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O carvão de Santa Catarina, ao longo das décadas, nunca teve uma política estruturada. Sofremos com ações governamentais desastrosas, como em 1989, quando o governo vendeu seus estoques de carvão e as carboníferas estocaram cerca de 1,4 milhões de toneladas. Em 1990, com o fim do uso carvão metalúrgico catarinense, as empresas quase faliram.

A partir desta data, o carvão do sul de Santa Catarina ficou à própria sorte, pagando o passivo financeiro da desregulamentação. Empresas faliram, como o caso da CBCA, Barro Branco e Treviso.

De 1995 em diante, algumas empresas carboníferas (Catarinense, Metropolitana e Criciúma) buscaram novos mercados ao promoverem o desenvolvimento de projetos térmicos como a USITESC, que desde 1999 vem sendo trabalhada para viabilizar novos mercados, além do Complexo Jorge Lacerda.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, veio o programa de privatização, e a Tractebel passou a fazer parte do nosso mercado. Quando foi privatizado o Complexo Jorge Lacerda, era plano, com o fim da Conta de Compensação de Combustíveis (CCC), desativar as usinas mais antigas do Complexo. Mas, com a conquista da Lei 10.438 de 2002, conseguimos dar garantias para a operação econômica do Complexo Jorge Lacerda na sua totalidade de 857 MW.

A lei que criou a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) mostrou-se efetiva, pois, nos momentos que faltou água para operar as usinas hidráulicas do sistema interligado, as usinas térmicas a carvão garantiram a segurança energética e, no último evento de 2012 a 2015, tiveram papel fundamental de produzir energia a baixo custo, cerca de 10 vezes menor que as usinas térmicas a óleo.

Infelizmente, o Governo Federal, por falta de entendimento e por conta de uma política partidária, deixou fora dos leilões de energia nova durante quatro anos o carvão mineral, causando um elevado prejuízo à sociedade brasileira.

Se os projetos Seival e USITESC estivessem operando desde 2013, teríamos economizado mais de 10 bilhões em nossas contas de energia, que, agora, teremos que pagar nos próximos anos. A CDE, desde sua criação, vista como seguro do sistema, atraiu recursos financeiros para cadeia econômica do carvão, que movimentou a economia dos estados do Sul, girando anualmente 12 bilhões de reais nas regiões produtoras e consumidoras de carvão. Só em 2015, um bilhão de reais foi para Santa Catarina.

Durantes esses últimos anos as empresas carboníferas tiveram que honrar compromissos de recuperação do passivo ambiental, legado de décadas, que causou descapitalização do setor.  Graças a inovação e ajustes de produtividade, o setor sobreviveu até agora, contribuindo com recursos financeiros para manutenção da SATC e para vários projetos sociais de nossa região.

Agora, estamos em novo momento de definições para o setor. Temos tido um rearranjo empresarial, face ao novo contrato com a Tractebel, que por sua vez se transforma em ENGIE, passando por um novo posicionamento de mercado. O momento é oportuno para que o setor carbonífero catarinense e nacional venha a implantar uma política industrial, algo sempre almejado por todo o segmento. Temos um novo governo, uma nova governança para o setor elétrico.

Conforme, palavras do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, “estamos aqui para buscar uma solução estrutural para o setor do carvão nacional”, e portanto chegou a hora de discutir tecnicamente todos os aspectos de curto, médio e longo prazo, incluindo um programa de modernização que poderá trazer 1.050 MW novos (três USITESCs) e a implantação da ferrovia litorânea, que ligará o Sul ao Norte de Santa Catarina.

No curto prazo, como emergência face ao fechamento de postos de trabalho na atividade, teremos que viabilizar um programa de requalificação dos mineiros demitidos. Precisamos ainda definir o programa de modernização do atual parque para que em oito anos possamos ter usinas novas em operação gerando novos empregos.

Portanto, em 2016, poderemos definir o futuro do setor carbonífero, que tem e terá seu espaço na matriz energética nacional. O carvão já provou sua importância para a segurança energética e para modicidade tarifária. Para o futuro, todas as previsões até 2050 mostram que teremos um espaço para o desenvolvimento de uma indústria carbonífera competitiva e sustentável.

 

Fernando Luiz Zancan – Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral.

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O carvão de Santa Catarina, ao longo das décadas, nunca teve uma política estruturada. Sofremos com ações governamentais desastrosas, como em 1989, quando o governo vendeu seus estoques de carvão e as carboníferas estocaram cerca de 1,4 milhões de toneladas. Em 1990, com o fim do uso carvão metalúrgico catarinense, as empresas quase faliram.

A partir desta data, o carvão do sul de Santa Catarina ficou à própria sorte, pagando o passivo financeiro da desregulamentação. Empresas faliram, como o caso da CBCA, Barro Branco e Treviso.

De 1995 em diante, algumas empresas carboníferas (Catarinense, Metropolitana e Criciúma) buscaram novos mercados ao promoverem o desenvolvimento de projetos térmicos como a USITESC, que desde 1999 vem sendo trabalhada para viabilizar novos mercados, além do Complexo Jorge Lacerda.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, veio o programa de privatização, e a Tractebel passou a fazer parte do nosso mercado. Quando foi privatizado o Complexo Jorge Lacerda, era plano, com o fim da Conta de Compensação de Combustíveis (CCC), desativar as usinas mais antigas do Complexo. Mas, com a conquista da Lei 10.438 de 2002, conseguimos dar garantias para a operação econômica do Complexo Jorge Lacerda na sua totalidade de 857 MW.

A lei que criou a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) mostrou-se efetiva, pois, nos momentos que faltou água para operar as usinas hidráulicas do sistema interligado, as usinas térmicas a carvão garantiram a segurança energética e, no último evento de 2012 a 2015, tiveram papel fundamental de produzir energia a baixo custo, cerca de 10 vezes menor que as usinas térmicas a óleo.

Infelizmente, o Governo Federal, por falta de entendimento e por conta de uma política partidária, deixou fora dos leilões de energia nova durante quatro anos o carvão mineral, causando um elevado prejuízo à sociedade brasileira.

Se os projetos Seival e USITESC estivessem operando desde 2013, teríamos economizado mais de 10 bilhões em nossas contas de energia, que, agora, teremos que pagar nos próximos anos. A CDE, desde sua criação, vista como seguro do sistema, atraiu recursos financeiros para cadeia econômica do carvão, que movimentou a economia dos estados do Sul, girando anualmente 12 bilhões de reais nas regiões produtoras e consumidoras de carvão. Só em 2015, um bilhão de reais foi para Santa Catarina.

Durantes esses últimos anos as empresas carboníferas tiveram que honrar compromissos de recuperação do passivo ambiental, legado de décadas, que causou descapitalização do setor.  Graças a inovação e ajustes de produtividade, o setor sobreviveu até agora, contribuindo com recursos financeiros para manutenção da SATC e para vários projetos sociais de nossa região.

Agora, estamos em novo momento de definições para o setor. Temos tido um rearranjo empresarial, face ao novo contrato com a Tractebel, que por sua vez se transforma em ENGIE, passando por um novo posicionamento de mercado. O momento é oportuno para que o setor carbonífero catarinense e nacional venha a implantar uma política industrial, algo sempre almejado por todo o segmento. Temos um novo governo, uma nova governança para o setor elétrico.

Conforme, palavras do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, “estamos aqui para buscar uma solução estrutural para o setor do carvão nacional”, e portanto chegou a hora de discutir tecnicamente todos os aspectos de curto, médio e longo prazo, incluindo um programa de modernização que poderá trazer 1.050 MW novos (três USITESCs) e a implantação da ferrovia litorânea, que ligará o Sul ao Norte de Santa Catarina.

No curto prazo, como emergência face ao fechamento de postos de trabalho na atividade, teremos que viabilizar um programa de requalificação dos mineiros demitidos. Precisamos ainda definir o programa de modernização do atual parque para que em oito anos possamos ter usinas novas em operação gerando novos empregos.

Portanto, em 2016, poderemos definir o futuro do setor carbonífero, que tem e terá seu espaço na matriz energética nacional. O carvão já provou sua importância para a segurança energética e para modicidade tarifária. Para o futuro, todas as previsões até 2050 mostram que teremos um espaço para o desenvolvimento de uma indústria carbonífera competitiva e sustentável.

 

Fernando Luiz Zancan – Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral.

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O momento de definir a política do carvão mineral

01/08/2016

Fernando Zancan

O carvão de Santa Catarina, ao longo das décadas, nunca teve uma política estruturada. Sofremos com ações governamentais desastrosas, como em 1989, quando o governo vendeu seus estoques de carvão e as carboníferas estocaram cerca de 1,4 milhões de toneladas. Em 1990, com o fim do uso carvão metalúrgico catarinense, as empresas quase faliram.

A partir desta data, o carvão do sul de Santa Catarina ficou à própria sorte, pagando o passivo financeiro da desregulamentação. Empresas faliram, como o caso da CBCA, Barro Branco e Treviso.

De 1995 em diante, algumas empresas carboníferas (Catarinense, Metropolitana e Criciúma) buscaram novos mercados ao promoverem o desenvolvimento de projetos térmicos como a USITESC, que desde 1999 vem sendo trabalhada para viabilizar novos mercados, além do Complexo Jorge Lacerda.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, veio o programa de privatização, e a Tractebel passou a fazer parte do nosso mercado. Quando foi privatizado o Complexo Jorge Lacerda, era plano, com o fim da Conta de Compensação de Combustíveis (CCC), desativar as usinas mais antigas do Complexo. Mas, com a conquista da Lei 10.438 de 2002, conseguimos dar garantias para a operação econômica do Complexo Jorge Lacerda na sua totalidade de 857 MW.

A lei que criou a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) mostrou-se efetiva, pois, nos momentos que faltou água para operar as usinas hidráulicas do sistema interligado, as usinas térmicas a carvão garantiram a segurança energética e, no último evento de 2012 a 2015, tiveram papel fundamental de produzir energia a baixo custo, cerca de 10 vezes menor que as usinas térmicas a óleo.

Infelizmente, o Governo Federal, por falta de entendimento e por conta de uma política partidária, deixou fora dos leilões de energia nova durante quatro anos o carvão mineral, causando um elevado prejuízo à sociedade brasileira.

Se os projetos Seival e USITESC estivessem operando desde 2013, teríamos economizado mais de 10 bilhões em nossas contas de energia, que, agora, teremos que pagar nos próximos anos. A CDE, desde sua criação, vista como seguro do sistema, atraiu recursos financeiros para cadeia econômica do carvão, que movimentou a economia dos estados do Sul, girando anualmente 12 bilhões de reais nas regiões produtoras e consumidoras de carvão. Só em 2015, um bilhão de reais foi para Santa Catarina.

Durantes esses últimos anos as empresas carboníferas tiveram que honrar compromissos de recuperação do passivo ambiental, legado de décadas, que causou descapitalização do setor.  Graças a inovação e ajustes de produtividade, o setor sobreviveu até agora, contribuindo com recursos financeiros para manutenção da SATC e para vários projetos sociais de nossa região.

Agora, estamos em novo momento de definições para o setor. Temos tido um rearranjo empresarial, face ao novo contrato com a Tractebel, que por sua vez se transforma em ENGIE, passando por um novo posicionamento de mercado. O momento é oportuno para que o setor carbonífero catarinense e nacional venha a implantar uma política industrial, algo sempre almejado por todo o segmento. Temos um novo governo, uma nova governança para o setor elétrico.

Conforme, palavras do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, “estamos aqui para buscar uma solução estrutural para o setor do carvão nacional”, e portanto chegou a hora de discutir tecnicamente todos os aspectos de curto, médio e longo prazo, incluindo um programa de modernização que poderá trazer 1.050 MW novos (três USITESCs) e a implantação da ferrovia litorânea, que ligará o Sul ao Norte de Santa Catarina.

No curto prazo, como emergência face ao fechamento de postos de trabalho na atividade, teremos que viabilizar um programa de requalificação dos mineiros demitidos. Precisamos ainda definir o programa de modernização do atual parque para que em oito anos possamos ter usinas novas em operação gerando novos empregos.

Portanto, em 2016, poderemos definir o futuro do setor carbonífero, que tem e terá seu espaço na matriz energética nacional. O carvão já provou sua importância para a segurança energética e para modicidade tarifária. Para o futuro, todas as previsões até 2050 mostram que teremos um espaço para o desenvolvimento de uma indústria carbonífera competitiva e sustentável.

 

Fernando Luiz Zancan – Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral.

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351