando o desempenho de outras companhias. Em grande parte devido à estrutura de interdependência, na qual uma empresa é cliente da outra, mas também porque os investidores não parecem mais acreditar nas promessas de Eike.

– Ele prometeu demais e não conseguiu entregar. Para um empreendedor, não basta ser bom em projetos, precisa saber executar – resume Frederico Vontobel, da Vokin Investimentos, escritório que não recomenda para clientes os papéis de nenhuma das empresas de Eike.

Mesmo empresas que não estão diretamente ligadas à petroleira – e portanto fora do epicentro da crise – sofrem com a desconfiança do mercado. É o caso da MPX, companhia de energia e gás responsável por iniciativas do empresário no Rio Grande do Sul. As ações tiveram queda de 35% em um ano, apesar de o cronograma de atividades estar em dia.

Dúvidas sobre carvão gaúcho

– A MPX segue trabalhando com perspectivas de consolidar os projetos das duas usinas termelétricas em Candiota – afirma Cesar de Faria, diretor presidente da Copelmi, responsável por operar a mina do Seival que abastecerá as duas usinas e parceira da MPX no empreendimento.

A empresa de Eike já tem licença dos órgãos ambientais para execução das obras. Precisa vencer o próximo leilão de energia, previsto para 29 de agosto. Caso saia vencedora, a iniciativa representará um investimento de, ao menos, R$ 6,5 bilhões no Estado, gerando um aumento de 1,3 mil MW em capacidade instalada. Uma das iniciativas para resgatar a confiança nos negócios de Eike foi o aumento da participação de sócios no capital das empresas, caso da E.ON na MPX, vista com bons olhos por especialistas. Em abril deste ano, a companhia alemã ampliou de 11,7% para 36,1% sua participação na empresa. Considerados especialistas em carvão, os europeus seriam uma garantia do interesse de Eike no mineral gaúcho.

– Os dois projetos estão avançados. Fazemos reuniões semanais com a empresa para chegarmos ao leilão de energia da forma mais competitiva possível – afirma Rui Dick, gerente-executivo da Secretaria da Infraestrutura do Estado.

Todos esses contatos são feitos com executivos da empresa. O próprio Eike, até onde se sabe, jamais pisou em solo gaúcho para tratar de interesses que representam cerca de um terço do valor da fortuna estimada em US$ 10,6 bilhões.

Efeito dominó
O modelo de interdependência adotado por Eike Batista é tido por especialistas como arriscado. Como uma empresa é cliente da outra, uma crise em qualquer das unidades pode interferir no desempenho das demais. O tombo da OGX na bolsa acabou arrastando outras ações do grupo EBX

1. Projeto mais ambicioso do grupo, a OGX tem dificuldades de cumprir as metas de produção. A desconfiança dos investidores fez o preço das ações despencar.

2. A empresa de indústria naval OSX foi criada para ter a OGX como principal cliente. A perspectiva de uma produção mais modesta da petroleira tem impacto direto na demanda do estaleiro.

3. Efeito semelhante ocorre com a LLX, empresa de logística do grupo. Idealizada para viabilizar o transporte de petróleo da OGX, o desempenho da empresa foi diretamente afetado pela diminuição de demanda. Atrasos no porto de Açu, da LLX, comprometem o escoamento da produção de ferro da mineradora MMX.

4. A mineradora MMX contrata energia da MPX. Mas com a logística para venda prejudicada – principalmente pelos atrasos no porto de Açu –, é obrigada a reduzir a produção.

5. A geradora de energia MPX compra gás da OGX, mas a exploração e a distribuição dependem de capital.

Mesmo relutante, Eike Batista tem agido em diferentes frentes para tentar recuperar a saúde financeira e a credibilidade nos negócios. Entre as gigantes do Grupo EBX, o primeiro passo foi dado com a empresa de energia MPX, que vendeu parte do capital à alemã E.ON. Para reduzir o endividamento e continuar investindo, outras empresas também estão à procura de novos sócios. O desempenho ruim no primeiro trimestre do ano comprovou que o empresário subestimou o poder corrosivo da desconfiança sobre seus negócios. Um acordo firmado em março com o banco de investimentos BTG Pactual, de André Esteves, garantiu uma linha de crédito de US$1 bilhão a Eike, além de um acordo de consultoria financeira para as empresas do grupo.

– O mercado está bastante cético. Recuperar a confiança é mais difícil do que conquistá-la – afirma Carlos Müller, da Geral Corretora.

A procura por parceiros inclui mesmo as empresas que tiveram um bom desempenho recentemente. É o caso do time de vôlei masculino RJX, que, apesar de conquistar o título de campeão brasileiro na última temporada, busca alternativas para não ter de reduzir custos. Vale até fechar o capital de empresas. O empresário já indicou que pretende comprar todas as ações da mineradora de carvão CCX nos próximos meses.

– No ano passado, chegou a ser anunciado o fechamento da LLX, mas Eike desistiu da operação – lembra Valter Bianchi, da Fundamenta, administradora de investimentos.

A estratégia adotada por Eike também inclui o famoso "desinvestimento" – quando se vende ou se passa adiante um ativo. É o caso do navio Pink Fleet. Como a proposta de passeios turísticos pela Baía de Guanabara não deu certo, Eike pretende doá-lo à Marinha. Um dos jatinhos privados da AVX também entrou na lista de ofertas e está à venda em um site americano. O valor pedido pela aeronave não foi divulgado.

Fonte: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/economia/noticia/2013/05/desconfianca-sobre-os-negocios-de-eike-lanca-duvida-sobre-carvao-gaucho-4149464.html

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Eike Batista, 56 anos, um dos principais empresários do país, é supersticioso. Adotou o sol dos incas – símbolo da força e do otimismo – como logotipo de seu conglomerado e tem por hábito concluir as siglas que batizam seus empreendimentos com a letra X. A presença do símbolo matemático da multiplicação serviria para dar sorte e impulsionar o lucro nos negócios. Por um tempo foi exatamente o que ocorreu: investidores injetaram US$ 26 bilhões nas empresas do grupo de 2005 a 2013, e o brasileiro chegou a figurar como sétimo homem mais rico do planeta no ranking da revista Forbes.

– Não sei se vou passar ele pela direita ou pela esquerda. Mas eu vou passar – disse Eike há dois anos, quando perguntado se pretendia alcançar algum dia o primeiro lugar no ranking dos homens mais ricos do mundo, ocupado então pelo mexicano Carlos Slim.

O que parecia uma meta alcançável – afinal, o magnata brasileiro estava em sétimo na lista – transformou-se no sonho de uma noite de verão. Hoje, se Eike quiser chegar ao topo vai precisar multiplicar sua fortuna em quase sete vezes. O declínio, no entanto, não é só uma perda pessoal. Representa o mau desempenho do empresário nos negócios, um infortúnio, portanto, para os investidores. A crise que começou em junho passado na petroleira OGX, empresa com maior valor de mercado do Grupo EBX, acabou contaminando o desempenho de outras companhias. Em grande parte devido à estrutura de interdependência, na qual uma empresa é cliente da outra, mas também porque os investidores não parecem mais acreditar nas promessas de Eike.

– Ele prometeu demais e não conseguiu entregar. Para um empreendedor, não basta ser bom em projetos, precisa saber executar – resume Frederico Vontobel, da Vokin Investimentos, escritório que não recomenda para clientes os papéis de nenhuma das empresas de Eike.

Mesmo empresas que não estão diretamente ligadas à petroleira – e portanto fora do epicentro da crise – sofrem com a desconfiança do mercado. É o caso da MPX, companhia de energia e gás responsável por iniciativas do empresário no Rio Grande do Sul. As ações tiveram queda de 35% em um ano, apesar de o cronograma de atividades estar em dia.

Dúvidas sobre carvão gaúcho

– A MPX segue trabalhando com perspectivas de consolidar os projetos das duas usinas termelétricas em Candiota – afirma Cesar de Faria, diretor presidente da Copelmi, responsável por operar a mina do Seival que abastecerá as duas usinas e parceira da MPX no empreendimento.

A empresa de Eike já tem licença dos órgãos ambientais para execução das obras. Precisa vencer o próximo leilão de energia, previsto para 29 de agosto. Caso saia vencedora, a iniciativa representará um investimento de, ao menos, R$ 6,5 bilhões no Estado, gerando um aumento de 1,3 mil MW em capacidade instalada. Uma das iniciativas para resgatar a confiança nos negócios de Eike foi o aumento da participação de sócios no capital das empresas, caso da E.ON na MPX, vista com bons olhos por especialistas. Em abril deste ano, a companhia alemã ampliou de 11,7% para 36,1% sua participação na empresa. Considerados especialistas em carvão, os europeus seriam uma garantia do interesse de Eike no mineral gaúcho.

– Os dois projetos estão avançados. Fazemos reuniões semanais com a empresa para chegarmos ao leilão de energia da forma mais competitiva possível – afirma Rui Dick, gerente-executivo da Secretaria da Infraestrutura do Estado.

Todos esses contatos são feitos com executivos da empresa. O próprio Eike, até onde se sabe, jamais pisou em solo gaúcho para tratar de interesses que representam cerca de um terço do valor da fortuna estimada em US$ 10,6 bilhões.

Efeito dominó
O modelo de interdependência adotado por Eike Batista é tido por especialistas como arriscado. Como uma empresa é cliente da outra, uma crise em qualquer das unidades pode interferir no desempenho das demais. O tombo da OGX na bolsa acabou arrastando outras ações do grupo EBX

1. Projeto mais ambicioso do grupo, a OGX tem dificuldades de cumprir as metas de produção. A desconfiança dos investidores fez o preço das ações despencar.

2. A empresa de indústria naval OSX foi criada para ter a OGX como principal cliente. A perspectiva de uma produção mais modesta da petroleira tem impacto direto na demanda do estaleiro.

3. Efeito semelhante ocorre com a LLX, empresa de logística do grupo. Idealizada para viabilizar o transporte de petróleo da OGX, o desempenho da empresa foi diretamente afetado pela diminuição de demanda. Atrasos no porto de Açu, da LLX, comprometem o escoamento da produção de ferro da mineradora MMX.

4. A mineradora MMX contrata energia da MPX. Mas com a logística para venda prejudicada – principalmente pelos atrasos no porto de Açu –, é obrigada a reduzir a produção.

5. A geradora de energia MPX compra gás da OGX, mas a exploração e a distribuição dependem de capital.

Mesmo relutante, Eike Batista tem agido em diferentes frentes para tentar recuperar a saúde financeira e a credibilidade nos negócios. Entre as gigantes do Grupo EBX, o primeiro passo foi dado com a empresa de energia MPX, que vendeu parte do capital à alemã E.ON. Para reduzir o endividamento e continuar investindo, outras empresas também estão à procura de novos sócios. O desempenho ruim no primeiro trimestre do ano comprovou que o empresário subestimou o poder corrosivo da desconfiança sobre seus negócios. Um acordo firmado em março com o banco de investimentos BTG Pactual, de André Esteves, garantiu uma linha de crédito de US$1 bilhão a Eike, além de um acordo de consultoria financeira para as empresas do grupo.

– O mercado está bastante cético. Recuperar a confiança é mais difícil do que conquistá-la – afirma Carlos Müller, da Geral Corretora.

A procura por parceiros inclui mesmo as empresas que tiveram um bom desempenho recentemente. É o caso do time de vôlei masculino RJX, que, apesar de conquistar o título de campeão brasileiro na última temporada, busca alternativas para não ter de reduzir custos. Vale até fechar o capital de empresas. O empresário já indicou que pretende comprar todas as ações da mineradora de carvão CCX nos próximos meses.

– No ano passado, chegou a ser anunciado o fechamento da LLX, mas Eike desistiu da operação – lembra Valter Bianchi, da Fundamenta, administradora de investimentos.

A estratégia adotada por Eike também inclui o famoso "desinvestimento" – quando se vende ou se passa adiante um ativo. É o caso do navio Pink Fleet. Como a proposta de passeios turísticos pela Baía de Guanabara não deu certo, Eike pretende doá-lo à Marinha. Um dos jatinhos privados da AVX também entrou na lista de ofertas e está à venda em um site americano. O valor pedido pela aeronave não foi divulgado.

Fonte: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/economia/noticia/2013/05/desconfianca-sobre-os-negocios-de-eike-lanca-duvida-sobre-carvao-gaucho-4149464.html

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04/06/2013

Cadu Caldas

Eike Batista, 56 anos, um dos principais empresários do país, é supersticioso. Adotou o sol dos incas – símbolo da força e do otimismo – como logotipo de seu conglomerado e tem por hábito concluir as siglas que batizam seus empreendimentos com a letra X. A presença do símbolo matemático da multiplicação serviria para dar sorte e impulsionar o lucro nos negócios. Por um tempo foi exatamente o que ocorreu: investidores injetaram US$ 26 bilhões nas empresas do grupo de 2005 a 2013, e o brasileiro chegou a figurar como sétimo homem mais rico do planeta no ranking da revista Forbes.

– Não sei se vou passar ele pela direita ou pela esquerda. Mas eu vou passar – disse Eike há dois anos, quando perguntado se pretendia alcançar algum dia o primeiro lugar no ranking dos homens mais ricos do mundo, ocupado então pelo mexicano Carlos Slim.

O que parecia uma meta alcançável – afinal, o magnata brasileiro estava em sétimo na lista – transformou-se no sonho de uma noite de verão. Hoje, se Eike quiser chegar ao topo vai precisar multiplicar sua fortuna em quase sete vezes. O declínio, no entanto, não é só uma perda pessoal. Representa o mau desempenho do empresário nos negócios, um infortúnio, portanto, para os investidores. A crise que começou em junho passado na petroleira OGX, empresa com maior valor de mercado do Grupo EBX, acabou contaminando o desempenho de outras companhias. Em grande parte devido à estrutura de interdependência, na qual uma empresa é cliente da outra, mas também porque os investidores não parecem mais acreditar nas promessas de Eike.

– Ele prometeu demais e não conseguiu entregar. Para um empreendedor, não basta ser bom em projetos, precisa saber executar – resume Frederico Vontobel, da Vokin Investimentos, escritório que não recomenda para clientes os papéis de nenhuma das empresas de Eike.

Mesmo empresas que não estão diretamente ligadas à petroleira – e portanto fora do epicentro da crise – sofrem com a desconfiança do mercado. É o caso da MPX, companhia de energia e gás responsável por iniciativas do empresário no Rio Grande do Sul. As ações tiveram queda de 35% em um ano, apesar de o cronograma de atividades estar em dia.

Dúvidas sobre carvão gaúcho

– A MPX segue trabalhando com perspectivas de consolidar os projetos das duas usinas termelétricas em Candiota – afirma Cesar de Faria, diretor presidente da Copelmi, responsável por operar a mina do Seival que abastecerá as duas usinas e parceira da MPX no empreendimento.

A empresa de Eike já tem licença dos órgãos ambientais para execução das obras. Precisa vencer o próximo leilão de energia, previsto para 29 de agosto. Caso saia vencedora, a iniciativa representará um investimento de, ao menos, R$ 6,5 bilhões no Estado, gerando um aumento de 1,3 mil MW em capacidade instalada. Uma das iniciativas para resgatar a confiança nos negócios de Eike foi o aumento da participação de sócios no capital das empresas, caso da E.ON na MPX, vista com bons olhos por especialistas. Em abril deste ano, a companhia alemã ampliou de 11,7% para 36,1% sua participação na empresa. Considerados especialistas em carvão, os europeus seriam uma garantia do interesse de Eike no mineral gaúcho.

– Os dois projetos estão avançados. Fazemos reuniões semanais com a empresa para chegarmos ao leilão de energia da forma mais competitiva possível – afirma Rui Dick, gerente-executivo da Secretaria da Infraestrutura do Estado.

Todos esses contatos são feitos com executivos da empresa. O próprio Eike, até onde se sabe, jamais pisou em solo gaúcho para tratar de interesses que representam cerca de um terço do valor da fortuna estimada em US$ 10,6 bilhões.

Efeito dominó
O modelo de interdependência adotado por Eike Batista é tido por especialistas como arriscado. Como uma empresa é cliente da outra, uma crise em qualquer das unidades pode interferir no desempenho das demais. O tombo da OGX na bolsa acabou arrastando outras ações do grupo EBX

1. Projeto mais ambicioso do grupo, a OGX tem dificuldades de cumprir as metas de produção. A desconfiança dos investidores fez o preço das ações despencar.

2. A empresa de indústria naval OSX foi criada para ter a OGX como principal cliente. A perspectiva de uma produção mais modesta da petroleira tem impacto direto na demanda do estaleiro.

3. Efeito semelhante ocorre com a LLX, empresa de logística do grupo. Idealizada para viabilizar o transporte de petróleo da OGX, o desempenho da empresa foi diretamente afetado pela diminuição de demanda. Atrasos no porto de Açu, da LLX, comprometem o escoamento da produção de ferro da mineradora MMX.

4. A mineradora MMX contrata energia da MPX. Mas com a logística para venda prejudicada – principalmente pelos atrasos no porto de Açu –, é obrigada a reduzir a produção.

5. A geradora de energia MPX compra gás da OGX, mas a exploração e a distribuição dependem de capital.

Mesmo relutante, Eike Batista tem agido em diferentes frentes para tentar recuperar a saúde financeira e a credibilidade nos negócios. Entre as gigantes do Grupo EBX, o primeiro passo foi dado com a empresa de energia MPX, que vendeu parte do capital à alemã E.ON. Para reduzir o endividamento e continuar investindo, outras empresas também estão à procura de novos sócios. O desempenho ruim no primeiro trimestre do ano comprovou que o empresário subestimou o poder corrosivo da desconfiança sobre seus negócios. Um acordo firmado em março com o banco de investimentos BTG Pactual, de André Esteves, garantiu uma linha de crédito de US$1 bilhão a Eike, além de um acordo de consultoria financeira para as empresas do grupo.

– O mercado está bastante cético. Recuperar a confiança é mais difícil do que conquistá-la – afirma Carlos Müller, da Geral Corretora.

A procura por parceiros inclui mesmo as empresas que tiveram um bom desempenho recentemente. É o caso do time de vôlei masculino RJX, que, apesar de conquistar o título de campeão brasileiro na última temporada, busca alternativas para não ter de reduzir custos. Vale até fechar o capital de empresas. O empresário já indicou que pretende comprar todas as ações da mineradora de carvão CCX nos próximos meses.

– No ano passado, chegou a ser anunciado o fechamento da LLX, mas Eike desistiu da operação – lembra Valter Bianchi, da Fundamenta, administradora de investimentos.

A estratégia adotada por Eike também inclui o famoso "desinvestimento" – quando se vende ou se passa adiante um ativo. É o caso do navio Pink Fleet. Como a proposta de passeios turísticos pela Baía de Guanabara não deu certo, Eike pretende doá-lo à Marinha. Um dos jatinhos privados da AVX também entrou na lista de ofertas e está à venda em um site americano. O valor pedido pela aeronave não foi divulgado.

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