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Ainda estamos longe de tornar o mineral uma alternativa de energia mais barata e sustentável. Faltam políticas públicas para incentivar o uso do recurso.
Especialistas em energia costumam dizer que o Rio Grande do Sul tem seu próprio pré-sal. Sob o solo do Estado, em uma área que se alastra do Litoral Norte, passa pela Região Central e chega ao Sul, repousam 28 toneladas de carvão mineral — 89% das reservas do país. Se queimado em termelétricas, esse carvão seria capaz de gerar três vezes mais energia elétrica do que todo o óleo da costa.

Essa riqueza, entretanto, talvez não alimente fornalhas tão cedo. Três projetos de termelétricas a carvão no Rio Grande do Sul, que já haviam declinado de leilão de energia promovido pelo governo federal em agosto por considerar baixo o valor oferecido, dificilmente apresentarão proposta na próxima disputa, em 13 de dezembro. O preço-teto do megawatt-hora (MWh) mudou pouco: de R$ 140 para R$ 144.

— Estamos fora. As empresas haviam apresentado a tabela de custos e a necessidade de um preço entre R$ 170 e R$ 180 por MWh. O governo parece que faz de conta que não entende — diz Fernando Luiz Zancan, presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM).

Conforme Zancan, o valor pedido é equivalente ao que é pago na China, um dos maiores produtores de energia do carvão. Em países como Alemanha e Estados Unidos, projetos experimentais que usam tecnologia para reduzir as emissões chegam a custar o equivalente a R$ 350 ou R$ 400 o MWh, valor subsidiado pelos governos.

Alguns experimentos indicam que a energia do carvão não precisa ser tão cara. Um projeto da Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado (Cientec) em São Jerônimo conseguiu criar uma pequena termelétrica onde o preço de venda do MWh ficou em R$ 156. Ao incluir cascas de arroz na queima do carvão, os técnicos aproveitaram o calor das caldeiras para gerar ainda mais energia, diluindo o custo. O valor poderia ser menor em grande escala, conforme Luiz Antonio Antoniazzi, presidente do Cientec.

— O governo não sabe se as empresas estão pressionando por necessidade ou pelo lucro. Então dificilmente compraria briga com ambientalistas — explica Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético do Instituto de Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ainda que o preço seja alvo de debate, é consenso que os custos de se extrair energia do carvão são superiores ao das matrizes renováveis mais comuns no Brasil — o preço pago às hidrelétricas costuma variar de R$ 100 a R$ 139 por MWh, por exemplo. A matriz exige elevados gastos com manutenção de maquinário, tecnologias avançadas de redução de poluentes e investimentos em mineração e transporte. Para tornar o carvão mais competitivo, portanto, é primordial que se invista em ganho de eficiência.

— O Brasil não viveu "a onda do carvão", não criou ambiente para todos trabalharem formas de baratear o custo — explica Mikio Kawai Junior, especialista em energia do Grupo Safira.

Projetos avançam em cuidado ambiental, mas sem tecnologia de ponta

Nos últimos anos, multiplicaram-se dentro e fora do país técnicas para reduzir a emissão de poluentes e substâncias tóxicas gerados na queima do carvão. Com a desativação de usinas nucleares na Alemanha e a necessidade de ampliar a geração de energia na China, o carvão ganhou relevância mundial e foi acompanhado por pesquisas em universidades e nas termelétricas, em busca de reduzir o impacto ambiental.

Pouco deste avanço, no entanto, é visto nas grandes termelétricas brasileiras: como o país passou cinco anos sem incluir carvão na disputa, as usinas em operação têm técnicas menos modernas. Tecnologias de gaseificação ou injeção de CO2 no solo, que reduzem o impacto ambiental, estão longe das usinas que operam no Brasil.

— Quando projetamos a terceira fase de Candiota, em 2005, incluímos uma tecnologia capaz de eliminar 85% do enxofre, a mais avançada na época. Hoje, há técnicas a um custo relativamente baixo que eliminam 99% do enxofre — explica Hermes Ceratti Marques, coordenador da unidade.

As termelétricas mais avançadas do mundo têm capacidade de queimar carvão com uma eficiência e teor de limpeza até 40% superior ao das brasileiras, explica Elyas Ferreira de Medeiros, consultor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). E nem os projetos homologados para concorrer ao leilão de 13 de dezembro devem apresentar tecnologia de ponta, ainda que devam prever avanço tecnológico em relação às usinas em operação — ZH solicitou informações dos projetos que concorrerão no Rio Grande do Sul mas não foi atendida. Conforme especialistas, a escassez de pesquisa no Brasil nos últimos anos e os altos custos envolvidos no desenvolvimento de tecnologias limpas afastaram os empreendedores brasileiros do que há de mais moderno no setor.

— O setor termelétrico precisa de muito investimento em tecnologia para se tornar eficiente, e não vejo isso ocorrer no Brasil. Seria importante que o governo apoiasse investimentos em pesquisa com linhas de financiamento e isenções fiscais — afirma Medeiros.

Zero Hora - 16/11/2013

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Ainda estamos longe de tornar o mineral uma alternativa de energia mais barata e sustentável. Faltam políticas públicas para incentivar o uso do recurso.
Especialistas em energia costumam dizer que o Rio Grande do Sul tem seu próprio pré-sal. Sob o solo do Estado, em uma área que se alastra do Litoral Norte, passa pela Região Central e chega ao Sul, repousam 28 toneladas de carvão mineral — 89% das reservas do país. Se queimado em termelétricas, esse carvão seria capaz de gerar três vezes mais energia elétrica do que todo o óleo da costa.

Essa riqueza, entretanto, talvez não alimente fornalhas tão cedo. Três projetos de termelétricas a carvão no Rio Grande do Sul, que já haviam declinado de leilão de energia promovido pelo governo federal em agosto por considerar baixo o valor oferecido, dificilmente apresentarão proposta na próxima disputa, em 13 de dezembro. O preço-teto do megawatt-hora (MWh) mudou pouco: de R$ 140 para R$ 144.

— Estamos fora. As empresas haviam apresentado a tabela de custos e a necessidade de um preço entre R$ 170 e R$ 180 por MWh. O governo parece que faz de conta que não entende — diz Fernando Luiz Zancan, presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM).

Conforme Zancan, o valor pedido é equivalente ao que é pago na China, um dos maiores produtores de energia do carvão. Em países como Alemanha e Estados Unidos, projetos experimentais que usam tecnologia para reduzir as emissões chegam a custar o equivalente a R$ 350 ou R$ 400 o MWh, valor subsidiado pelos governos.

Alguns experimentos indicam que a energia do carvão não precisa ser tão cara. Um projeto da Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado (Cientec) em São Jerônimo conseguiu criar uma pequena termelétrica onde o preço de venda do MWh ficou em R$ 156. Ao incluir cascas de arroz na queima do carvão, os técnicos aproveitaram o calor das caldeiras para gerar ainda mais energia, diluindo o custo. O valor poderia ser menor em grande escala, conforme Luiz Antonio Antoniazzi, presidente do Cientec.

— O governo não sabe se as empresas estão pressionando por necessidade ou pelo lucro. Então dificilmente compraria briga com ambientalistas — explica Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético do Instituto de Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ainda que o preço seja alvo de debate, é consenso que os custos de se extrair energia do carvão são superiores ao das matrizes renováveis mais comuns no Brasil — o preço pago às hidrelétricas costuma variar de R$ 100 a R$ 139 por MWh, por exemplo. A matriz exige elevados gastos com manutenção de maquinário, tecnologias avançadas de redução de poluentes e investimentos em mineração e transporte. Para tornar o carvão mais competitivo, portanto, é primordial que se invista em ganho de eficiência.

— O Brasil não viveu "a onda do carvão", não criou ambiente para todos trabalharem formas de baratear o custo — explica Mikio Kawai Junior, especialista em energia do Grupo Safira.

Projetos avançam em cuidado ambiental, mas sem tecnologia de ponta

Nos últimos anos, multiplicaram-se dentro e fora do país técnicas para reduzir a emissão de poluentes e substâncias tóxicas gerados na queima do carvão. Com a desativação de usinas nucleares na Alemanha e a necessidade de ampliar a geração de energia na China, o carvão ganhou relevância mundial e foi acompanhado por pesquisas em universidades e nas termelétricas, em busca de reduzir o impacto ambiental.

Pouco deste avanço, no entanto, é visto nas grandes termelétricas brasileiras: como o país passou cinco anos sem incluir carvão na disputa, as usinas em operação têm técnicas menos modernas. Tecnologias de gaseificação ou injeção de CO2 no solo, que reduzem o impacto ambiental, estão longe das usinas que operam no Brasil.

— Quando projetamos a terceira fase de Candiota, em 2005, incluímos uma tecnologia capaz de eliminar 85% do enxofre, a mais avançada na época. Hoje, há técnicas a um custo relativamente baixo que eliminam 99% do enxofre — explica Hermes Ceratti Marques, coordenador da unidade.

As termelétricas mais avançadas do mundo têm capacidade de queimar carvão com uma eficiência e teor de limpeza até 40% superior ao das brasileiras, explica Elyas Ferreira de Medeiros, consultor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). E nem os projetos homologados para concorrer ao leilão de 13 de dezembro devem apresentar tecnologia de ponta, ainda que devam prever avanço tecnológico em relação às usinas em operação — ZH solicitou informações dos projetos que concorrerão no Rio Grande do Sul mas não foi atendida. Conforme especialistas, a escassez de pesquisa no Brasil nos últimos anos e os altos custos envolvidos no desenvolvimento de tecnologias limpas afastaram os empreendedores brasileiros do que há de mais moderno no setor.

— O setor termelétrico precisa de muito investimento em tecnologia para se tornar eficiente, e não vejo isso ocorrer no Brasil. Seria importante que o governo apoiasse investimentos em pesquisa com linhas de financiamento e isenções fiscais — afirma Medeiros.

Zero Hora - 16/11/2013

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Preço no leilão joga água fria na exploração do pré-sal gaúcho

16/11/2013

Erik Farina

Ainda estamos longe de tornar o mineral uma alternativa de energia mais barata e sustentável. Faltam políticas públicas para incentivar o uso do recurso.
Especialistas em energia costumam dizer que o Rio Grande do Sul tem seu próprio pré-sal. Sob o solo do Estado, em uma área que se alastra do Litoral Norte, passa pela Região Central e chega ao Sul, repousam 28 toneladas de carvão mineral — 89% das reservas do país. Se queimado em termelétricas, esse carvão seria capaz de gerar três vezes mais energia elétrica do que todo o óleo da costa.

Essa riqueza, entretanto, talvez não alimente fornalhas tão cedo. Três projetos de termelétricas a carvão no Rio Grande do Sul, que já haviam declinado de leilão de energia promovido pelo governo federal em agosto por considerar baixo o valor oferecido, dificilmente apresentarão proposta na próxima disputa, em 13 de dezembro. O preço-teto do megawatt-hora (MWh) mudou pouco: de R$ 140 para R$ 144.

— Estamos fora. As empresas haviam apresentado a tabela de custos e a necessidade de um preço entre R$ 170 e R$ 180 por MWh. O governo parece que faz de conta que não entende — diz Fernando Luiz Zancan, presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM).

Conforme Zancan, o valor pedido é equivalente ao que é pago na China, um dos maiores produtores de energia do carvão. Em países como Alemanha e Estados Unidos, projetos experimentais que usam tecnologia para reduzir as emissões chegam a custar o equivalente a R$ 350 ou R$ 400 o MWh, valor subsidiado pelos governos.

Alguns experimentos indicam que a energia do carvão não precisa ser tão cara. Um projeto da Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado (Cientec) em São Jerônimo conseguiu criar uma pequena termelétrica onde o preço de venda do MWh ficou em R$ 156. Ao incluir cascas de arroz na queima do carvão, os técnicos aproveitaram o calor das caldeiras para gerar ainda mais energia, diluindo o custo. O valor poderia ser menor em grande escala, conforme Luiz Antonio Antoniazzi, presidente do Cientec.

— O governo não sabe se as empresas estão pressionando por necessidade ou pelo lucro. Então dificilmente compraria briga com ambientalistas — explica Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético do Instituto de Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ainda que o preço seja alvo de debate, é consenso que os custos de se extrair energia do carvão são superiores ao das matrizes renováveis mais comuns no Brasil — o preço pago às hidrelétricas costuma variar de R$ 100 a R$ 139 por MWh, por exemplo. A matriz exige elevados gastos com manutenção de maquinário, tecnologias avançadas de redução de poluentes e investimentos em mineração e transporte. Para tornar o carvão mais competitivo, portanto, é primordial que se invista em ganho de eficiência.

— O Brasil não viveu "a onda do carvão", não criou ambiente para todos trabalharem formas de baratear o custo — explica Mikio Kawai Junior, especialista em energia do Grupo Safira.

Projetos avançam em cuidado ambiental, mas sem tecnologia de ponta

Nos últimos anos, multiplicaram-se dentro e fora do país técnicas para reduzir a emissão de poluentes e substâncias tóxicas gerados na queima do carvão. Com a desativação de usinas nucleares na Alemanha e a necessidade de ampliar a geração de energia na China, o carvão ganhou relevância mundial e foi acompanhado por pesquisas em universidades e nas termelétricas, em busca de reduzir o impacto ambiental.

Pouco deste avanço, no entanto, é visto nas grandes termelétricas brasileiras: como o país passou cinco anos sem incluir carvão na disputa, as usinas em operação têm técnicas menos modernas. Tecnologias de gaseificação ou injeção de CO2 no solo, que reduzem o impacto ambiental, estão longe das usinas que operam no Brasil.

— Quando projetamos a terceira fase de Candiota, em 2005, incluímos uma tecnologia capaz de eliminar 85% do enxofre, a mais avançada na época. Hoje, há técnicas a um custo relativamente baixo que eliminam 99% do enxofre — explica Hermes Ceratti Marques, coordenador da unidade.

As termelétricas mais avançadas do mundo têm capacidade de queimar carvão com uma eficiência e teor de limpeza até 40% superior ao das brasileiras, explica Elyas Ferreira de Medeiros, consultor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). E nem os projetos homologados para concorrer ao leilão de 13 de dezembro devem apresentar tecnologia de ponta, ainda que devam prever avanço tecnológico em relação às usinas em operação — ZH solicitou informações dos projetos que concorrerão no Rio Grande do Sul mas não foi atendida. Conforme especialistas, a escassez de pesquisa no Brasil nos últimos anos e os altos custos envolvidos no desenvolvimento de tecnologias limpas afastaram os empreendedores brasileiros do que há de mais moderno no setor.

— O setor termelétrico precisa de muito investimento em tecnologia para se tornar eficiente, e não vejo isso ocorrer no Brasil. Seria importante que o governo apoiasse investimentos em pesquisa com linhas de financiamento e isenções fiscais — afirma Medeiros.

Zero Hora - 16/11/2013

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