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Estamos no início do período úmido no sudeste. Aguardamos com ansiedade as chuvas para recuperar a capacidade de gerar energia hidráulica, que representa cerca de 70% da matriz de geração de energia elétrica no Brasil.

O nosso parque térmico, continua sendo acionado ao máximo e isso garante o abastecimento. Portanto o modelo hidro-térmico está cumprindo o seu papel de dar segurança ao sistema elétrico brasileiro. Finalmente a sociedade brasileira percebe que as energias renováveis, sozinhas, não podem garantir a segurança de um sistema de geração de energia elétrica.

No Brasil é oposto ao que ocorre na Europa, que tem nas térmicas a maior parcela de sua geração de energia elétrica. O incremento de renováveis, em países como Itália, Alemanha e Espanha está causando o desequilíbrio do mercado afetando a segurança energética. A demanda de eletricidade em queda e o aumento da capacidade de renováveis vem paralisando as térmicas, especialmente as a gás natural – mais caras que as a carvão. Essa combinação de fatores tem causado elevadas perdas financeiras as grandes geradoras de energia. Outro fator de desequilíbrio é o custo da energia para a sociedade. Na Itália, o custo do subsídio para as renováveis é 14 bilhões de euros por ano e na Alemanha é de 20 bilhões. Só o programa solar da Alemanha deixou um custo para a Sociedade de cerca de 200 bilhões de euros nos próximos 20 anos.

Esse custo é pago pela sociedade, pois a indústria, para se manter competitiva, tem tarifas de energia elétrica diferenciadas. A Alemanha, impulsionou as energias verdes, visando sua segurança energética, com receio da falta do gás importado da Rússia, tem no carvão cerca de 40% da geração de energia elétrica. Recentemente o governo alemão solicitou ao governo sueco que mantivesse o investimento da empresa sueca Vattenfall na produção de carvão na Alemanha, alegando a manutenção de empregos e a segurança energética.

O papel das energias renováveis, devido a sua intermitência, deve ser discutido com cuidado na matriz de geração de eletricidade. No Brasil, cuja demanda cresce cerca de 4% ao ano, apesar de um PIB próximo a zero, precisaremos manter o equilíbrio, aumentar a geração por fontes renováveis e ao mesmo tempo incrementar as fontes térmicas firme que complementam o sistema, especialmente aquelas que tem a produção nacional e baixo custo como o carvão mineral. 

As palavras segurança e competitividade passam a ser fundamentais no entendimento do mundo energético, principalmente na Europa.

“Não há nenhuma razão para as pessoas da Europa passarem frio nesse inverno”. Essa foi a frase do presidente da Comissão Europeia, Sr. José Manuel Barroso, depois da assinatura do acordo entre a Gazprom (empresa estatal russa) e a Ucrânia, no dia 31 de outubro de 2014 para assegurar o fornecimento de gás russo para o abastecimento do rigoroso inverno ucraniano.

Esse acordo foi firmado após a Comunidade Comum Europeia garantir os 4,6 bilhões de dólares que a Ucrânia deverá pagar até março do ano que vem pela compra do gás que vem da Rússia. Hoje, cerca de 60% do gás russo que é importado pela Europa passa pela Ucrânia, que encontra-se em meio a um conflito de difícil solução. Talvez esse acordo seja o ponto de alívio das tensões nesse país dividido entre fazer acordos comerciais com os blocos econômico europeu e russo.

A segurança energética é sempre um fator determinante na geopolítica mundial e em políticas públicas – incentivo as energias renováveis (caso da Europa), - interferência nos conflitos do oriente médio (caso USA).

No Brasil, também temos nossas mazelas quanto à segurança energética. Entramos no “período úmido” com um dos piores índices de armazenamento dos reservatórios dos últimos 20 anos.

Graças ao parque térmico que temos (talvez não seja o ótimo, haja visto o alto custo das térmicas a óleo e gás natural) estamos passando o ano de 2014 sem ter problemas de suprimento de energia elétrica. Ao longo dos dois últimos anos, com as poucas chuvas, ficou evidente o papel de segurança energética que as usinas térmicas têm no sistema brasileiro.

Mas para ter segurança energética é necessário ter energia disponível.

Nos últimos dois anos muito se fala da revolução energética causada pelo Shale gas (gás de folhelho) nos Estados Unidos. Salienta-se que esse modelo poderia ser, eventualmente, replicado no Brasil e resolver a falta de gás barato que a nossa indústria reclama, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Essa revolução permitiu que os EUA aumentassem sua produção de gás, mas principalmente de petróleo leve, dando musculatura ao maior consumidor de energia do mundo, para deixar de depender de países “menos amigos” para garantir sua segurança energética.

Essa revolução altera a geopolítica mundial, tendo em vista que o aumento da produção de petróleo nos EUA, contribuiu para que o petróleo baixasse de preço este ano. Essa mudança de patamar de preço faz com que os países que tem no petróleo a base de sua economia (Rússia, Arábia Saudita, Venezuela, etc.) comecem a sofre as consequências.

A Arábia Saudita, cujo seu orçamento depende 92% do petróleo vem mantendo a produção e com isso pode provocar mais baixas de preço. O que o mundo deseja saber é até quando ela suportará essa queda de braço que por sua vez pode afetar a produção do “tight oil” americano e até o nosso pré-sal.

Quanto ao shale gás, devido seu baixo preço - US$ 3,5 MMBTU – levará a sua exportação via terminais de GNL que deverão entrar em produção até 2019 focado no mercado japonês e asiático. Fatalmente aumentando o preço interno dos EUA.

O modelo do shale gas nos EUA é um sucesso porque tem condições ideais. Tecnologia, equipamentos, empreendedores, rede de gasodutos já implantada, mercado em crescimento e regime de produção do bem mineral (o dono da terra é o dono do gás). 

No Brasil e em outras partes do mundo essas condições não existem, o que torna difícil replicar o sucesso americano no curto ou médio prazo. Por outro lado, existem dúvidas sobre o impacto ambiental desta tecnologia, quanto a contaminação de aquíferos e emissões de metano. 

Portanto, com o novo governo, chegou a hora de discutirmos a inserção, devidamente estruturada, da geração de energia elétrica a partir do carvão mineral nacional na matriz de geração de energia elétrica brasileira. A proposta de política industrial para o carvão já foi entregue a presidente eleita e inclui a geração de energia elétrica e a viabilização de uma indústria carboquímica. Mesmo sem a política que desejamos implantar, a indústria cerâmica catarinense volta ao carvão para substituir o gás e estuda-se a produção de fertilizantes nitrogenados em Santa Catarina e de gás de síntese no Rio Grande do Sul.

Enquanto pagamos uma conta enorme de energia por estar despachando na base usinas a óleo e a gás, temos a certeza que a nossa energia está disponível no carvão mineral. Acreditamos que o governo e a sociedade entenderam que, para que tenhamos energia 24hr por 7 dias por semana, é necessário incorporar energia firme e de baixo CVU e o combustível para tanto é o carvão mineral.

No leilão A-5 realizado no dia 29.11.14, comemoramos a inserção do primeiro projeto a carvão nacional - 340 MW da Tractebel Energia – depois de 2005.

O projeto Pampa Sul da Tractebel Energia inicia um ciclo de utilização do carvão mineral nacional, que ao agregar tecnologia para ser mais eficiente e reduzir as emissões, viabiliza de forma competitiva o uso desta fonte de combustível nacional disponível e que gera desenvolvimento e renda ao país, ao contrário do gás natural importado.

A vitória de um projeto térmico a carvão, operado por uma empresa que tem no seu DNA a geração a carvão de forma eficiente e profissional, mostra que o carvão pode contribuir com a segurança energética do Brasil, de forma competitiva, sem subsídios em igualdade de condições com qualquer dos seus concorrentes.

O dia 29/11/14 ficará na história. Esse dia abre o caminho para o futuro do carvão mineral nacional e as populações dos municípios produtores agradecem ao esforço de tantos e quantos que contribuíram para que isso ocorresse.

Esperamos que em 2015, ao realizarmos um leilão no primeiro quadrimestre, tenhamos efetivamente um leilão A-5 e não um A 4.1 como deste ano, que afastou projetos existentes de carvão que precisam de 46 meses para serem implantados. Com isso, finalmente estaremos dando as condições de competitividade e sinal econômico para que outros atores entrem em cena na garantia da segurança energética brasileira usando a energia disponível e barata.

Fernando Luiz Zancan é presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral

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Estamos no início do período úmido no sudeste. Aguardamos com ansiedade as chuvas para recuperar a capacidade de gerar energia hidráulica, que representa cerca de 70% da matriz de geração de energia elétrica no Brasil.

O nosso parque térmico, continua sendo acionado ao máximo e isso garante o abastecimento. Portanto o modelo hidro-térmico está cumprindo o seu papel de dar segurança ao sistema elétrico brasileiro. Finalmente a sociedade brasileira percebe que as energias renováveis, sozinhas, não podem garantir a segurança de um sistema de geração de energia elétrica.

No Brasil é oposto ao que ocorre na Europa, que tem nas térmicas a maior parcela de sua geração de energia elétrica. O incremento de renováveis, em países como Itália, Alemanha e Espanha está causando o desequilíbrio do mercado afetando a segurança energética. A demanda de eletricidade em queda e o aumento da capacidade de renováveis vem paralisando as térmicas, especialmente as a gás natural – mais caras que as a carvão. Essa combinação de fatores tem causado elevadas perdas financeiras as grandes geradoras de energia. Outro fator de desequilíbrio é o custo da energia para a sociedade. Na Itália, o custo do subsídio para as renováveis é 14 bilhões de euros por ano e na Alemanha é de 20 bilhões. Só o programa solar da Alemanha deixou um custo para a Sociedade de cerca de 200 bilhões de euros nos próximos 20 anos.

Esse custo é pago pela sociedade, pois a indústria, para se manter competitiva, tem tarifas de energia elétrica diferenciadas. A Alemanha, impulsionou as energias verdes, visando sua segurança energética, com receio da falta do gás importado da Rússia, tem no carvão cerca de 40% da geração de energia elétrica. Recentemente o governo alemão solicitou ao governo sueco que mantivesse o investimento da empresa sueca Vattenfall na produção de carvão na Alemanha, alegando a manutenção de empregos e a segurança energética.

O papel das energias renováveis, devido a sua intermitência, deve ser discutido com cuidado na matriz de geração de eletricidade. No Brasil, cuja demanda cresce cerca de 4% ao ano, apesar de um PIB próximo a zero, precisaremos manter o equilíbrio, aumentar a geração por fontes renováveis e ao mesmo tempo incrementar as fontes térmicas firme que complementam o sistema, especialmente aquelas que tem a produção nacional e baixo custo como o carvão mineral. 

As palavras segurança e competitividade passam a ser fundamentais no entendimento do mundo energético, principalmente na Europa.

“Não há nenhuma razão para as pessoas da Europa passarem frio nesse inverno”. Essa foi a frase do presidente da Comissão Europeia, Sr. José Manuel Barroso, depois da assinatura do acordo entre a Gazprom (empresa estatal russa) e a Ucrânia, no dia 31 de outubro de 2014 para assegurar o fornecimento de gás russo para o abastecimento do rigoroso inverno ucraniano.

Esse acordo foi firmado após a Comunidade Comum Europeia garantir os 4,6 bilhões de dólares que a Ucrânia deverá pagar até março do ano que vem pela compra do gás que vem da Rússia. Hoje, cerca de 60% do gás russo que é importado pela Europa passa pela Ucrânia, que encontra-se em meio a um conflito de difícil solução. Talvez esse acordo seja o ponto de alívio das tensões nesse país dividido entre fazer acordos comerciais com os blocos econômico europeu e russo.

A segurança energética é sempre um fator determinante na geopolítica mundial e em políticas públicas – incentivo as energias renováveis (caso da Europa), - interferência nos conflitos do oriente médio (caso USA).

No Brasil, também temos nossas mazelas quanto à segurança energética. Entramos no “período úmido” com um dos piores índices de armazenamento dos reservatórios dos últimos 20 anos.

Graças ao parque térmico que temos (talvez não seja o ótimo, haja visto o alto custo das térmicas a óleo e gás natural) estamos passando o ano de 2014 sem ter problemas de suprimento de energia elétrica. Ao longo dos dois últimos anos, com as poucas chuvas, ficou evidente o papel de segurança energética que as usinas térmicas têm no sistema brasileiro.

Mas para ter segurança energética é necessário ter energia disponível.

Nos últimos dois anos muito se fala da revolução energética causada pelo Shale gas (gás de folhelho) nos Estados Unidos. Salienta-se que esse modelo poderia ser, eventualmente, replicado no Brasil e resolver a falta de gás barato que a nossa indústria reclama, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Essa revolução permitiu que os EUA aumentassem sua produção de gás, mas principalmente de petróleo leve, dando musculatura ao maior consumidor de energia do mundo, para deixar de depender de países “menos amigos” para garantir sua segurança energética.

Essa revolução altera a geopolítica mundial, tendo em vista que o aumento da produção de petróleo nos EUA, contribuiu para que o petróleo baixasse de preço este ano. Essa mudança de patamar de preço faz com que os países que tem no petróleo a base de sua economia (Rússia, Arábia Saudita, Venezuela, etc.) comecem a sofre as consequências.

A Arábia Saudita, cujo seu orçamento depende 92% do petróleo vem mantendo a produção e com isso pode provocar mais baixas de preço. O que o mundo deseja saber é até quando ela suportará essa queda de braço que por sua vez pode afetar a produção do “tight oil” americano e até o nosso pré-sal.

Quanto ao shale gás, devido seu baixo preço - US$ 3,5 MMBTU – levará a sua exportação via terminais de GNL que deverão entrar em produção até 2019 focado no mercado japonês e asiático. Fatalmente aumentando o preço interno dos EUA.

O modelo do shale gas nos EUA é um sucesso porque tem condições ideais. Tecnologia, equipamentos, empreendedores, rede de gasodutos já implantada, mercado em crescimento e regime de produção do bem mineral (o dono da terra é o dono do gás). 

No Brasil e em outras partes do mundo essas condições não existem, o que torna difícil replicar o sucesso americano no curto ou médio prazo. Por outro lado, existem dúvidas sobre o impacto ambiental desta tecnologia, quanto a contaminação de aquíferos e emissões de metano. 

Portanto, com o novo governo, chegou a hora de discutirmos a inserção, devidamente estruturada, da geração de energia elétrica a partir do carvão mineral nacional na matriz de geração de energia elétrica brasileira. A proposta de política industrial para o carvão já foi entregue a presidente eleita e inclui a geração de energia elétrica e a viabilização de uma indústria carboquímica. Mesmo sem a política que desejamos implantar, a indústria cerâmica catarinense volta ao carvão para substituir o gás e estuda-se a produção de fertilizantes nitrogenados em Santa Catarina e de gás de síntese no Rio Grande do Sul.

Enquanto pagamos uma conta enorme de energia por estar despachando na base usinas a óleo e a gás, temos a certeza que a nossa energia está disponível no carvão mineral. Acreditamos que o governo e a sociedade entenderam que, para que tenhamos energia 24hr por 7 dias por semana, é necessário incorporar energia firme e de baixo CVU e o combustível para tanto é o carvão mineral.

No leilão A-5 realizado no dia 29.11.14, comemoramos a inserção do primeiro projeto a carvão nacional - 340 MW da Tractebel Energia – depois de 2005.

O projeto Pampa Sul da Tractebel Energia inicia um ciclo de utilização do carvão mineral nacional, que ao agregar tecnologia para ser mais eficiente e reduzir as emissões, viabiliza de forma competitiva o uso desta fonte de combustível nacional disponível e que gera desenvolvimento e renda ao país, ao contrário do gás natural importado.

A vitória de um projeto térmico a carvão, operado por uma empresa que tem no seu DNA a geração a carvão de forma eficiente e profissional, mostra que o carvão pode contribuir com a segurança energética do Brasil, de forma competitiva, sem subsídios em igualdade de condições com qualquer dos seus concorrentes.

O dia 29/11/14 ficará na história. Esse dia abre o caminho para o futuro do carvão mineral nacional e as populações dos municípios produtores agradecem ao esforço de tantos e quantos que contribuíram para que isso ocorresse.

Esperamos que em 2015, ao realizarmos um leilão no primeiro quadrimestre, tenhamos efetivamente um leilão A-5 e não um A 4.1 como deste ano, que afastou projetos existentes de carvão que precisam de 46 meses para serem implantados. Com isso, finalmente estaremos dando as condições de competitividade e sinal econômico para que outros atores entrem em cena na garantia da segurança energética brasileira usando a energia disponível e barata.

Fernando Luiz Zancan é presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral

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10/12/2014

Fernando Zancan - Presidente da ABCM

Estamos no início do período úmido no sudeste. Aguardamos com ansiedade as chuvas para recuperar a capacidade de gerar energia hidráulica, que representa cerca de 70% da matriz de geração de energia elétrica no Brasil.

O nosso parque térmico, continua sendo acionado ao máximo e isso garante o abastecimento. Portanto o modelo hidro-térmico está cumprindo o seu papel de dar segurança ao sistema elétrico brasileiro. Finalmente a sociedade brasileira percebe que as energias renováveis, sozinhas, não podem garantir a segurança de um sistema de geração de energia elétrica.

No Brasil é oposto ao que ocorre na Europa, que tem nas térmicas a maior parcela de sua geração de energia elétrica. O incremento de renováveis, em países como Itália, Alemanha e Espanha está causando o desequilíbrio do mercado afetando a segurança energética. A demanda de eletricidade em queda e o aumento da capacidade de renováveis vem paralisando as térmicas, especialmente as a gás natural – mais caras que as a carvão. Essa combinação de fatores tem causado elevadas perdas financeiras as grandes geradoras de energia. Outro fator de desequilíbrio é o custo da energia para a sociedade. Na Itália, o custo do subsídio para as renováveis é 14 bilhões de euros por ano e na Alemanha é de 20 bilhões. Só o programa solar da Alemanha deixou um custo para a Sociedade de cerca de 200 bilhões de euros nos próximos 20 anos.

Esse custo é pago pela sociedade, pois a indústria, para se manter competitiva, tem tarifas de energia elétrica diferenciadas. A Alemanha, impulsionou as energias verdes, visando sua segurança energética, com receio da falta do gás importado da Rússia, tem no carvão cerca de 40% da geração de energia elétrica. Recentemente o governo alemão solicitou ao governo sueco que mantivesse o investimento da empresa sueca Vattenfall na produção de carvão na Alemanha, alegando a manutenção de empregos e a segurança energética.

O papel das energias renováveis, devido a sua intermitência, deve ser discutido com cuidado na matriz de geração de eletricidade. No Brasil, cuja demanda cresce cerca de 4% ao ano, apesar de um PIB próximo a zero, precisaremos manter o equilíbrio, aumentar a geração por fontes renováveis e ao mesmo tempo incrementar as fontes térmicas firme que complementam o sistema, especialmente aquelas que tem a produção nacional e baixo custo como o carvão mineral. 

As palavras segurança e competitividade passam a ser fundamentais no entendimento do mundo energético, principalmente na Europa.

“Não há nenhuma razão para as pessoas da Europa passarem frio nesse inverno”. Essa foi a frase do presidente da Comissão Europeia, Sr. José Manuel Barroso, depois da assinatura do acordo entre a Gazprom (empresa estatal russa) e a Ucrânia, no dia 31 de outubro de 2014 para assegurar o fornecimento de gás russo para o abastecimento do rigoroso inverno ucraniano.

Esse acordo foi firmado após a Comunidade Comum Europeia garantir os 4,6 bilhões de dólares que a Ucrânia deverá pagar até março do ano que vem pela compra do gás que vem da Rússia. Hoje, cerca de 60% do gás russo que é importado pela Europa passa pela Ucrânia, que encontra-se em meio a um conflito de difícil solução. Talvez esse acordo seja o ponto de alívio das tensões nesse país dividido entre fazer acordos comerciais com os blocos econômico europeu e russo.

A segurança energética é sempre um fator determinante na geopolítica mundial e em políticas públicas – incentivo as energias renováveis (caso da Europa), - interferência nos conflitos do oriente médio (caso USA).

No Brasil, também temos nossas mazelas quanto à segurança energética. Entramos no “período úmido” com um dos piores índices de armazenamento dos reservatórios dos últimos 20 anos.

Graças ao parque térmico que temos (talvez não seja o ótimo, haja visto o alto custo das térmicas a óleo e gás natural) estamos passando o ano de 2014 sem ter problemas de suprimento de energia elétrica. Ao longo dos dois últimos anos, com as poucas chuvas, ficou evidente o papel de segurança energética que as usinas térmicas têm no sistema brasileiro.

Mas para ter segurança energética é necessário ter energia disponível.

Nos últimos dois anos muito se fala da revolução energética causada pelo Shale gas (gás de folhelho) nos Estados Unidos. Salienta-se que esse modelo poderia ser, eventualmente, replicado no Brasil e resolver a falta de gás barato que a nossa indústria reclama, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Essa revolução permitiu que os EUA aumentassem sua produção de gás, mas principalmente de petróleo leve, dando musculatura ao maior consumidor de energia do mundo, para deixar de depender de países “menos amigos” para garantir sua segurança energética.

Essa revolução altera a geopolítica mundial, tendo em vista que o aumento da produção de petróleo nos EUA, contribuiu para que o petróleo baixasse de preço este ano. Essa mudança de patamar de preço faz com que os países que tem no petróleo a base de sua economia (Rússia, Arábia Saudita, Venezuela, etc.) comecem a sofre as consequências.

A Arábia Saudita, cujo seu orçamento depende 92% do petróleo vem mantendo a produção e com isso pode provocar mais baixas de preço. O que o mundo deseja saber é até quando ela suportará essa queda de braço que por sua vez pode afetar a produção do “tight oil” americano e até o nosso pré-sal.

Quanto ao shale gás, devido seu baixo preço - US$ 3,5 MMBTU – levará a sua exportação via terminais de GNL que deverão entrar em produção até 2019 focado no mercado japonês e asiático. Fatalmente aumentando o preço interno dos EUA.

O modelo do shale gas nos EUA é um sucesso porque tem condições ideais. Tecnologia, equipamentos, empreendedores, rede de gasodutos já implantada, mercado em crescimento e regime de produção do bem mineral (o dono da terra é o dono do gás). 

No Brasil e em outras partes do mundo essas condições não existem, o que torna difícil replicar o sucesso americano no curto ou médio prazo. Por outro lado, existem dúvidas sobre o impacto ambiental desta tecnologia, quanto a contaminação de aquíferos e emissões de metano. 

Portanto, com o novo governo, chegou a hora de discutirmos a inserção, devidamente estruturada, da geração de energia elétrica a partir do carvão mineral nacional na matriz de geração de energia elétrica brasileira. A proposta de política industrial para o carvão já foi entregue a presidente eleita e inclui a geração de energia elétrica e a viabilização de uma indústria carboquímica. Mesmo sem a política que desejamos implantar, a indústria cerâmica catarinense volta ao carvão para substituir o gás e estuda-se a produção de fertilizantes nitrogenados em Santa Catarina e de gás de síntese no Rio Grande do Sul.

Enquanto pagamos uma conta enorme de energia por estar despachando na base usinas a óleo e a gás, temos a certeza que a nossa energia está disponível no carvão mineral. Acreditamos que o governo e a sociedade entenderam que, para que tenhamos energia 24hr por 7 dias por semana, é necessário incorporar energia firme e de baixo CVU e o combustível para tanto é o carvão mineral.

No leilão A-5 realizado no dia 29.11.14, comemoramos a inserção do primeiro projeto a carvão nacional - 340 MW da Tractebel Energia – depois de 2005.

O projeto Pampa Sul da Tractebel Energia inicia um ciclo de utilização do carvão mineral nacional, que ao agregar tecnologia para ser mais eficiente e reduzir as emissões, viabiliza de forma competitiva o uso desta fonte de combustível nacional disponível e que gera desenvolvimento e renda ao país, ao contrário do gás natural importado.

A vitória de um projeto térmico a carvão, operado por uma empresa que tem no seu DNA a geração a carvão de forma eficiente e profissional, mostra que o carvão pode contribuir com a segurança energética do Brasil, de forma competitiva, sem subsídios em igualdade de condições com qualquer dos seus concorrentes.

O dia 29/11/14 ficará na história. Esse dia abre o caminho para o futuro do carvão mineral nacional e as populações dos municípios produtores agradecem ao esforço de tantos e quantos que contribuíram para que isso ocorresse.

Esperamos que em 2015, ao realizarmos um leilão no primeiro quadrimestre, tenhamos efetivamente um leilão A-5 e não um A 4.1 como deste ano, que afastou projetos existentes de carvão que precisam de 46 meses para serem implantados. Com isso, finalmente estaremos dando as condições de competitividade e sinal econômico para que outros atores entrem em cena na garantia da segurança energética brasileira usando a energia disponível e barata.

Fernando Luiz Zancan é presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral

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Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351