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    [resumo] => Agora que o governo lança um edital que contempla o carvão como fonte de energia para o próximo leilão A-5, tem circulado na mídia nacional expressões do gênero: “paradoxo ambiental”; “energia suja”; “erro estratégico” em voltar com a “energia do passado”. E afirmações do tipo: “bancos de fomento estão restringindo o uso do carvão mineral como fonte energética”.
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No mundo da energia elétrica, item vital para o desenvolvimento dos povos, existe uma correlação entre o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH – e o aumento de consumo per capita de eletricidade.

Deveremos usar toda a nossa criatividade, tecnologia e expertise, visando definir uma matriz de energia que contemple menor custo, menor impacto ambiental, segurança de suprimento, segurança da população e maior impacto econômico, visando à redução da miséria e pobreza.

Cabe salientar que esses itens foram definidos como importantes para a sustentabilidade do planeta durante a Rio+20. Em seu recente relatório “Redrawing the Energy Climate Map” a Agência Internacional de Energia define os quatro critérios, até 2020, para manter a sustentabilidade:

a.         reduzir as emissões em curto prazo;

b.         não danificar o crescimento econômico dos países;

c.          confiar nas tecnologias conhecidas e em políticas públicas reconhecidas;

d.         propiciar benefício para a economia dos países além da mitigação das mudanças climáticas.

Analisando esses critérios vemos, por exemplo, que a China está alinhada com eles, pois em 20 anos retirou 600 milhões de pessoas da miséria, estabeleceu um programa de eficiência energética e de 2003 até 2012 reduziu de 890 gCO2/Kwh para 740 gCO2/kwh e, com investimento em tecnologias limpas, irá reduzir ainda mais as emissões de CO2.

Ao mesmo tempo ampliou sua geração de energia a carvão de 550 GW em 2007 para 700 GW até 2012 e, no ritmo previsto por consultorias internacionais, poderá alcançar a 1.376 GW, em 2030, gerando no total cerca de 14 mil TWh ainda com um crescimento do PIB de 6 % a.a.

A Índia, por sua vez, com um consumo per capita em 2010 de 644 Kwh/ano deverá incluir, até 2030, cerca de 215 GW em térmicas a carvão mineral.

Tanto China e Índia, devido as suas necessidades de energia, e suas grandes populações, não são parâmetros para qualquer comparação, visto que usarão todas as suas fontes domesticas e externas.

A China, por exemplo, já investe em renováveis mais que qualquer pais do mundo sendo a maior importadora de carvão, podendo alcançar 1 bilhão de toneladas em 2030.

Será a maior importadora de petróleo e gás e, com isso, mudará a geopolítica da energia no mundo.

Os Estados Unidos, com uma redução de 570 g CO2/kwh em 2003 para 470 gCO2/kwh em 2012, alcançam níveis de emissões de 1990, mas existe a discussão da emissões fugitivas de metano decorrentes da produção do gás de xisto.

Quanto ao financiamento, os bancos multilaterais de fomento, em suas recentes políticas, não dizem não ao carvão, mas firmam um compromisso com a eficiência e atendem ao disposto na Rio+20, quando afirmam que financiarão usinas a carvão quando isso for necessário para a segurança energética e para o desenvolvimento dos países.

Esta posição está perfeitamente alinhada com as políticas da Agência Internacional de Energia. E nós, aqui no Brasil? Como está a nossa política energética? Estamos confortáveis? Teremos energia para todos os brasileiros? O preço está aceitável? E a questão ambiental?

Um país que tem em 2010, 2.384 kwh/per capita/ano – metade do consumo de Portugal, e precisa crescer 4% para reduzir as suas desigualdades e se desenvolver necessitará gerar energia com todas as fontes disponíveis.

O carvão, que representa em toneladas equivalentes de petróleo (TEP) 42% dos recursos energéticos nacionais (BEN2012), sendo maior que o petróleo e o gás somados, e que não tem seu potencial ainda totalmente conhecido, deverá ser importante para a segurança energética nacional, principalmente, após o esgotamento do potencial hidráulico da Amazônia, em meados da década de 20.

O gás natural também deve ser considerado na matriz energética, mas neste momento não se encontra com disponibilidade e com preços competitivos para a geração de energia elétrica.

E quanto às emissões? Em 2010, as emissões de energia elétrica foram de 62 gCO2/kWh, visto que temos cerca de 84% de renováveis em nossa matriz para gerar 509 TWh.

Relativo a 2010 o carvão nacional, com um parque instalado de 1.765 MW, emitiu 1,88% das emissões do setor de energia, sendo 0,60% do total. (Relatório MCTI de estimativas de GEE,2013).

Mesmo que tenhamos, em 2030, 14 GW de carvão ainda assim teremos uma matriz com 81,27% de renovável e as emissões de energia elétrica serão somente 3,77% do total, algo invejável no mundo.

Portanto não existem razões de lógica ambiental para sermos contra os fósseis na geração de energia, pois suas emissões são irrelevantes, no Brasil e em relação ao mundo.

Por outro lado, a situação hidrológica, do qual nossa matriz de geração depende, foi desfavorável em 2012/13 e trouxe á luz o uso de térmicas, que produzem a energia firme necessária para a nossa segurança energética.

O uso de térmicas de custo operacional elevado (óleo e gás), somente usadas em emergência, apesar de garantir a segurança energética, produziu um impacto econômico que causou um desequilíbrio econômico financeiro no setor elétrico, trazendo medidas emergências do Tesouro Nacional.

Olhando o futuro próximo, a ONS vem alertando para a segurança energética do subsistema Sul que apresenta características bastante especificas comparativamente aos demais subsistemas do Sistema Interligado Nacional - SIN, como a aleatoriedade das afluências e baixa relação entre capacidade de máximo armazenamento e carga a ser atendida.

As análises das condições de atendimento da Região Sul elaboradas através de balanços de garantia física e do balanço de garantia de suprimento para cada uma das regiões do Brasil, com base no Plano Anual de Operação Energética indicam uma situação energética desfavorável da região Sul, em relação aos demais subsistemas do SIN, indicando em “buraco” de 2.300 MW em 2017 que pode ser suprido com energia do sudeste, mas que, por segurança, o recomendável é a geração localizada com energia firme.

Ora, a fonte disponível no sul do Brasil em abundancia e barata é o carvão mineral. Olhando o médio e o longo prazo, o crescimento da demanda de energia elétrica no país e a restrição da construção de novas usinas hidráulicas, apenas a usinas a fio d’água implicam a insuficiência dessa fonte de energia para atender aquela demanda, a partir de algum momento da década de vinte, exigindo a expansão da geração a partir de outras fontes de energia.

As fontes alternativas de energia — embora tendam a responder no longo prazo, por uma parcela significativa da oferta de energia no país — não serão suficientes para complementar a geração das hidráulicas nesse horizonte de tempo. Tampouco, parece possível que uma eventual expansão da geração de energia nuclear seja capaz de atender, tempestivamente, a essa carência.

Por conseguinte, a partir da década de vinte, a energia hidrelétrica, nuclear e de fontes alternativas deverá ser complementada, em forma permanente, por geração de usinas termelétricas (carvão e gás). A integração das térmicas à oferta de energia elétrica a partir dos anos vinte, com sua participação na base do despacho do Sistema Integrado Nacional (SIN), está sendo antecedida, e anunciada, pela evolução recente da oferta de energia hidrelétrica, que evidencia perda paulatina do grau de regularização.

Essa evolução impõe, desde já, uma maior participação da geração térmica no atendimento da demanda de energia e requer a busca imediata de menores custos de geração, de forma a não onerar as tarifas da energia gerada e distribuída pelo SIN.

A expansão termelétrica deve, portanto, ser contemplada com:

a.         Uma perspectiva de médio e longo prazo, uma vez que essas usinas virão a integrar de forma permanente, e com participação crescente, a oferta de energia elétrica do país;

b.         Um sentido de urgência, uma vez que essa expansão é, desde já, requerida para a garantia da segurança eletro energética do SIN.  

Ora, uma política energética não pode ser subordinada a apenas um de seus pilares, ou seja, à questão ambiental, e nem a ideologismos ou sectarismos doutrinários.

A pressão ambiental é legítima e deve ser feita, mas cabe ao Governo Federal estabelecer os critérios que atendam, de forma equilibrada e estratégica, os interesses da nação.

A discussão devido aos reservatórios das usinas hidráulicas poderá ser estendida a implantação de parques eólicos nas belas praias nordestinas, ao impacto ambiental da produção de petróleo no pré-sal com suas emissões de CO2, ao lixo radioativo, etc.

Ora, a discussão tem que ser isenta, pragmática e que venha a garantir as gerações futuras, o menor custo da energia, o menor impacto ambiental, a segurança energética, a redução da miséria e das desigualdades e a segurança da população.

O ideologismo, o sectarismo e os interesses políticos devem ser deixados de lado numa política energética, que é de Estado e não de Governo, para o bem de toda a nação.

Fonte: http://solos.com.br/node/713#.Ufj8D43qkdy

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No mundo da energia elétrica, item vital para o desenvolvimento dos povos, existe uma correlação entre o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH – e o aumento de consumo per capita de eletricidade.

Deveremos usar toda a nossa criatividade, tecnologia e expertise, visando definir uma matriz de energia que contemple menor custo, menor impacto ambiental, segurança de suprimento, segurança da população e maior impacto econômico, visando à redução da miséria e pobreza.

Cabe salientar que esses itens foram definidos como importantes para a sustentabilidade do planeta durante a Rio+20. Em seu recente relatório “Redrawing the Energy Climate Map” a Agência Internacional de Energia define os quatro critérios, até 2020, para manter a sustentabilidade:

a.         reduzir as emissões em curto prazo;

b.         não danificar o crescimento econômico dos países;

c.          confiar nas tecnologias conhecidas e em políticas públicas reconhecidas;

d.         propiciar benefício para a economia dos países além da mitigação das mudanças climáticas.

Analisando esses critérios vemos, por exemplo, que a China está alinhada com eles, pois em 20 anos retirou 600 milhões de pessoas da miséria, estabeleceu um programa de eficiência energética e de 2003 até 2012 reduziu de 890 gCO2/Kwh para 740 gCO2/kwh e, com investimento em tecnologias limpas, irá reduzir ainda mais as emissões de CO2.

Ao mesmo tempo ampliou sua geração de energia a carvão de 550 GW em 2007 para 700 GW até 2012 e, no ritmo previsto por consultorias internacionais, poderá alcançar a 1.376 GW, em 2030, gerando no total cerca de 14 mil TWh ainda com um crescimento do PIB de 6 % a.a.

A Índia, por sua vez, com um consumo per capita em 2010 de 644 Kwh/ano deverá incluir, até 2030, cerca de 215 GW em térmicas a carvão mineral.

Tanto China e Índia, devido as suas necessidades de energia, e suas grandes populações, não são parâmetros para qualquer comparação, visto que usarão todas as suas fontes domesticas e externas.

A China, por exemplo, já investe em renováveis mais que qualquer pais do mundo sendo a maior importadora de carvão, podendo alcançar 1 bilhão de toneladas em 2030.

Será a maior importadora de petróleo e gás e, com isso, mudará a geopolítica da energia no mundo.

Os Estados Unidos, com uma redução de 570 g CO2/kwh em 2003 para 470 gCO2/kwh em 2012, alcançam níveis de emissões de 1990, mas existe a discussão da emissões fugitivas de metano decorrentes da produção do gás de xisto.

Quanto ao financiamento, os bancos multilaterais de fomento, em suas recentes políticas, não dizem não ao carvão, mas firmam um compromisso com a eficiência e atendem ao disposto na Rio+20, quando afirmam que financiarão usinas a carvão quando isso for necessário para a segurança energética e para o desenvolvimento dos países.

Esta posição está perfeitamente alinhada com as políticas da Agência Internacional de Energia. E nós, aqui no Brasil? Como está a nossa política energética? Estamos confortáveis? Teremos energia para todos os brasileiros? O preço está aceitável? E a questão ambiental?

Um país que tem em 2010, 2.384 kwh/per capita/ano – metade do consumo de Portugal, e precisa crescer 4% para reduzir as suas desigualdades e se desenvolver necessitará gerar energia com todas as fontes disponíveis.

O carvão, que representa em toneladas equivalentes de petróleo (TEP) 42% dos recursos energéticos nacionais (BEN2012), sendo maior que o petróleo e o gás somados, e que não tem seu potencial ainda totalmente conhecido, deverá ser importante para a segurança energética nacional, principalmente, após o esgotamento do potencial hidráulico da Amazônia, em meados da década de 20.

O gás natural também deve ser considerado na matriz energética, mas neste momento não se encontra com disponibilidade e com preços competitivos para a geração de energia elétrica.

E quanto às emissões? Em 2010, as emissões de energia elétrica foram de 62 gCO2/kWh, visto que temos cerca de 84% de renováveis em nossa matriz para gerar 509 TWh.

Relativo a 2010 o carvão nacional, com um parque instalado de 1.765 MW, emitiu 1,88% das emissões do setor de energia, sendo 0,60% do total. (Relatório MCTI de estimativas de GEE,2013).

Mesmo que tenhamos, em 2030, 14 GW de carvão ainda assim teremos uma matriz com 81,27% de renovável e as emissões de energia elétrica serão somente 3,77% do total, algo invejável no mundo.

Portanto não existem razões de lógica ambiental para sermos contra os fósseis na geração de energia, pois suas emissões são irrelevantes, no Brasil e em relação ao mundo.

Por outro lado, a situação hidrológica, do qual nossa matriz de geração depende, foi desfavorável em 2012/13 e trouxe á luz o uso de térmicas, que produzem a energia firme necessária para a nossa segurança energética.

O uso de térmicas de custo operacional elevado (óleo e gás), somente usadas em emergência, apesar de garantir a segurança energética, produziu um impacto econômico que causou um desequilíbrio econômico financeiro no setor elétrico, trazendo medidas emergências do Tesouro Nacional.

Olhando o futuro próximo, a ONS vem alertando para a segurança energética do subsistema Sul que apresenta características bastante especificas comparativamente aos demais subsistemas do Sistema Interligado Nacional - SIN, como a aleatoriedade das afluências e baixa relação entre capacidade de máximo armazenamento e carga a ser atendida.

As análises das condições de atendimento da Região Sul elaboradas através de balanços de garantia física e do balanço de garantia de suprimento para cada uma das regiões do Brasil, com base no Plano Anual de Operação Energética indicam uma situação energética desfavorável da região Sul, em relação aos demais subsistemas do SIN, indicando em “buraco” de 2.300 MW em 2017 que pode ser suprido com energia do sudeste, mas que, por segurança, o recomendável é a geração localizada com energia firme.

Ora, a fonte disponível no sul do Brasil em abundancia e barata é o carvão mineral. Olhando o médio e o longo prazo, o crescimento da demanda de energia elétrica no país e a restrição da construção de novas usinas hidráulicas, apenas a usinas a fio d’água implicam a insuficiência dessa fonte de energia para atender aquela demanda, a partir de algum momento da década de vinte, exigindo a expansão da geração a partir de outras fontes de energia.

As fontes alternativas de energia — embora tendam a responder no longo prazo, por uma parcela significativa da oferta de energia no país — não serão suficientes para complementar a geração das hidráulicas nesse horizonte de tempo. Tampouco, parece possível que uma eventual expansão da geração de energia nuclear seja capaz de atender, tempestivamente, a essa carência.

Por conseguinte, a partir da década de vinte, a energia hidrelétrica, nuclear e de fontes alternativas deverá ser complementada, em forma permanente, por geração de usinas termelétricas (carvão e gás). A integração das térmicas à oferta de energia elétrica a partir dos anos vinte, com sua participação na base do despacho do Sistema Integrado Nacional (SIN), está sendo antecedida, e anunciada, pela evolução recente da oferta de energia hidrelétrica, que evidencia perda paulatina do grau de regularização.

Essa evolução impõe, desde já, uma maior participação da geração térmica no atendimento da demanda de energia e requer a busca imediata de menores custos de geração, de forma a não onerar as tarifas da energia gerada e distribuída pelo SIN.

A expansão termelétrica deve, portanto, ser contemplada com:

a.         Uma perspectiva de médio e longo prazo, uma vez que essas usinas virão a integrar de forma permanente, e com participação crescente, a oferta de energia elétrica do país;

b.         Um sentido de urgência, uma vez que essa expansão é, desde já, requerida para a garantia da segurança eletro energética do SIN.  

Ora, uma política energética não pode ser subordinada a apenas um de seus pilares, ou seja, à questão ambiental, e nem a ideologismos ou sectarismos doutrinários.

A pressão ambiental é legítima e deve ser feita, mas cabe ao Governo Federal estabelecer os critérios que atendam, de forma equilibrada e estratégica, os interesses da nação.

A discussão devido aos reservatórios das usinas hidráulicas poderá ser estendida a implantação de parques eólicos nas belas praias nordestinas, ao impacto ambiental da produção de petróleo no pré-sal com suas emissões de CO2, ao lixo radioativo, etc.

Ora, a discussão tem que ser isenta, pragmática e que venha a garantir as gerações futuras, o menor custo da energia, o menor impacto ambiental, a segurança energética, a redução da miséria e das desigualdades e a segurança da população.

O ideologismo, o sectarismo e os interesses políticos devem ser deixados de lado numa política energética, que é de Estado e não de Governo, para o bem de toda a nação.

Fonte: http://solos.com.br/node/713#.Ufj8D43qkdy

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A Política energética Brasileira - Sem ideologias e preconceitos

31/07/2013

Solos

No mundo da energia elétrica, item vital para o desenvolvimento dos povos, existe uma correlação entre o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH – e o aumento de consumo per capita de eletricidade.

Deveremos usar toda a nossa criatividade, tecnologia e expertise, visando definir uma matriz de energia que contemple menor custo, menor impacto ambiental, segurança de suprimento, segurança da população e maior impacto econômico, visando à redução da miséria e pobreza.

Cabe salientar que esses itens foram definidos como importantes para a sustentabilidade do planeta durante a Rio+20. Em seu recente relatório “Redrawing the Energy Climate Map” a Agência Internacional de Energia define os quatro critérios, até 2020, para manter a sustentabilidade:

a.         reduzir as emissões em curto prazo;

b.         não danificar o crescimento econômico dos países;

c.          confiar nas tecnologias conhecidas e em políticas públicas reconhecidas;

d.         propiciar benefício para a economia dos países além da mitigação das mudanças climáticas.

Analisando esses critérios vemos, por exemplo, que a China está alinhada com eles, pois em 20 anos retirou 600 milhões de pessoas da miséria, estabeleceu um programa de eficiência energética e de 2003 até 2012 reduziu de 890 gCO2/Kwh para 740 gCO2/kwh e, com investimento em tecnologias limpas, irá reduzir ainda mais as emissões de CO2.

Ao mesmo tempo ampliou sua geração de energia a carvão de 550 GW em 2007 para 700 GW até 2012 e, no ritmo previsto por consultorias internacionais, poderá alcançar a 1.376 GW, em 2030, gerando no total cerca de 14 mil TWh ainda com um crescimento do PIB de 6 % a.a.

A Índia, por sua vez, com um consumo per capita em 2010 de 644 Kwh/ano deverá incluir, até 2030, cerca de 215 GW em térmicas a carvão mineral.

Tanto China e Índia, devido as suas necessidades de energia, e suas grandes populações, não são parâmetros para qualquer comparação, visto que usarão todas as suas fontes domesticas e externas.

A China, por exemplo, já investe em renováveis mais que qualquer pais do mundo sendo a maior importadora de carvão, podendo alcançar 1 bilhão de toneladas em 2030.

Será a maior importadora de petróleo e gás e, com isso, mudará a geopolítica da energia no mundo.

Os Estados Unidos, com uma redução de 570 g CO2/kwh em 2003 para 470 gCO2/kwh em 2012, alcançam níveis de emissões de 1990, mas existe a discussão da emissões fugitivas de metano decorrentes da produção do gás de xisto.

Quanto ao financiamento, os bancos multilaterais de fomento, em suas recentes políticas, não dizem não ao carvão, mas firmam um compromisso com a eficiência e atendem ao disposto na Rio+20, quando afirmam que financiarão usinas a carvão quando isso for necessário para a segurança energética e para o desenvolvimento dos países.

Esta posição está perfeitamente alinhada com as políticas da Agência Internacional de Energia. E nós, aqui no Brasil? Como está a nossa política energética? Estamos confortáveis? Teremos energia para todos os brasileiros? O preço está aceitável? E a questão ambiental?

Um país que tem em 2010, 2.384 kwh/per capita/ano – metade do consumo de Portugal, e precisa crescer 4% para reduzir as suas desigualdades e se desenvolver necessitará gerar energia com todas as fontes disponíveis.

O carvão, que representa em toneladas equivalentes de petróleo (TEP) 42% dos recursos energéticos nacionais (BEN2012), sendo maior que o petróleo e o gás somados, e que não tem seu potencial ainda totalmente conhecido, deverá ser importante para a segurança energética nacional, principalmente, após o esgotamento do potencial hidráulico da Amazônia, em meados da década de 20.

O gás natural também deve ser considerado na matriz energética, mas neste momento não se encontra com disponibilidade e com preços competitivos para a geração de energia elétrica.

E quanto às emissões? Em 2010, as emissões de energia elétrica foram de 62 gCO2/kWh, visto que temos cerca de 84% de renováveis em nossa matriz para gerar 509 TWh.

Relativo a 2010 o carvão nacional, com um parque instalado de 1.765 MW, emitiu 1,88% das emissões do setor de energia, sendo 0,60% do total. (Relatório MCTI de estimativas de GEE,2013).

Mesmo que tenhamos, em 2030, 14 GW de carvão ainda assim teremos uma matriz com 81,27% de renovável e as emissões de energia elétrica serão somente 3,77% do total, algo invejável no mundo.

Portanto não existem razões de lógica ambiental para sermos contra os fósseis na geração de energia, pois suas emissões são irrelevantes, no Brasil e em relação ao mundo.

Por outro lado, a situação hidrológica, do qual nossa matriz de geração depende, foi desfavorável em 2012/13 e trouxe á luz o uso de térmicas, que produzem a energia firme necessária para a nossa segurança energética.

O uso de térmicas de custo operacional elevado (óleo e gás), somente usadas em emergência, apesar de garantir a segurança energética, produziu um impacto econômico que causou um desequilíbrio econômico financeiro no setor elétrico, trazendo medidas emergências do Tesouro Nacional.

Olhando o futuro próximo, a ONS vem alertando para a segurança energética do subsistema Sul que apresenta características bastante especificas comparativamente aos demais subsistemas do Sistema Interligado Nacional - SIN, como a aleatoriedade das afluências e baixa relação entre capacidade de máximo armazenamento e carga a ser atendida.

As análises das condições de atendimento da Região Sul elaboradas através de balanços de garantia física e do balanço de garantia de suprimento para cada uma das regiões do Brasil, com base no Plano Anual de Operação Energética indicam uma situação energética desfavorável da região Sul, em relação aos demais subsistemas do SIN, indicando em “buraco” de 2.300 MW em 2017 que pode ser suprido com energia do sudeste, mas que, por segurança, o recomendável é a geração localizada com energia firme.

Ora, a fonte disponível no sul do Brasil em abundancia e barata é o carvão mineral. Olhando o médio e o longo prazo, o crescimento da demanda de energia elétrica no país e a restrição da construção de novas usinas hidráulicas, apenas a usinas a fio d’água implicam a insuficiência dessa fonte de energia para atender aquela demanda, a partir de algum momento da década de vinte, exigindo a expansão da geração a partir de outras fontes de energia.

As fontes alternativas de energia — embora tendam a responder no longo prazo, por uma parcela significativa da oferta de energia no país — não serão suficientes para complementar a geração das hidráulicas nesse horizonte de tempo. Tampouco, parece possível que uma eventual expansão da geração de energia nuclear seja capaz de atender, tempestivamente, a essa carência.

Por conseguinte, a partir da década de vinte, a energia hidrelétrica, nuclear e de fontes alternativas deverá ser complementada, em forma permanente, por geração de usinas termelétricas (carvão e gás). A integração das térmicas à oferta de energia elétrica a partir dos anos vinte, com sua participação na base do despacho do Sistema Integrado Nacional (SIN), está sendo antecedida, e anunciada, pela evolução recente da oferta de energia hidrelétrica, que evidencia perda paulatina do grau de regularização.

Essa evolução impõe, desde já, uma maior participação da geração térmica no atendimento da demanda de energia e requer a busca imediata de menores custos de geração, de forma a não onerar as tarifas da energia gerada e distribuída pelo SIN.

A expansão termelétrica deve, portanto, ser contemplada com:

a.         Uma perspectiva de médio e longo prazo, uma vez que essas usinas virão a integrar de forma permanente, e com participação crescente, a oferta de energia elétrica do país;

b.         Um sentido de urgência, uma vez que essa expansão é, desde já, requerida para a garantia da segurança eletro energética do SIN.  

Ora, uma política energética não pode ser subordinada a apenas um de seus pilares, ou seja, à questão ambiental, e nem a ideologismos ou sectarismos doutrinários.

A pressão ambiental é legítima e deve ser feita, mas cabe ao Governo Federal estabelecer os critérios que atendam, de forma equilibrada e estratégica, os interesses da nação.

A discussão devido aos reservatórios das usinas hidráulicas poderá ser estendida a implantação de parques eólicos nas belas praias nordestinas, ao impacto ambiental da produção de petróleo no pré-sal com suas emissões de CO2, ao lixo radioativo, etc.

Ora, a discussão tem que ser isenta, pragmática e que venha a garantir as gerações futuras, o menor custo da energia, o menor impacto ambiental, a segurança energética, a redução da miséria e das desigualdades e a segurança da população.

O ideologismo, o sectarismo e os interesses políticos devem ser deixados de lado numa política energética, que é de Estado e não de Governo, para o bem de toda a nação.

Fonte: http://solos.com.br/node/713#.Ufj8D43qkdy

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