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As terras do Ceará não são propícias à agricultura de larga escala: os longos períodos de seca impedem o florescimento do agronegócio. Há décadas que os governantes se convenceram da necessidade de promover a industrialização do Estado. Ainda faltava um lugar para escoar a produção e, simultaneamente, adquirir matéria-prima do exterior.

Em 1996, o governo estadual deu início à construção do Porto do Pecém (CE). A obra ficou pronta seis anos depois. E se só se tornou superavitária depois de outros cinco. Agora, entretanto, são visíveis os sinais de que a transformação é definitiva. 

O termin do Pecém cresce 40% ao ano porque gestões de diferentes partidos souberam trabalhar em conjunto com a iniciativa privada. Para atrair uma termelétrica (necessária em um Estado sem grandes rios), por exemplo, o governo providenciou a construção de uma esteira de transporte de carvão do porto do Pecém até a usina, que começou a funcionar em 2012. Dos doze quilômetros da construção, metade foram erguidos pelo Estado; a outra metade, pelos controladores da usina.

A esteira tubular, pioneira no Brasil, evita desperdícios e agiliza o transporte de grandes quantidades de carvão. O sistema também será utilizada pela CSP, a siderúrgica que tem 50% de capital coreano (os outros 50% são da Vale) e começou a ser construída no distrito do Pecém.

O governo, aliás, já escolheu a empresa responsável por construir uma segunda esteira, que será utilizada no transporte de minérios. A obra, parte do acordo que possibilitou a chegada da CSP e de seus 5,1 bilhões de dólares em investimentos, precisa estar pronta até o fim de 2015. "Sem a esteira não teríamos como receber a siderúrgica", diz João Alcântara Neto, coordenador de operações portuárias do Pecém. 

Em 2013, o terminal cearense movimentou 6,3 milhões de toneladas de cargas — 77% disso eram importações. Em 2016, quando a CSP estiver em funcionamento, esse total vai ultrapassar os 19 milhões de toneladas. E, pela primeira vez, a balança comercial do Ceará deve se equilibrar.

Além de ser bem localizado (mais perto da Europa e dos Estados Unidos do que os maiores portos brasileiros), o porto cearense custa mais barato.  Uma das razões é crença na lógica do mercado: não há funcionários públicos trabalhando nos pátios do Pecém; o transporte e o manejo das cargas são feitos por empresas terceirizadas. Quatro prestadoras de serviço atuam no terminal, e os exportadores podem escolher quem contratar. O governo não interfere, e a concorrência ajuda a baixar os custos. Melhor assim.

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As terras do Ceará não são propícias à agricultura de larga escala: os longos períodos de seca impedem o florescimento do agronegócio. Há décadas que os governantes se convenceram da necessidade de promover a industrialização do Estado. Ainda faltava um lugar para escoar a produção e, simultaneamente, adquirir matéria-prima do exterior.

Em 1996, o governo estadual deu início à construção do Porto do Pecém (CE). A obra ficou pronta seis anos depois. E se só se tornou superavitária depois de outros cinco. Agora, entretanto, são visíveis os sinais de que a transformação é definitiva. 

O termin do Pecém cresce 40% ao ano porque gestões de diferentes partidos souberam trabalhar em conjunto com a iniciativa privada. Para atrair uma termelétrica (necessária em um Estado sem grandes rios), por exemplo, o governo providenciou a construção de uma esteira de transporte de carvão do porto do Pecém até a usina, que começou a funcionar em 2012. Dos doze quilômetros da construção, metade foram erguidos pelo Estado; a outra metade, pelos controladores da usina.

A esteira tubular, pioneira no Brasil, evita desperdícios e agiliza o transporte de grandes quantidades de carvão. O sistema também será utilizada pela CSP, a siderúrgica que tem 50% de capital coreano (os outros 50% são da Vale) e começou a ser construída no distrito do Pecém.

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Em 2013, o terminal cearense movimentou 6,3 milhões de toneladas de cargas — 77% disso eram importações. Em 2016, quando a CSP estiver em funcionamento, esse total vai ultrapassar os 19 milhões de toneladas. E, pela primeira vez, a balança comercial do Ceará deve se equilibrar.

Além de ser bem localizado (mais perto da Europa e dos Estados Unidos do que os maiores portos brasileiros), o porto cearense custa mais barato.  Uma das razões é crença na lógica do mercado: não há funcionários públicos trabalhando nos pátios do Pecém; o transporte e o manejo das cargas são feitos por empresas terceirizadas. Quatro prestadoras de serviço atuam no terminal, e os exportadores podem escolher quem contratar. O governo não interfere, e a concorrência ajuda a baixar os custos. Melhor assim.

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Esteiras para carvão e minério impulsionam crescimento do Porto de Pecém

24/05/2014

Gabriel Castro, de São Gonçalo do Amarante (CE)

As terras do Ceará não são propícias à agricultura de larga escala: os longos períodos de seca impedem o florescimento do agronegócio. Há décadas que os governantes se convenceram da necessidade de promover a industrialização do Estado. Ainda faltava um lugar para escoar a produção e, simultaneamente, adquirir matéria-prima do exterior.

Em 1996, o governo estadual deu início à construção do Porto do Pecém (CE). A obra ficou pronta seis anos depois. E se só se tornou superavitária depois de outros cinco. Agora, entretanto, são visíveis os sinais de que a transformação é definitiva. 

O termin do Pecém cresce 40% ao ano porque gestões de diferentes partidos souberam trabalhar em conjunto com a iniciativa privada. Para atrair uma termelétrica (necessária em um Estado sem grandes rios), por exemplo, o governo providenciou a construção de uma esteira de transporte de carvão do porto do Pecém até a usina, que começou a funcionar em 2012. Dos doze quilômetros da construção, metade foram erguidos pelo Estado; a outra metade, pelos controladores da usina.

A esteira tubular, pioneira no Brasil, evita desperdícios e agiliza o transporte de grandes quantidades de carvão. O sistema também será utilizada pela CSP, a siderúrgica que tem 50% de capital coreano (os outros 50% são da Vale) e começou a ser construída no distrito do Pecém.

O governo, aliás, já escolheu a empresa responsável por construir uma segunda esteira, que será utilizada no transporte de minérios. A obra, parte do acordo que possibilitou a chegada da CSP e de seus 5,1 bilhões de dólares em investimentos, precisa estar pronta até o fim de 2015. "Sem a esteira não teríamos como receber a siderúrgica", diz João Alcântara Neto, coordenador de operações portuárias do Pecém. 

Em 2013, o terminal cearense movimentou 6,3 milhões de toneladas de cargas — 77% disso eram importações. Em 2016, quando a CSP estiver em funcionamento, esse total vai ultrapassar os 19 milhões de toneladas. E, pela primeira vez, a balança comercial do Ceará deve se equilibrar.

Além de ser bem localizado (mais perto da Europa e dos Estados Unidos do que os maiores portos brasileiros), o porto cearense custa mais barato.  Uma das razões é crença na lógica do mercado: não há funcionários públicos trabalhando nos pátios do Pecém; o transporte e o manejo das cargas são feitos por empresas terceirizadas. Quatro prestadoras de serviço atuam no terminal, e os exportadores podem escolher quem contratar. O governo não interfere, e a concorrência ajuda a baixar os custos. Melhor assim.

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