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Resultados mostram que sistemas projetados com uma camada de argila compactada são eficazes ao mitigar os efeitos da drenagem ácida de mina

Realizado conjuntamente entre o Cetem (Centro de Tecnologia Mineral) e a Carbonífera Criciúma para mitigar a drenagem ácida em rejeitos de carvão com o uso de coberturas secas, o trabalho “Projeto coberturas secas” foi um dos vencedores do 15º Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira.

O projeto pioneiro envolvendo a avaliação do desempenho da aplicação de diferentes tipos de materiais na cobertura dos rejeitos oriundos do beneficiamento do carvão no Brasil teve metodologia que segue o princípio do “empacotamento” dos rejeitos com vistas ao isolamento deste resíduo, mediante a aplicação de uma cobertura impermeável, técnica esta denominada Coberturas Secas. Esta técnica visa minimizar a geração de drenagem ácida.

A drenagem ácida é o principal agente causador de impactos ambientais associados a disposição inadequada dos rejeitos gerados no beneficiamento do carvão. Origina-se da exposição da pirita contida neste rejeito às condições atmosféricas, em especial ao ar e a água, promovendo desta forma reações físico-químicas responsáveis pela geração de efluente ácido comportando metais dissolvidos que, ao alcançar solos e recursos hídricos, acarretando a degradação física do solo, do ar e dos recursos hídricos.

Este projeto compreende três fases básicas: Fase 1 - programa de amostragem, ensaios de campo e laboratório para obtenção de parâmetros dos materiais a serem empregados nos sistemas de cobertura; Fase 2 - Modelagem numérica preliminar das coberturas utilizando os parâmetros dos materiais obtidos na fase anterior e os dados climáticos da região; e Fase 3 - Projeto, construção e operação de uma unidade piloto, em escala de campo, a qual tem por finalidade a avaliação do desempenho das diferentes coberturas por meio de instrumentação eletrônica e amostragens visando a análise do comportamento dos depósitos em escala real, monitorados a longo prazo.
 

 

Área da Estação Experimental Juliano Peres Barbosa

 


Presentemente na Fase 3, o projeto vem sendo desenvolvido em escala piloto, na Estação Experimental Juliano Peres Barbosa, projetada pelo Cetem e instalada com recursos da Carbonífera Criciúma (CCSA) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na Unidade Mineira do Verdinho da Carbonífera Criciúma no Município de Forquilhinha (SC). A Estação ocupa uma área de aproximadamente 1700 m², constituída por quatro células experimentais, um laboratório e uma estação meteorológica.

As células experimentais são quatro cavidades com volume aproximado de 110 m³ cada uma, construídas dentro de um aterro, nas quais foram instaladas diferentes tipos de coberturas. Cada uma é dotada um lisímetro no interior do da cavidade projetado para coleta de efluentes. As cavidades foram revestidas internamente com geomanta e posteriormente preenchidas com rejeito de carvão.

As células diferem no tipo de cobertura aplicada na parte superior e no caso da célula 1, não há qualquer tipo de cobertura e os resultados obtidos servem como referencial às demais.

A célula 1 é constituída somente por rejeito grosso. Na célula 2, sobre o rejeito grosso, há uma cobertura de 30 cm de rejeito misturado compactado (rejeito grosso e rejeito fino). Na célula 3, sobre a camada de rejeito misturado, tem-se uma camada de 30cm de argila compactada e sobre esta, uma camada de 30cm de solo vegetal, não compactado, usado como para proteção à camada argilosa e suporte de vegetação. O sistema de cobertura da célula 4 consiste em colocar sobre a camada de rejeito misturado, uma camada de 30cm de cinzas grossa compactada, uma camada de 30 cm de argila compactada e novamente uma camada de cinzas grossa compactada. Ainda sobre esta última, uma camada de 30 cm de solo vegetal.

Um dos parâmetros para a avaliação do desempenho dos sistemas consiste em determinar a variação, ao longo do tempo, da temperatura, umidade e sucção dos materiais contidos nas células. Foram instalados 45 sensores eletrônicos (15 de temperatura, 15 de umidade e 15 de sucção) no interior dos materiais de cobertura e do rejeito. Os dados registrados por estes sensores são armazenados em uma unidade central e transferidos ao laboratório, onde são interpretados.

A água da chuva que cai sobre as células é medida por pluviógrafos e um pluviômetro. Parte da água que não se infiltra, escoa superficialmente, sendo coletada por um sistema de calhas e reservatórios, e seu volume é medido (runoff). A parte que infiltra é medida em reservatórios específicos para determinação do balanço hídrico.

A geoquímica do processo é acompanhada pelas análises químicas e físico-químicas da água coletada, periodicamente no poço de coleta. As análises químicas são realizadas em laboratório especializado na região.

No laboratório, além de se realizar análises físico-químicas, interpretam-se os dados recebidos da estação meteorológica, os quais permitem que se avalie a influência das condições climáticas sobre o desempenho dos diferentes sistemas de cobertura. A evaporação real é estimada a partir de modelos numéricos que utilizam os dados meteorológicos fornecidos também pela estação meteorológica.

O acompanhamento do desempenho dos diferentes tipos de cobertura com a coleta de dados meteorológicos, efluentes e análises químicas precisa ser realizado por um longo período, de forma a permitir a avaliação do desempenho dos sistemas de cobertura em estações secas e chuvosas do ano. A estação opera de forma ininterrupta desde 2007.

Os resultados obtidos no projeto possibilitarão a elaboração de projetos conceituais e a realização de recomendações quanto à melhor maneira de cobrir os rejeitos, a fim de abater a geração de drenagem ácida. Os dados obtidos ao longo do desenvolvimento deste projeto podem também ser utilizados para a calibração de programas numéricos comerciais de simulação de balanço hídrico e de fenômenos geoquímicos em depósitos de rejeitos de carvão.

Resultados preliminares já obtidos indicaram que os sistemas projetados com uma camada de argila compactada (células 3 e 4) estão sendo, até o momento, eficazes na mitigação dos efeitos da drenagem ácida de mina. Dados de pH determinados em efluentes percolados nos rejeitos das células 3 e 4 indicaram variações deste parâmetro entre 6,0 e 7,0, na maior parte do tempo do monitoramento. Além disso, houve uma redução significativa do volume percolado no rejeito, superior a 80%, comparado ao volume na célula descoberta (célula 1).

A experiência adquirida no projeto, na instalação e na operação da estação experimental, poderá ser aplicada em projetos de cobertura de outros rejeitos minerais, em outras regiões do Brasil em que haja degradação ambiental causada pela geração de drenagem ácida.
 


Conheça os autores do projeto

Mário Valente Possa - Graduação em Engenharia de Minas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo, atua como tecnologista Sênior do Cetem.

Vicente Paulo de Souza - Graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo, atualmente é pesquisador Titular III do Cetem.

Anderson Borghetti Soares - Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), mestrado em Engenharia Oceânica pela FURG e doutorado em Geotecnia pela COPPE (UFRJ), e atualmente presta serviços de consultoria em geotecnia ambiental para o Cetem.

Paulo Sérgio Moreira Soares - Graduação em Engenharia Metalúrgica pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestrado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo e doutorado pela Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e atualmente é tecnologista Sênior do Cetem.

Carlos Henrique Schneider - Geólogo graduado pela Unisinos/RS, Especialista em Engenharia de Produção pela Unesc, com mestrado em Engenharia Metalúrgica pela UFRGS, desde 1995 a frente da Divisão Técnica da Carbonífera Criciúma.

Maiara da Conceição Gaspar - Engenheira Ambiental graduada pela Unesc/SC, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional pela Unesc, com especialização em andamento em Auditoria e Perícia Ambiental pela Unesc. Desde 2008 trabalha na Divisão Técnica da Carbonífera Criciúma.
 
Leia o projeto na íntegra aqui!

Fonte: http://www.revistaminerios.com.br/Publicacoes/4366/Cobertura_seca_minimiza_drenagem_acida_.aspx

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Resultados mostram que sistemas projetados com uma camada de argila compactada são eficazes ao mitigar os efeitos da drenagem ácida de mina

Realizado conjuntamente entre o Cetem (Centro de Tecnologia Mineral) e a Carbonífera Criciúma para mitigar a drenagem ácida em rejeitos de carvão com o uso de coberturas secas, o trabalho “Projeto coberturas secas” foi um dos vencedores do 15º Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira.

O projeto pioneiro envolvendo a avaliação do desempenho da aplicação de diferentes tipos de materiais na cobertura dos rejeitos oriundos do beneficiamento do carvão no Brasil teve metodologia que segue o princípio do “empacotamento” dos rejeitos com vistas ao isolamento deste resíduo, mediante a aplicação de uma cobertura impermeável, técnica esta denominada Coberturas Secas. Esta técnica visa minimizar a geração de drenagem ácida.

A drenagem ácida é o principal agente causador de impactos ambientais associados a disposição inadequada dos rejeitos gerados no beneficiamento do carvão. Origina-se da exposição da pirita contida neste rejeito às condições atmosféricas, em especial ao ar e a água, promovendo desta forma reações físico-químicas responsáveis pela geração de efluente ácido comportando metais dissolvidos que, ao alcançar solos e recursos hídricos, acarretando a degradação física do solo, do ar e dos recursos hídricos.

Este projeto compreende três fases básicas: Fase 1 - programa de amostragem, ensaios de campo e laboratório para obtenção de parâmetros dos materiais a serem empregados nos sistemas de cobertura; Fase 2 - Modelagem numérica preliminar das coberturas utilizando os parâmetros dos materiais obtidos na fase anterior e os dados climáticos da região; e Fase 3 - Projeto, construção e operação de uma unidade piloto, em escala de campo, a qual tem por finalidade a avaliação do desempenho das diferentes coberturas por meio de instrumentação eletrônica e amostragens visando a análise do comportamento dos depósitos em escala real, monitorados a longo prazo.
 

 

Área da Estação Experimental Juliano Peres Barbosa

 


Presentemente na Fase 3, o projeto vem sendo desenvolvido em escala piloto, na Estação Experimental Juliano Peres Barbosa, projetada pelo Cetem e instalada com recursos da Carbonífera Criciúma (CCSA) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na Unidade Mineira do Verdinho da Carbonífera Criciúma no Município de Forquilhinha (SC). A Estação ocupa uma área de aproximadamente 1700 m², constituída por quatro células experimentais, um laboratório e uma estação meteorológica.

As células experimentais são quatro cavidades com volume aproximado de 110 m³ cada uma, construídas dentro de um aterro, nas quais foram instaladas diferentes tipos de coberturas. Cada uma é dotada um lisímetro no interior do da cavidade projetado para coleta de efluentes. As cavidades foram revestidas internamente com geomanta e posteriormente preenchidas com rejeito de carvão.

As células diferem no tipo de cobertura aplicada na parte superior e no caso da célula 1, não há qualquer tipo de cobertura e os resultados obtidos servem como referencial às demais.

A célula 1 é constituída somente por rejeito grosso. Na célula 2, sobre o rejeito grosso, há uma cobertura de 30 cm de rejeito misturado compactado (rejeito grosso e rejeito fino). Na célula 3, sobre a camada de rejeito misturado, tem-se uma camada de 30cm de argila compactada e sobre esta, uma camada de 30cm de solo vegetal, não compactado, usado como para proteção à camada argilosa e suporte de vegetação. O sistema de cobertura da célula 4 consiste em colocar sobre a camada de rejeito misturado, uma camada de 30cm de cinzas grossa compactada, uma camada de 30 cm de argila compactada e novamente uma camada de cinzas grossa compactada. Ainda sobre esta última, uma camada de 30 cm de solo vegetal.

Um dos parâmetros para a avaliação do desempenho dos sistemas consiste em determinar a variação, ao longo do tempo, da temperatura, umidade e sucção dos materiais contidos nas células. Foram instalados 45 sensores eletrônicos (15 de temperatura, 15 de umidade e 15 de sucção) no interior dos materiais de cobertura e do rejeito. Os dados registrados por estes sensores são armazenados em uma unidade central e transferidos ao laboratório, onde são interpretados.

A água da chuva que cai sobre as células é medida por pluviógrafos e um pluviômetro. Parte da água que não se infiltra, escoa superficialmente, sendo coletada por um sistema de calhas e reservatórios, e seu volume é medido (runoff). A parte que infiltra é medida em reservatórios específicos para determinação do balanço hídrico.

A geoquímica do processo é acompanhada pelas análises químicas e físico-químicas da água coletada, periodicamente no poço de coleta. As análises químicas são realizadas em laboratório especializado na região.

No laboratório, além de se realizar análises físico-químicas, interpretam-se os dados recebidos da estação meteorológica, os quais permitem que se avalie a influência das condições climáticas sobre o desempenho dos diferentes sistemas de cobertura. A evaporação real é estimada a partir de modelos numéricos que utilizam os dados meteorológicos fornecidos também pela estação meteorológica.

O acompanhamento do desempenho dos diferentes tipos de cobertura com a coleta de dados meteorológicos, efluentes e análises químicas precisa ser realizado por um longo período, de forma a permitir a avaliação do desempenho dos sistemas de cobertura em estações secas e chuvosas do ano. A estação opera de forma ininterrupta desde 2007.

Os resultados obtidos no projeto possibilitarão a elaboração de projetos conceituais e a realização de recomendações quanto à melhor maneira de cobrir os rejeitos, a fim de abater a geração de drenagem ácida. Os dados obtidos ao longo do desenvolvimento deste projeto podem também ser utilizados para a calibração de programas numéricos comerciais de simulação de balanço hídrico e de fenômenos geoquímicos em depósitos de rejeitos de carvão.

Resultados preliminares já obtidos indicaram que os sistemas projetados com uma camada de argila compactada (células 3 e 4) estão sendo, até o momento, eficazes na mitigação dos efeitos da drenagem ácida de mina. Dados de pH determinados em efluentes percolados nos rejeitos das células 3 e 4 indicaram variações deste parâmetro entre 6,0 e 7,0, na maior parte do tempo do monitoramento. Além disso, houve uma redução significativa do volume percolado no rejeito, superior a 80%, comparado ao volume na célula descoberta (célula 1).

A experiência adquirida no projeto, na instalação e na operação da estação experimental, poderá ser aplicada em projetos de cobertura de outros rejeitos minerais, em outras regiões do Brasil em que haja degradação ambiental causada pela geração de drenagem ácida.
 


Conheça os autores do projeto

Mário Valente Possa - Graduação em Engenharia de Minas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo, atua como tecnologista Sênior do Cetem.

Vicente Paulo de Souza - Graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo, atualmente é pesquisador Titular III do Cetem.

Anderson Borghetti Soares - Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), mestrado em Engenharia Oceânica pela FURG e doutorado em Geotecnia pela COPPE (UFRJ), e atualmente presta serviços de consultoria em geotecnia ambiental para o Cetem.

Paulo Sérgio Moreira Soares - Graduação em Engenharia Metalúrgica pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestrado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo e doutorado pela Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e atualmente é tecnologista Sênior do Cetem.

Carlos Henrique Schneider - Geólogo graduado pela Unisinos/RS, Especialista em Engenharia de Produção pela Unesc, com mestrado em Engenharia Metalúrgica pela UFRGS, desde 1995 a frente da Divisão Técnica da Carbonífera Criciúma.

Maiara da Conceição Gaspar - Engenheira Ambiental graduada pela Unesc/SC, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional pela Unesc, com especialização em andamento em Auditoria e Perícia Ambiental pela Unesc. Desde 2008 trabalha na Divisão Técnica da Carbonífera Criciúma.
 
Leia o projeto na íntegra aqui!

Fonte: http://www.revistaminerios.com.br/Publicacoes/4366/Cobertura_seca_minimiza_drenagem_acida_.aspx

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Cobertura seca minimiza drenagem ácida

15/05/2013

Revista Minérios & Minerales

Resultados mostram que sistemas projetados com uma camada de argila compactada são eficazes ao mitigar os efeitos da drenagem ácida de mina

Realizado conjuntamente entre o Cetem (Centro de Tecnologia Mineral) e a Carbonífera Criciúma para mitigar a drenagem ácida em rejeitos de carvão com o uso de coberturas secas, o trabalho “Projeto coberturas secas” foi um dos vencedores do 15º Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira.

O projeto pioneiro envolvendo a avaliação do desempenho da aplicação de diferentes tipos de materiais na cobertura dos rejeitos oriundos do beneficiamento do carvão no Brasil teve metodologia que segue o princípio do “empacotamento” dos rejeitos com vistas ao isolamento deste resíduo, mediante a aplicação de uma cobertura impermeável, técnica esta denominada Coberturas Secas. Esta técnica visa minimizar a geração de drenagem ácida.

A drenagem ácida é o principal agente causador de impactos ambientais associados a disposição inadequada dos rejeitos gerados no beneficiamento do carvão. Origina-se da exposição da pirita contida neste rejeito às condições atmosféricas, em especial ao ar e a água, promovendo desta forma reações físico-químicas responsáveis pela geração de efluente ácido comportando metais dissolvidos que, ao alcançar solos e recursos hídricos, acarretando a degradação física do solo, do ar e dos recursos hídricos.

Este projeto compreende três fases básicas: Fase 1 - programa de amostragem, ensaios de campo e laboratório para obtenção de parâmetros dos materiais a serem empregados nos sistemas de cobertura; Fase 2 - Modelagem numérica preliminar das coberturas utilizando os parâmetros dos materiais obtidos na fase anterior e os dados climáticos da região; e Fase 3 - Projeto, construção e operação de uma unidade piloto, em escala de campo, a qual tem por finalidade a avaliação do desempenho das diferentes coberturas por meio de instrumentação eletrônica e amostragens visando a análise do comportamento dos depósitos em escala real, monitorados a longo prazo.
 

 

Área da Estação Experimental Juliano Peres Barbosa

 


Presentemente na Fase 3, o projeto vem sendo desenvolvido em escala piloto, na Estação Experimental Juliano Peres Barbosa, projetada pelo Cetem e instalada com recursos da Carbonífera Criciúma (CCSA) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na Unidade Mineira do Verdinho da Carbonífera Criciúma no Município de Forquilhinha (SC). A Estação ocupa uma área de aproximadamente 1700 m², constituída por quatro células experimentais, um laboratório e uma estação meteorológica.

As células experimentais são quatro cavidades com volume aproximado de 110 m³ cada uma, construídas dentro de um aterro, nas quais foram instaladas diferentes tipos de coberturas. Cada uma é dotada um lisímetro no interior do da cavidade projetado para coleta de efluentes. As cavidades foram revestidas internamente com geomanta e posteriormente preenchidas com rejeito de carvão.

As células diferem no tipo de cobertura aplicada na parte superior e no caso da célula 1, não há qualquer tipo de cobertura e os resultados obtidos servem como referencial às demais.

A célula 1 é constituída somente por rejeito grosso. Na célula 2, sobre o rejeito grosso, há uma cobertura de 30 cm de rejeito misturado compactado (rejeito grosso e rejeito fino). Na célula 3, sobre a camada de rejeito misturado, tem-se uma camada de 30cm de argila compactada e sobre esta, uma camada de 30cm de solo vegetal, não compactado, usado como para proteção à camada argilosa e suporte de vegetação. O sistema de cobertura da célula 4 consiste em colocar sobre a camada de rejeito misturado, uma camada de 30cm de cinzas grossa compactada, uma camada de 30 cm de argila compactada e novamente uma camada de cinzas grossa compactada. Ainda sobre esta última, uma camada de 30 cm de solo vegetal.

Um dos parâmetros para a avaliação do desempenho dos sistemas consiste em determinar a variação, ao longo do tempo, da temperatura, umidade e sucção dos materiais contidos nas células. Foram instalados 45 sensores eletrônicos (15 de temperatura, 15 de umidade e 15 de sucção) no interior dos materiais de cobertura e do rejeito. Os dados registrados por estes sensores são armazenados em uma unidade central e transferidos ao laboratório, onde são interpretados.

A água da chuva que cai sobre as células é medida por pluviógrafos e um pluviômetro. Parte da água que não se infiltra, escoa superficialmente, sendo coletada por um sistema de calhas e reservatórios, e seu volume é medido (runoff). A parte que infiltra é medida em reservatórios específicos para determinação do balanço hídrico.

A geoquímica do processo é acompanhada pelas análises químicas e físico-químicas da água coletada, periodicamente no poço de coleta. As análises químicas são realizadas em laboratório especializado na região.

No laboratório, além de se realizar análises físico-químicas, interpretam-se os dados recebidos da estação meteorológica, os quais permitem que se avalie a influência das condições climáticas sobre o desempenho dos diferentes sistemas de cobertura. A evaporação real é estimada a partir de modelos numéricos que utilizam os dados meteorológicos fornecidos também pela estação meteorológica.

O acompanhamento do desempenho dos diferentes tipos de cobertura com a coleta de dados meteorológicos, efluentes e análises químicas precisa ser realizado por um longo período, de forma a permitir a avaliação do desempenho dos sistemas de cobertura em estações secas e chuvosas do ano. A estação opera de forma ininterrupta desde 2007.

Os resultados obtidos no projeto possibilitarão a elaboração de projetos conceituais e a realização de recomendações quanto à melhor maneira de cobrir os rejeitos, a fim de abater a geração de drenagem ácida. Os dados obtidos ao longo do desenvolvimento deste projeto podem também ser utilizados para a calibração de programas numéricos comerciais de simulação de balanço hídrico e de fenômenos geoquímicos em depósitos de rejeitos de carvão.

Resultados preliminares já obtidos indicaram que os sistemas projetados com uma camada de argila compactada (células 3 e 4) estão sendo, até o momento, eficazes na mitigação dos efeitos da drenagem ácida de mina. Dados de pH determinados em efluentes percolados nos rejeitos das células 3 e 4 indicaram variações deste parâmetro entre 6,0 e 7,0, na maior parte do tempo do monitoramento. Além disso, houve uma redução significativa do volume percolado no rejeito, superior a 80%, comparado ao volume na célula descoberta (célula 1).

A experiência adquirida no projeto, na instalação e na operação da estação experimental, poderá ser aplicada em projetos de cobertura de outros rejeitos minerais, em outras regiões do Brasil em que haja degradação ambiental causada pela geração de drenagem ácida.
 


Conheça os autores do projeto

Mário Valente Possa - Graduação em Engenharia de Minas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo, atua como tecnologista Sênior do Cetem.

Vicente Paulo de Souza - Graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo, atualmente é pesquisador Titular III do Cetem.

Anderson Borghetti Soares - Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), mestrado em Engenharia Oceânica pela FURG e doutorado em Geotecnia pela COPPE (UFRJ), e atualmente presta serviços de consultoria em geotecnia ambiental para o Cetem.

Paulo Sérgio Moreira Soares - Graduação em Engenharia Metalúrgica pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestrado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo e doutorado pela Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e atualmente é tecnologista Sênior do Cetem.

Carlos Henrique Schneider - Geólogo graduado pela Unisinos/RS, Especialista em Engenharia de Produção pela Unesc, com mestrado em Engenharia Metalúrgica pela UFRGS, desde 1995 a frente da Divisão Técnica da Carbonífera Criciúma.

Maiara da Conceição Gaspar - Engenheira Ambiental graduada pela Unesc/SC, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional pela Unesc, com especialização em andamento em Auditoria e Perícia Ambiental pela Unesc. Desde 2008 trabalha na Divisão Técnica da Carbonífera Criciúma.
 
Leia o projeto na íntegra aqui!

Fonte: http://www.revistaminerios.com.br/Publicacoes/4366/Cobertura_seca_minimiza_drenagem_acida_.aspx

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