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O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, aponta que o principal legado do novo marco do setor elétrico, que completou 10 anos na semana passada, é a atração de investimentos em energia no país. Ele, que esteve intimamente ligado à definição do atual modelo do setor, aponta que fatores como a garantia de receita de longo prazo, financiamentos do BNDES e redução de riscos levaram o Brasil ao atual nível de estrutura no setor elétrico.

Ele considera o atual momento como extremo em decorrência da conjugação de fatores climáticos adversos. O modelo, com seus leilões e diversificação das fontes, trouxe a possibilidade de o Brasil conseguir passar pela pressão sobre os reservatórios de UHEs. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida à Agência CanalEnergia:

Agência CanalEnergia: Como avalia o desenvolvimento novo marco regulatório do setor elétrico nesses 10 anos?

Maurício Tolmasquim: Acho que o principal mérito do marco regulatório foi trazer o aumento da segurança no setor. O país voltou a atrair capital privado para o investimento, além de trazer os investimentos da Eletrobras novamente. O modelo atraiu esse capital, justamente por reduzir os riscos dos investidores. Anterior à lei, havia um ambiente em que o investidor deveria construir e comercializar a energia. Isso trazia um problema em caso de crise econômica ou redução da demanda que poderia fazer com que esse investidor micasse com o projeto. E uma das grandes conquistas foi o contrato de longo prazo que dá garantia de receita. E com esse contrato de longo prazo, o empreendedor consegue financiamento junto ao BNDES. Ele só aporta garantias corporativas apenas durante a construção, ou seja, depois disso usa o seu PPA como garantia e isso permite investir em um maior número de projetos.

Outra questão importante é que para reduzir risco foi colocada a exigência de licença prévia para geração. No caos da UHEs, o empreendedor participava do leilão, arrematava a concessão e depois, por não ter tido a licença ambiental prévia não conseguia construir. A licença prévia é aquela que indica que o projeto tem viabilidade ambiental. O que acontecia, a área ambiental - e com razão - dizia que o projeto tinha sido licitado e contratado, mas ninguém havia dito que o projeto tinha viabilidade. Agora não, o empreendedor tem o atestado de viabilidade do projeto. Lógico que tem outros fatores que podem impedir ou atrasar a construção de uma obra, mas a ambiental, que é a principal, já foi dada e isso reduz o risco.

Agência CanalEnergia: Qual foi a consequência desse ambiente de negócios proporcionado pela 10.848/2004?

Maurício Tolmasquim: Houve a democratização do número de investidores. Com a questão do contrato de longo prazo e financiamento com menos capital próprio, já que a maior parte do valor do empreendimento é financiado. Isso aumentou a quantidade de empresas que passaram a investir. Antes tínhamos a Eletrobras e mais uns dois ou três investidores, hoje temos muito mais, são centenas de empreendedores, nacionais e internacionais por viabilizar o acesso do capital privado ao setor elétrico.

Agência CanalEnergiaOs leilões começaram com o novo marco regulatório. Qual o maior legado que os certames trouxeram ao Brasil?

Maurício Tolmasquim: Outro elemento essencial foram os leilões. Antes as distribuidoras poderiam contratar energia gerada dentro do próprio grupo, sem competição. Poderiam contratar energia de térmicas mais caras mesmo com uma outra usina cuja energia era mais barata. Os leilões trouxeram transparência onde as distribuidoras só podem contratar por meio de leilões públicos, não podem escolher de quem contratar. Esses leilões são mecanismos de contratação mais transparente e de contratação eficiente.

Além disso, o planejamento é outra questão importante e que foi retomada com a lei. Esse planejamento é importante para o setor privado para ter visão de estratégia de médio e de longo prazo sobre a expansão e assim organizar a estratégia de investimento. Para a indústria de equipamentos e seu parque de produção para atender a demanda e para o governo saber o nível de segurança.

Agência CanalEnergia: Estamos em um momento onde a segurança é questionada por conta da crise que vivemos. Esses questionamentos podem ser atribuídos ao modelo?

Maurício Tolmasquim: O novo modelo traz equilibrio estrutural entre oferta e demanda para atender de forma eficiente demanda. Agora é claro que a expansão é feita conforme critérios que pressupõe parâmetros de hidrologia. Não é previsto atender a demanda para qualquer nível de hidrologia. Há o risco oficial que é de 5%. Nesse sentido nós temos um equilíbrio e para isso um excedente de mais de 6 mil MW médios. É claro que no momento conjuntural de hidrologia muito ruim. Do ponto de vista estrutural não tenho dúvida de que há equilíbrio. O conjuntural que traz o problema de hoje. Estamos com a pior situação dos 80 anos em termos de hidrologia. De janeiro e fevereiro tivemos o pior nível de chuvas nas regiões Sudeste e Nordeste. O conjunto dessas duas situações, ao mesmo tempo é uma situação inédita. Apesar disso estamos com o sistema funcionando e consideramos que há probabilidade de passar por esse ano sem maiores problemas. Se tivéssemos a hidrologia de 2001 estaríamos tranquilos nesse momento da vida, mas agora o momento é extremo.

Agência CanalEnergiaO problema não é falta de investimentos para aumentar a capacidade de atender a demanda imediata?

Maurício Tolmasquim: A gente tem que pegar a situação antes de 2001. Entre 1996 e 2000, o consumo cresceu 26,5% e a capacidade instalada 24,6%. Ou seja, o crescimento da capacidade instalada ficou 7% inferior ao crescimento do consumo. Agora, se pegarmos de 2001 a 2013, o consumo cresceu 50,8% e a capacidade instalada saltou 72,4%. Ou seja, a capacidade teve um crescimento 43% maior que o crescimento do consumo e isso é devido ao modelo que estimulou os investimentos. Se pegarmos os leilões que ocorreram no período 2005 a 2013, foram 27 leilões. Nesses foram contratados 67.378 MW de capacidade nova. Foram 731 usinas contratadas. Esse é a melhor carta de referência do modelo do setor porque os números falam por si só. Foi contratado o equivalente à metade de toda a capacidade instalada no Brasil em apenas oito anos. E isso, sem contar os investimentos que foram feitos para o mercado livre.

Além disso, houve a diversificação da matriz energética que antes era predominantemente hidrelétrica. Hoje temos mais térmicas e contratamos novas fontes em quantidades expressivas. Estamos passando por um cenário extremo.

Agência CanalEnergia: Muitos agentes criticam a concentração da contratação de energia porque houve foco extremo na modicidade tarifária...

Maurício Tolmasquim: Essa é uma coisa natural. Cada setor acha que suas fontes podem ter mais. Se somar o pleito de todas as associações dá quatro ou cinco vezes a capacidade de contratação por ano. Isso é normal, é um processo que tem que haver um certo equilibrio. As hidrelétricas serão em termos absolutos a maior fonte de geração por potencial alto e de baixo custo. Mas em termos relativos deverá perder mais participação na matriz elétrica. A eólica é a fonte que tem se tornado competitiva com número grande de projetos e que tende a crescer. A biomassa tem atraso, mas diria que depende da expansão do etanol. Um usina greenfield, por exemplo, vende excedente para o setor elétrico e é competitiva, o problema está nas usinas que precisam de retrofit. As que puderam já fizeram e as que não fizeram é porque deveriam trocar todo o equipamento da usina o que levaria a um custo muito alto. Mas acho que é uma fonte fundamental porque a safra de maio a novembro é importante para complementar a hidroeletricidade.

Agência CanalEnergia: A condição de mercado de cada fonte levou a essa condição?

Maurício Tolmasquim: Vou te dar alguns dados para exemplificar: nos últimos anos foram contratadas 42% de hidráulica, 17% de eólica, teve 8% de térmicas a gás natural, já o bagaço de cana ficou com 7%. Além disso, tivemos outras fontes como carvão, e isso tudo porque houve a diversificação. Agora, não pode ser somente o preço? Concordo, tanto que no último A-5 separamos o produto térmico que era R$ 144 por MWh e a eólica a R$ 122 por MWh. Mostramos que estamos dispostos a pagar mais caro para ter a térmica para a segurança. Não foi suficiente o valor, e podemos aumentar um pouco mais, mas tem limites e temos instrumentos para orientar a matriz. Não é somente o preço que é importante, mas precisamos também de fontes que possuam características diversas para complementar o ciclo. Agora, no final todo mundo vai achar que sua fonte poderia ser a mais contratada. Nossa missão é equilibrar a diversificação e o custo dessa diversificação.

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O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, aponta que o principal legado do novo marco do setor elétrico, que completou 10 anos na semana passada, é a atração de investimentos em energia no país. Ele, que esteve intimamente ligado à definição do atual modelo do setor, aponta que fatores como a garantia de receita de longo prazo, financiamentos do BNDES e redução de riscos levaram o Brasil ao atual nível de estrutura no setor elétrico.

Ele considera o atual momento como extremo em decorrência da conjugação de fatores climáticos adversos. O modelo, com seus leilões e diversificação das fontes, trouxe a possibilidade de o Brasil conseguir passar pela pressão sobre os reservatórios de UHEs. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida à Agência CanalEnergia:

Agência CanalEnergia: Como avalia o desenvolvimento novo marco regulatório do setor elétrico nesses 10 anos?

Maurício Tolmasquim: Acho que o principal mérito do marco regulatório foi trazer o aumento da segurança no setor. O país voltou a atrair capital privado para o investimento, além de trazer os investimentos da Eletrobras novamente. O modelo atraiu esse capital, justamente por reduzir os riscos dos investidores. Anterior à lei, havia um ambiente em que o investidor deveria construir e comercializar a energia. Isso trazia um problema em caso de crise econômica ou redução da demanda que poderia fazer com que esse investidor micasse com o projeto. E uma das grandes conquistas foi o contrato de longo prazo que dá garantia de receita. E com esse contrato de longo prazo, o empreendedor consegue financiamento junto ao BNDES. Ele só aporta garantias corporativas apenas durante a construção, ou seja, depois disso usa o seu PPA como garantia e isso permite investir em um maior número de projetos.

Outra questão importante é que para reduzir risco foi colocada a exigência de licença prévia para geração. No caos da UHEs, o empreendedor participava do leilão, arrematava a concessão e depois, por não ter tido a licença ambiental prévia não conseguia construir. A licença prévia é aquela que indica que o projeto tem viabilidade ambiental. O que acontecia, a área ambiental - e com razão - dizia que o projeto tinha sido licitado e contratado, mas ninguém havia dito que o projeto tinha viabilidade. Agora não, o empreendedor tem o atestado de viabilidade do projeto. Lógico que tem outros fatores que podem impedir ou atrasar a construção de uma obra, mas a ambiental, que é a principal, já foi dada e isso reduz o risco.

Agência CanalEnergia: Qual foi a consequência desse ambiente de negócios proporcionado pela 10.848/2004?

Maurício Tolmasquim: Houve a democratização do número de investidores. Com a questão do contrato de longo prazo e financiamento com menos capital próprio, já que a maior parte do valor do empreendimento é financiado. Isso aumentou a quantidade de empresas que passaram a investir. Antes tínhamos a Eletrobras e mais uns dois ou três investidores, hoje temos muito mais, são centenas de empreendedores, nacionais e internacionais por viabilizar o acesso do capital privado ao setor elétrico.

Agência CanalEnergiaOs leilões começaram com o novo marco regulatório. Qual o maior legado que os certames trouxeram ao Brasil?

Maurício Tolmasquim: Outro elemento essencial foram os leilões. Antes as distribuidoras poderiam contratar energia gerada dentro do próprio grupo, sem competição. Poderiam contratar energia de térmicas mais caras mesmo com uma outra usina cuja energia era mais barata. Os leilões trouxeram transparência onde as distribuidoras só podem contratar por meio de leilões públicos, não podem escolher de quem contratar. Esses leilões são mecanismos de contratação mais transparente e de contratação eficiente.

Além disso, o planejamento é outra questão importante e que foi retomada com a lei. Esse planejamento é importante para o setor privado para ter visão de estratégia de médio e de longo prazo sobre a expansão e assim organizar a estratégia de investimento. Para a indústria de equipamentos e seu parque de produção para atender a demanda e para o governo saber o nível de segurança.

Agência CanalEnergia: Estamos em um momento onde a segurança é questionada por conta da crise que vivemos. Esses questionamentos podem ser atribuídos ao modelo?

Maurício Tolmasquim: O novo modelo traz equilibrio estrutural entre oferta e demanda para atender de forma eficiente demanda. Agora é claro que a expansão é feita conforme critérios que pressupõe parâmetros de hidrologia. Não é previsto atender a demanda para qualquer nível de hidrologia. Há o risco oficial que é de 5%. Nesse sentido nós temos um equilíbrio e para isso um excedente de mais de 6 mil MW médios. É claro que no momento conjuntural de hidrologia muito ruim. Do ponto de vista estrutural não tenho dúvida de que há equilíbrio. O conjuntural que traz o problema de hoje. Estamos com a pior situação dos 80 anos em termos de hidrologia. De janeiro e fevereiro tivemos o pior nível de chuvas nas regiões Sudeste e Nordeste. O conjunto dessas duas situações, ao mesmo tempo é uma situação inédita. Apesar disso estamos com o sistema funcionando e consideramos que há probabilidade de passar por esse ano sem maiores problemas. Se tivéssemos a hidrologia de 2001 estaríamos tranquilos nesse momento da vida, mas agora o momento é extremo.

Agência CanalEnergiaO problema não é falta de investimentos para aumentar a capacidade de atender a demanda imediata?

Maurício Tolmasquim: A gente tem que pegar a situação antes de 2001. Entre 1996 e 2000, o consumo cresceu 26,5% e a capacidade instalada 24,6%. Ou seja, o crescimento da capacidade instalada ficou 7% inferior ao crescimento do consumo. Agora, se pegarmos de 2001 a 2013, o consumo cresceu 50,8% e a capacidade instalada saltou 72,4%. Ou seja, a capacidade teve um crescimento 43% maior que o crescimento do consumo e isso é devido ao modelo que estimulou os investimentos. Se pegarmos os leilões que ocorreram no período 2005 a 2013, foram 27 leilões. Nesses foram contratados 67.378 MW de capacidade nova. Foram 731 usinas contratadas. Esse é a melhor carta de referência do modelo do setor porque os números falam por si só. Foi contratado o equivalente à metade de toda a capacidade instalada no Brasil em apenas oito anos. E isso, sem contar os investimentos que foram feitos para o mercado livre.

Além disso, houve a diversificação da matriz energética que antes era predominantemente hidrelétrica. Hoje temos mais térmicas e contratamos novas fontes em quantidades expressivas. Estamos passando por um cenário extremo.

Agência CanalEnergia: Muitos agentes criticam a concentração da contratação de energia porque houve foco extremo na modicidade tarifária...

Maurício Tolmasquim: Essa é uma coisa natural. Cada setor acha que suas fontes podem ter mais. Se somar o pleito de todas as associações dá quatro ou cinco vezes a capacidade de contratação por ano. Isso é normal, é um processo que tem que haver um certo equilibrio. As hidrelétricas serão em termos absolutos a maior fonte de geração por potencial alto e de baixo custo. Mas em termos relativos deverá perder mais participação na matriz elétrica. A eólica é a fonte que tem se tornado competitiva com número grande de projetos e que tende a crescer. A biomassa tem atraso, mas diria que depende da expansão do etanol. Um usina greenfield, por exemplo, vende excedente para o setor elétrico e é competitiva, o problema está nas usinas que precisam de retrofit. As que puderam já fizeram e as que não fizeram é porque deveriam trocar todo o equipamento da usina o que levaria a um custo muito alto. Mas acho que é uma fonte fundamental porque a safra de maio a novembro é importante para complementar a hidroeletricidade.

Agência CanalEnergia: A condição de mercado de cada fonte levou a essa condição?

Maurício Tolmasquim: Vou te dar alguns dados para exemplificar: nos últimos anos foram contratadas 42% de hidráulica, 17% de eólica, teve 8% de térmicas a gás natural, já o bagaço de cana ficou com 7%. Além disso, tivemos outras fontes como carvão, e isso tudo porque houve a diversificação. Agora, não pode ser somente o preço? Concordo, tanto que no último A-5 separamos o produto térmico que era R$ 144 por MWh e a eólica a R$ 122 por MWh. Mostramos que estamos dispostos a pagar mais caro para ter a térmica para a segurança. Não foi suficiente o valor, e podemos aumentar um pouco mais, mas tem limites e temos instrumentos para orientar a matriz. Não é somente o preço que é importante, mas precisamos também de fontes que possuam características diversas para complementar o ciclo. Agora, no final todo mundo vai achar que sua fonte poderia ser a mais contratada. Nossa missão é equilibrar a diversificação e o custo dessa diversificação.

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Mauricio Tolmasquim, da EPE: Marco regulatório fortaleceu setor para momento atual

18/03/2014

Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, aponta que o principal legado do novo marco do setor elétrico, que completou 10 anos na semana passada, é a atração de investimentos em energia no país. Ele, que esteve intimamente ligado à definição do atual modelo do setor, aponta que fatores como a garantia de receita de longo prazo, financiamentos do BNDES e redução de riscos levaram o Brasil ao atual nível de estrutura no setor elétrico.

Ele considera o atual momento como extremo em decorrência da conjugação de fatores climáticos adversos. O modelo, com seus leilões e diversificação das fontes, trouxe a possibilidade de o Brasil conseguir passar pela pressão sobre os reservatórios de UHEs. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida à Agência CanalEnergia:

Agência CanalEnergia: Como avalia o desenvolvimento novo marco regulatório do setor elétrico nesses 10 anos?

Maurício Tolmasquim: Acho que o principal mérito do marco regulatório foi trazer o aumento da segurança no setor. O país voltou a atrair capital privado para o investimento, além de trazer os investimentos da Eletrobras novamente. O modelo atraiu esse capital, justamente por reduzir os riscos dos investidores. Anterior à lei, havia um ambiente em que o investidor deveria construir e comercializar a energia. Isso trazia um problema em caso de crise econômica ou redução da demanda que poderia fazer com que esse investidor micasse com o projeto. E uma das grandes conquistas foi o contrato de longo prazo que dá garantia de receita. E com esse contrato de longo prazo, o empreendedor consegue financiamento junto ao BNDES. Ele só aporta garantias corporativas apenas durante a construção, ou seja, depois disso usa o seu PPA como garantia e isso permite investir em um maior número de projetos.

Outra questão importante é que para reduzir risco foi colocada a exigência de licença prévia para geração. No caos da UHEs, o empreendedor participava do leilão, arrematava a concessão e depois, por não ter tido a licença ambiental prévia não conseguia construir. A licença prévia é aquela que indica que o projeto tem viabilidade ambiental. O que acontecia, a área ambiental - e com razão - dizia que o projeto tinha sido licitado e contratado, mas ninguém havia dito que o projeto tinha viabilidade. Agora não, o empreendedor tem o atestado de viabilidade do projeto. Lógico que tem outros fatores que podem impedir ou atrasar a construção de uma obra, mas a ambiental, que é a principal, já foi dada e isso reduz o risco.

Agência CanalEnergia: Qual foi a consequência desse ambiente de negócios proporcionado pela 10.848/2004?

Maurício Tolmasquim: Houve a democratização do número de investidores. Com a questão do contrato de longo prazo e financiamento com menos capital próprio, já que a maior parte do valor do empreendimento é financiado. Isso aumentou a quantidade de empresas que passaram a investir. Antes tínhamos a Eletrobras e mais uns dois ou três investidores, hoje temos muito mais, são centenas de empreendedores, nacionais e internacionais por viabilizar o acesso do capital privado ao setor elétrico.

Agência CanalEnergiaOs leilões começaram com o novo marco regulatório. Qual o maior legado que os certames trouxeram ao Brasil?

Maurício Tolmasquim: Outro elemento essencial foram os leilões. Antes as distribuidoras poderiam contratar energia gerada dentro do próprio grupo, sem competição. Poderiam contratar energia de térmicas mais caras mesmo com uma outra usina cuja energia era mais barata. Os leilões trouxeram transparência onde as distribuidoras só podem contratar por meio de leilões públicos, não podem escolher de quem contratar. Esses leilões são mecanismos de contratação mais transparente e de contratação eficiente.

Além disso, o planejamento é outra questão importante e que foi retomada com a lei. Esse planejamento é importante para o setor privado para ter visão de estratégia de médio e de longo prazo sobre a expansão e assim organizar a estratégia de investimento. Para a indústria de equipamentos e seu parque de produção para atender a demanda e para o governo saber o nível de segurança.

Agência CanalEnergia: Estamos em um momento onde a segurança é questionada por conta da crise que vivemos. Esses questionamentos podem ser atribuídos ao modelo?

Maurício Tolmasquim: O novo modelo traz equilibrio estrutural entre oferta e demanda para atender de forma eficiente demanda. Agora é claro que a expansão é feita conforme critérios que pressupõe parâmetros de hidrologia. Não é previsto atender a demanda para qualquer nível de hidrologia. Há o risco oficial que é de 5%. Nesse sentido nós temos um equilíbrio e para isso um excedente de mais de 6 mil MW médios. É claro que no momento conjuntural de hidrologia muito ruim. Do ponto de vista estrutural não tenho dúvida de que há equilíbrio. O conjuntural que traz o problema de hoje. Estamos com a pior situação dos 80 anos em termos de hidrologia. De janeiro e fevereiro tivemos o pior nível de chuvas nas regiões Sudeste e Nordeste. O conjunto dessas duas situações, ao mesmo tempo é uma situação inédita. Apesar disso estamos com o sistema funcionando e consideramos que há probabilidade de passar por esse ano sem maiores problemas. Se tivéssemos a hidrologia de 2001 estaríamos tranquilos nesse momento da vida, mas agora o momento é extremo.

Agência CanalEnergiaO problema não é falta de investimentos para aumentar a capacidade de atender a demanda imediata?

Maurício Tolmasquim: A gente tem que pegar a situação antes de 2001. Entre 1996 e 2000, o consumo cresceu 26,5% e a capacidade instalada 24,6%. Ou seja, o crescimento da capacidade instalada ficou 7% inferior ao crescimento do consumo. Agora, se pegarmos de 2001 a 2013, o consumo cresceu 50,8% e a capacidade instalada saltou 72,4%. Ou seja, a capacidade teve um crescimento 43% maior que o crescimento do consumo e isso é devido ao modelo que estimulou os investimentos. Se pegarmos os leilões que ocorreram no período 2005 a 2013, foram 27 leilões. Nesses foram contratados 67.378 MW de capacidade nova. Foram 731 usinas contratadas. Esse é a melhor carta de referência do modelo do setor porque os números falam por si só. Foi contratado o equivalente à metade de toda a capacidade instalada no Brasil em apenas oito anos. E isso, sem contar os investimentos que foram feitos para o mercado livre.

Além disso, houve a diversificação da matriz energética que antes era predominantemente hidrelétrica. Hoje temos mais térmicas e contratamos novas fontes em quantidades expressivas. Estamos passando por um cenário extremo.

Agência CanalEnergia: Muitos agentes criticam a concentração da contratação de energia porque houve foco extremo na modicidade tarifária...

Maurício Tolmasquim: Essa é uma coisa natural. Cada setor acha que suas fontes podem ter mais. Se somar o pleito de todas as associações dá quatro ou cinco vezes a capacidade de contratação por ano. Isso é normal, é um processo que tem que haver um certo equilibrio. As hidrelétricas serão em termos absolutos a maior fonte de geração por potencial alto e de baixo custo. Mas em termos relativos deverá perder mais participação na matriz elétrica. A eólica é a fonte que tem se tornado competitiva com número grande de projetos e que tende a crescer. A biomassa tem atraso, mas diria que depende da expansão do etanol. Um usina greenfield, por exemplo, vende excedente para o setor elétrico e é competitiva, o problema está nas usinas que precisam de retrofit. As que puderam já fizeram e as que não fizeram é porque deveriam trocar todo o equipamento da usina o que levaria a um custo muito alto. Mas acho que é uma fonte fundamental porque a safra de maio a novembro é importante para complementar a hidroeletricidade.

Agência CanalEnergia: A condição de mercado de cada fonte levou a essa condição?

Maurício Tolmasquim: Vou te dar alguns dados para exemplificar: nos últimos anos foram contratadas 42% de hidráulica, 17% de eólica, teve 8% de térmicas a gás natural, já o bagaço de cana ficou com 7%. Além disso, tivemos outras fontes como carvão, e isso tudo porque houve a diversificação. Agora, não pode ser somente o preço? Concordo, tanto que no último A-5 separamos o produto térmico que era R$ 144 por MWh e a eólica a R$ 122 por MWh. Mostramos que estamos dispostos a pagar mais caro para ter a térmica para a segurança. Não foi suficiente o valor, e podemos aumentar um pouco mais, mas tem limites e temos instrumentos para orientar a matriz. Não é somente o preço que é importante, mas precisamos também de fontes que possuam características diversas para complementar o ciclo. Agora, no final todo mundo vai achar que sua fonte poderia ser a mais contratada. Nossa missão é equilibrar a diversificação e o custo dessa diversificação.

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