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A Europa está envolvida em um projeto de integração energética que tem enormes dificuldades, visto que os mercados de energia são determinados por políticas nacionais. A saída do Reino Unido da União Europeia poderá reforçar essa tendência. Os formuladores de política energética da Comissão, baseados em Bruxelas, devem refletir sobre esse cenário, visando analisar quais serão as novas formas de integração energética do grupo sem o Reino Unido.  

Quanto a integração energética, vários analistas falam que o Reino Unido irá promover a produção de fontes energéticas domésticas, tornando-se menos dependente de fontes importadas e da integração. Em 2000, o Reino Unido com sua produção de gás no Mar do Norte, era praticamente independente no atendimento de sua demanda de gás, chegando a produzir 100 bilhões de metros cúbicos - bcm. Em 2014, produziu 32 bcm e importou 28,5 da Noruega, ou seja 30,2% das importações de gás da Noruega para Europa.   

Recentemente o Reino Unido comemorou que em 2025 iria fechar sua última usina de carvão e faria seu atendimento com renováveis e nuclear. O primeiro projeto nuclear, Hinkley Point (3.200 MW), é uma parceria com a empresa EDF da França e já sofre questionamentos de sua viabilidade, visto o elevado custo da energia 92 libras/MWh.

Com a política de reduzir o subsídio para as renováveis e o alto custo da energia, o carvão já começa a ser lembrado novamente e isso deverá ser discutido agora sem as amarras das políticas energéticas da comunidade europeia, que serão também reavaliadas.

Por outro lado, as políticas de mudanças climáticas, que sempre tiveram no Reino Unido o seu principal incentivador, podem sofrer alterações em vista do Brexit. O Reino Unido deu musculatura para a Europa negociar um acordo do clima mais audacioso na COP21. Quanto a ratificação do Acordo de Paris, o Reino Unido representa 1% das emissões globais. O acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que tenham 55% das emissões mundiais.

Analisando sobre a ótica da importância para o Reino Unido, verifica-se que Londres é o centro global das finanças e serviços verdes. Companhias Hi-tech de smart grids, aparelhos para eficiência energética e veículos elétricos são parte da estratégia de longo prazo de companhias inglesas e isso não mudará.

Portanto, apesar do receio dos ambientalistas, a tendência comercial deve prevalecer. Mas com a perspectiva de uma queda na economia como resultado do referendum, as questões ambientais podem ficar sob a linha de fogo em nome da competitividade. Enfim, deixemos o caminhão de melancias andar.

Fernando L Zancan - Presidente da ABCM.

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A Europa está envolvida em um projeto de integração energética que tem enormes dificuldades, visto que os mercados de energia são determinados por políticas nacionais. A saída do Reino Unido da União Europeia poderá reforçar essa tendência. Os formuladores de política energética da Comissão, baseados em Bruxelas, devem refletir sobre esse cenário, visando analisar quais serão as novas formas de integração energética do grupo sem o Reino Unido.  

Quanto a integração energética, vários analistas falam que o Reino Unido irá promover a produção de fontes energéticas domésticas, tornando-se menos dependente de fontes importadas e da integração. Em 2000, o Reino Unido com sua produção de gás no Mar do Norte, era praticamente independente no atendimento de sua demanda de gás, chegando a produzir 100 bilhões de metros cúbicos - bcm. Em 2014, produziu 32 bcm e importou 28,5 da Noruega, ou seja 30,2% das importações de gás da Noruega para Europa.   

Recentemente o Reino Unido comemorou que em 2025 iria fechar sua última usina de carvão e faria seu atendimento com renováveis e nuclear. O primeiro projeto nuclear, Hinkley Point (3.200 MW), é uma parceria com a empresa EDF da França e já sofre questionamentos de sua viabilidade, visto o elevado custo da energia 92 libras/MWh.

Com a política de reduzir o subsídio para as renováveis e o alto custo da energia, o carvão já começa a ser lembrado novamente e isso deverá ser discutido agora sem as amarras das políticas energéticas da comunidade europeia, que serão também reavaliadas.

Por outro lado, as políticas de mudanças climáticas, que sempre tiveram no Reino Unido o seu principal incentivador, podem sofrer alterações em vista do Brexit. O Reino Unido deu musculatura para a Europa negociar um acordo do clima mais audacioso na COP21. Quanto a ratificação do Acordo de Paris, o Reino Unido representa 1% das emissões globais. O acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que tenham 55% das emissões mundiais.

Analisando sobre a ótica da importância para o Reino Unido, verifica-se que Londres é o centro global das finanças e serviços verdes. Companhias Hi-tech de smart grids, aparelhos para eficiência energética e veículos elétricos são parte da estratégia de longo prazo de companhias inglesas e isso não mudará.

Portanto, apesar do receio dos ambientalistas, a tendência comercial deve prevalecer. Mas com a perspectiva de uma queda na economia como resultado do referendum, as questões ambientais podem ficar sob a linha de fogo em nome da competitividade. Enfim, deixemos o caminhão de melancias andar.

Fernando L Zancan - Presidente da ABCM.

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O Brexit e a energia

04/07/2016

Fernando Zancan - Presidente ABCM

A Europa está envolvida em um projeto de integração energética que tem enormes dificuldades, visto que os mercados de energia são determinados por políticas nacionais. A saída do Reino Unido da União Europeia poderá reforçar essa tendência. Os formuladores de política energética da Comissão, baseados em Bruxelas, devem refletir sobre esse cenário, visando analisar quais serão as novas formas de integração energética do grupo sem o Reino Unido.  

Quanto a integração energética, vários analistas falam que o Reino Unido irá promover a produção de fontes energéticas domésticas, tornando-se menos dependente de fontes importadas e da integração. Em 2000, o Reino Unido com sua produção de gás no Mar do Norte, era praticamente independente no atendimento de sua demanda de gás, chegando a produzir 100 bilhões de metros cúbicos - bcm. Em 2014, produziu 32 bcm e importou 28,5 da Noruega, ou seja 30,2% das importações de gás da Noruega para Europa.   

Recentemente o Reino Unido comemorou que em 2025 iria fechar sua última usina de carvão e faria seu atendimento com renováveis e nuclear. O primeiro projeto nuclear, Hinkley Point (3.200 MW), é uma parceria com a empresa EDF da França e já sofre questionamentos de sua viabilidade, visto o elevado custo da energia 92 libras/MWh.

Com a política de reduzir o subsídio para as renováveis e o alto custo da energia, o carvão já começa a ser lembrado novamente e isso deverá ser discutido agora sem as amarras das políticas energéticas da comunidade europeia, que serão também reavaliadas.

Por outro lado, as políticas de mudanças climáticas, que sempre tiveram no Reino Unido o seu principal incentivador, podem sofrer alterações em vista do Brexit. O Reino Unido deu musculatura para a Europa negociar um acordo do clima mais audacioso na COP21. Quanto a ratificação do Acordo de Paris, o Reino Unido representa 1% das emissões globais. O acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que tenham 55% das emissões mundiais.

Analisando sobre a ótica da importância para o Reino Unido, verifica-se que Londres é o centro global das finanças e serviços verdes. Companhias Hi-tech de smart grids, aparelhos para eficiência energética e veículos elétricos são parte da estratégia de longo prazo de companhias inglesas e isso não mudará.

Portanto, apesar do receio dos ambientalistas, a tendência comercial deve prevalecer. Mas com a perspectiva de uma queda na economia como resultado do referendum, as questões ambientais podem ficar sob a linha de fogo em nome da competitividade. Enfim, deixemos o caminhão de melancias andar.

Fernando L Zancan - Presidente da ABCM.

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