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Há quase um ano, a terra da caatinga viu brotar 148 cataventos no solo semiárido, cada um com 122 metros de altura. Empresas privadas investiram R$ 1,2 bilhão na tecnologia brasileira, mas até agora nenhum megawatt foi gerado. Não falta vento, e sim a linha de transmissão para levar energia à casa das pessoas. Ela deveria ter sido construída pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Chesf, em julho do ano passado.

A empresa já foi multada em R$ 12 milhões pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por ter administrado mal os prazos. Segundo a companhia, a culpa é do Iphan da Bahia, que ainda não teria emitido um documento autorizando a construção. O órgão garante que a obra está liberada desde o dia 14 de março, enquanto a Chesf alega que a permissão é apenas para um trecho.

Durante a batalha judicial, os aerogeradores continuam quase parados; eles giram um pouco, bem devagar, por causa de uma manobra técnica da empresa para que a máquina não dê defeito. Maior complexo eólico da América Latina, ele poderia abastecer uma cidade do tamanho de Brasília.

Mas este não é um problema isolado. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, ao longo deste ano, vão ficar prontos 50 parques, mas a construção das linhas de transmissão que vão atendê-los já está atrasada. Por enquanto, este tipo de energia limpa, cujo potencial é incalculável, representa apenas 1,58% da matriz brasileira.

GNews - Cidades e Soluções - Parque eólico na Bahia (Foto: GloboNews)
Localizado no sertão baiano, maior complexo eólico da América Latina está parado há quase um ano por falta de linha de transmissão para transportar a energia que seria produzida. (Foto: Reprodução/GloboNews)

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que a energia eólica é a mais competitiva do ponto de vista dos custos, mas ela precisa ser complementada. “Quando falta vento, alguém tem que entrar no lugar. Essa complementação de eólica com reservatório é muito boa, só que você não está construindo mais reservatórios”, argumenta Hermes Chipp.

A matriz energética brasileira ainda é predominantemente hídrica (64,33%). Porém, a energia gerada pela força da água está mudando. Devido ao rigor de leis ambientais recentes, usinas com reservatório – que têm altos impactos ambientais e sociais – não devem mais existir no país. A maioria das novas hidrelétricas será a fio d’água. “É dentro desse marco que o Brasil construiu as usinas de Santo Antônio, Girau, Belo Monte e que vai construir outras, sempre respeitando o meio ambiente, porque é a fonte mais barata que se pode ter nesse momento”, explica o coordenador da UFRJ, Nivaldo de Castro.

Na usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), a produção energética varia de acordo com a quantidade de água dos rios em cada época do ano. Ela foi inaugurada parcialmente, para atender de forma emergencial a demanda do país. Ainda falta instalar 33 turbinas. O funcionamento pleno deve ocorrer a partir de novembro de 2015, quando a hidrelétrica terá capacidade para abastecer 40 milhões de pessoas, com prioridade para o Acre e Rondônia, estados que ainda sofrem com a falta de luz.

GNews - Cidades e Soluções - Rio Madeira (Foto: GloboNews)
Vizinhos da usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), reclamam dos impactos causados no rio Madeira. Eles dizem que águas estão mais agitadas e que encostas estão cedendo. (Foto: Reprodução/GloboNews)

Os vizinhos das usinas a fio d’água reclamam. Eles dizem que o rio, de onde sai o sustento da maioria, está diferente. Os diretores da usina Santo Antônio dizem que não há influência na força da correnteza do rio Madeira em um ponto que fica a cinco quilômetros da hidrelétrica, mas os moradores discordam. Segundo eles, a água ficou mais agitada e as encostas estão cedendo. “A força da água é tanta que hoje vocês estão vendo essa cratera. Há 35 anos, não existia”, diz Jorge de Souza. Para o diretor técnico da usina, trata-se de um efeito natural. “Nenhum desses processos que têm acontecido hoje vem acelerado ou sendo causados pela usina. Ela não vai piorar e nem melhorar a situação”, afirma Antônio de Pádua.

Se o fator social é de difícil resolução, depender de fenômenos naturais é ainda mais complicado. Sem chuva, os reservatórios brasileiros atingiram níveis críticos nos últimos meses. Como a fonte secou, o governo brasileiro se viu obrigado a acionar as usinas termelétricas. “Hoje, estão todas as térmicas operando. Boa parte por ordem de mérito econômico”, aponta o diretor-geral do ONS. Segundo Hermes Chipp, nunca houve, em um passado recente, a utilização de térmicas com tanta intensidade por um período tão longo, que começou em outubro. Não choveu o que era esperado, os reservatórios secaram e foram as termelétricas que garantiram um primeiro semestre sem maiores transtornos.

Elas não dependem de chuva, sol ou vento, mas produzem uma energia suja, que usa carvão mineral, óleo e gás. E são também caras: a produção de energia térmica custa cinco vezes mais que a hidrelétrica. A vantagem é que essas usinas podem ser construídas perto de centros urbanos, diminuindo a necessidade de linhas de transmissão e desperdiçando menos energia.

Na avaliação do governo, as termelétricas vão ter papel cada vez mais importante para o país. “Terão uma participação crescente em um momento em que não se constrói hidrelétricas com reservatórios, porque você tem que compensar a ausência. Mas essa complementaridade não é suficiente para trazer segurança”, observa o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

GNews - Cidades e Soluções - Termelétricas (Foto: Reprodução/GloboNews)
Fontes de energia suja e com custo mais alto, usinas termelétricas estão sendo usadas com intensidade desde outubro do ano passado para suprir a demanda energética do país. (Foto: Reprodução/GloboNews)

Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, fica a maior termelétrica natural do Brasil. Quando funciona dentro da capacidade máxima, o que não é raro, ela consegue gerar energia para 4,5 milhões de pessoas, mas não é possível dizer quem ela abastece. “A gente gera eletricidade e entrega para o sistema. O elétron não tem CPF, ele sai daqui e a gente não sabe para onde está indo”, conta o gerente de operação Antônio Ramos.

A energia vai para o Sistema Interligado Nacional. Só 3% da produção de eletricidade no Brasil ficam de fora, em pontos isolados da região amazônica. Os outros 97% formam múltiplas ligações pelo país e uma região colabora com a outra. “Elas são muito bem feitas, mas podem acontecer problemas técnicos, climáticos ou falhas humanas. Quando uma autopista é cortada, há um desequilíbrio na oferta de energia, que não chega onde há demanda”, explica Nivaldo de Castro.

A falta de energia tem sido mais constante que o normal. Os brasileiros ficaram 18 horas e 39 minutos sem energia no ano passado, 15 minutos a mais do que em 2011 e quase três horas acima do limite estabelecido pela Aneel, que é de 15 horas e 52 minutos.

Energia nuclear

Em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, ficam três usinas atômicas brasileiras, sendo uma ainda em construção. O acidente na central atômica de Fukushima, no Japão, em março de 2011, fez o setor nuclear mundial redefinir as estratégias. O governo japonês anunciou que vai construir na região atingida pelo desastre o maior parque eólico flutuante do mundo, com 143 turbinas, até 2020.

Dois anos antes, no Brasil, Angra 3 deve entrar em operação. A última previsão era junho de 2016 e o investimento é estimado em R$ 12,9 bilhões. “O importante é que o Brasil tenha alternativas térmicas e, dentro delas, a nuclear preenche uma parcela importante, porque o combustível é barato. Com as reservas conhecidas de urânio, o país tem a sexta reserva mundial”, destaca o diretor de operação da Eletronuclear, Luiz Porto.

Apesar do efeito Fukushima, ficou fora de cogitação interromper a obra de Angra 3. No Plano nacional de Energia de 2006, divulgado cinco anos antes do acidente, estavam previstas, em um cenário de bom crescimento econômico, a construção de oito usinas nucleares no Brasil até 2030. Já o Plano Decenal de Expansão de Energia de setembro do ano passado, também feito pela EPE, não há menção a novas usinas. Cita-se apenas o término das obras de Angra 3.

O acidente no Japão fez surgir um plano B em caso de emergência, chamado de Plano Fukushima, que prevê a construção de cais em duas praias. Eles permitiram a retirada de 15 mil pessoas pelo mar. “O plano retira preventivamente três quilômetros. Se houver necessidade, tira em um raio de cinco quilômetros”, diz o coordenador de emergência da Eletronuclear, Paulo Werneck. Segundo ele, serão desenvolvidos postos de triagens para que embarcações de pesca, de lazer e da marinha possam ajudar na retirada da população.

GNews - Cidades e Soluções - Depósito de rejeitos nucleares (Foto: Reprodução/GloboNews)
Galpões das usinas de Angra, no Rio, estocam rejeitos radioativos. Caixas guardam ferramentas, botas, macacões e lixo. Destino do material depende de decisão do governo.  (Foto: Reprodução/GloboNews)

Dentro de galpões, estão estocados os chamados rejeitos radioativos. São seis mil caixas com material de média radioatividade, que guardam ferramentas, botas de trabalhadores, macacões e todo o lixo gerado pela usina. Onde vai parar o novo volume de lixo radioativo gerado pelo país em 2020? “O Brasil ainda não decidiu o que fazer, é uma política de estado”, explica Luiz Porto.

Segundo o diretor de operação da Eletronuclear, pesquisas de opinião mostram que os vizinhos da usina se sentem seguros. Os moradores recebem da empresa um calendário no qual está marcado o teste da sirene, que ocorre todo dia 10. Dona Lizarb Pereira conta que o microfone é alto e divulga a mensagem de que o Corpo de Bombeiros do estado avisa que é um teste e que os habitantes podem continuar suas atividades normalmente. O problema é quando o teste da sirene não bate com o dia do calendário. Foi o que aconteceu há três anos. “Não era dia 10. Eram sete horas da manhã e disparou o alarme. Duas ou três horas depois eles vieram avisar que era defeito na sirene. Eu fiquei apavorada. Muita gente ficou nervosa”, conta Lizarb.

Fonte: http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/06/producao-de-energia-no-brasil-segue-concentrada-nas-hidreletricas.html

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Há quase um ano, a terra da caatinga viu brotar 148 cataventos no solo semiárido, cada um com 122 metros de altura. Empresas privadas investiram R$ 1,2 bilhão na tecnologia brasileira, mas até agora nenhum megawatt foi gerado. Não falta vento, e sim a linha de transmissão para levar energia à casa das pessoas. Ela deveria ter sido construída pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Chesf, em julho do ano passado.

A empresa já foi multada em R$ 12 milhões pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por ter administrado mal os prazos. Segundo a companhia, a culpa é do Iphan da Bahia, que ainda não teria emitido um documento autorizando a construção. O órgão garante que a obra está liberada desde o dia 14 de março, enquanto a Chesf alega que a permissão é apenas para um trecho.

Durante a batalha judicial, os aerogeradores continuam quase parados; eles giram um pouco, bem devagar, por causa de uma manobra técnica da empresa para que a máquina não dê defeito. Maior complexo eólico da América Latina, ele poderia abastecer uma cidade do tamanho de Brasília.

Mas este não é um problema isolado. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, ao longo deste ano, vão ficar prontos 50 parques, mas a construção das linhas de transmissão que vão atendê-los já está atrasada. Por enquanto, este tipo de energia limpa, cujo potencial é incalculável, representa apenas 1,58% da matriz brasileira.

GNews - Cidades e Soluções - Parque eólico na Bahia (Foto: GloboNews)
Localizado no sertão baiano, maior complexo eólico da América Latina está parado há quase um ano por falta de linha de transmissão para transportar a energia que seria produzida. (Foto: Reprodução/GloboNews)

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que a energia eólica é a mais competitiva do ponto de vista dos custos, mas ela precisa ser complementada. “Quando falta vento, alguém tem que entrar no lugar. Essa complementação de eólica com reservatório é muito boa, só que você não está construindo mais reservatórios”, argumenta Hermes Chipp.

A matriz energética brasileira ainda é predominantemente hídrica (64,33%). Porém, a energia gerada pela força da água está mudando. Devido ao rigor de leis ambientais recentes, usinas com reservatório – que têm altos impactos ambientais e sociais – não devem mais existir no país. A maioria das novas hidrelétricas será a fio d’água. “É dentro desse marco que o Brasil construiu as usinas de Santo Antônio, Girau, Belo Monte e que vai construir outras, sempre respeitando o meio ambiente, porque é a fonte mais barata que se pode ter nesse momento”, explica o coordenador da UFRJ, Nivaldo de Castro.

Na usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), a produção energética varia de acordo com a quantidade de água dos rios em cada época do ano. Ela foi inaugurada parcialmente, para atender de forma emergencial a demanda do país. Ainda falta instalar 33 turbinas. O funcionamento pleno deve ocorrer a partir de novembro de 2015, quando a hidrelétrica terá capacidade para abastecer 40 milhões de pessoas, com prioridade para o Acre e Rondônia, estados que ainda sofrem com a falta de luz.

GNews - Cidades e Soluções - Rio Madeira (Foto: GloboNews)
Vizinhos da usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), reclamam dos impactos causados no rio Madeira. Eles dizem que águas estão mais agitadas e que encostas estão cedendo. (Foto: Reprodução/GloboNews)

Os vizinhos das usinas a fio d’água reclamam. Eles dizem que o rio, de onde sai o sustento da maioria, está diferente. Os diretores da usina Santo Antônio dizem que não há influência na força da correnteza do rio Madeira em um ponto que fica a cinco quilômetros da hidrelétrica, mas os moradores discordam. Segundo eles, a água ficou mais agitada e as encostas estão cedendo. “A força da água é tanta que hoje vocês estão vendo essa cratera. Há 35 anos, não existia”, diz Jorge de Souza. Para o diretor técnico da usina, trata-se de um efeito natural. “Nenhum desses processos que têm acontecido hoje vem acelerado ou sendo causados pela usina. Ela não vai piorar e nem melhorar a situação”, afirma Antônio de Pádua.

Se o fator social é de difícil resolução, depender de fenômenos naturais é ainda mais complicado. Sem chuva, os reservatórios brasileiros atingiram níveis críticos nos últimos meses. Como a fonte secou, o governo brasileiro se viu obrigado a acionar as usinas termelétricas. “Hoje, estão todas as térmicas operando. Boa parte por ordem de mérito econômico”, aponta o diretor-geral do ONS. Segundo Hermes Chipp, nunca houve, em um passado recente, a utilização de térmicas com tanta intensidade por um período tão longo, que começou em outubro. Não choveu o que era esperado, os reservatórios secaram e foram as termelétricas que garantiram um primeiro semestre sem maiores transtornos.

Elas não dependem de chuva, sol ou vento, mas produzem uma energia suja, que usa carvão mineral, óleo e gás. E são também caras: a produção de energia térmica custa cinco vezes mais que a hidrelétrica. A vantagem é que essas usinas podem ser construídas perto de centros urbanos, diminuindo a necessidade de linhas de transmissão e desperdiçando menos energia.

Na avaliação do governo, as termelétricas vão ter papel cada vez mais importante para o país. “Terão uma participação crescente em um momento em que não se constrói hidrelétricas com reservatórios, porque você tem que compensar a ausência. Mas essa complementaridade não é suficiente para trazer segurança”, observa o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

GNews - Cidades e Soluções - Termelétricas (Foto: Reprodução/GloboNews)
Fontes de energia suja e com custo mais alto, usinas termelétricas estão sendo usadas com intensidade desde outubro do ano passado para suprir a demanda energética do país. (Foto: Reprodução/GloboNews)

Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, fica a maior termelétrica natural do Brasil. Quando funciona dentro da capacidade máxima, o que não é raro, ela consegue gerar energia para 4,5 milhões de pessoas, mas não é possível dizer quem ela abastece. “A gente gera eletricidade e entrega para o sistema. O elétron não tem CPF, ele sai daqui e a gente não sabe para onde está indo”, conta o gerente de operação Antônio Ramos.

A energia vai para o Sistema Interligado Nacional. Só 3% da produção de eletricidade no Brasil ficam de fora, em pontos isolados da região amazônica. Os outros 97% formam múltiplas ligações pelo país e uma região colabora com a outra. “Elas são muito bem feitas, mas podem acontecer problemas técnicos, climáticos ou falhas humanas. Quando uma autopista é cortada, há um desequilíbrio na oferta de energia, que não chega onde há demanda”, explica Nivaldo de Castro.

A falta de energia tem sido mais constante que o normal. Os brasileiros ficaram 18 horas e 39 minutos sem energia no ano passado, 15 minutos a mais do que em 2011 e quase três horas acima do limite estabelecido pela Aneel, que é de 15 horas e 52 minutos.

Energia nuclear

Em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, ficam três usinas atômicas brasileiras, sendo uma ainda em construção. O acidente na central atômica de Fukushima, no Japão, em março de 2011, fez o setor nuclear mundial redefinir as estratégias. O governo japonês anunciou que vai construir na região atingida pelo desastre o maior parque eólico flutuante do mundo, com 143 turbinas, até 2020.

Dois anos antes, no Brasil, Angra 3 deve entrar em operação. A última previsão era junho de 2016 e o investimento é estimado em R$ 12,9 bilhões. “O importante é que o Brasil tenha alternativas térmicas e, dentro delas, a nuclear preenche uma parcela importante, porque o combustível é barato. Com as reservas conhecidas de urânio, o país tem a sexta reserva mundial”, destaca o diretor de operação da Eletronuclear, Luiz Porto.

Apesar do efeito Fukushima, ficou fora de cogitação interromper a obra de Angra 3. No Plano nacional de Energia de 2006, divulgado cinco anos antes do acidente, estavam previstas, em um cenário de bom crescimento econômico, a construção de oito usinas nucleares no Brasil até 2030. Já o Plano Decenal de Expansão de Energia de setembro do ano passado, também feito pela EPE, não há menção a novas usinas. Cita-se apenas o término das obras de Angra 3.

O acidente no Japão fez surgir um plano B em caso de emergência, chamado de Plano Fukushima, que prevê a construção de cais em duas praias. Eles permitiram a retirada de 15 mil pessoas pelo mar. “O plano retira preventivamente três quilômetros. Se houver necessidade, tira em um raio de cinco quilômetros”, diz o coordenador de emergência da Eletronuclear, Paulo Werneck. Segundo ele, serão desenvolvidos postos de triagens para que embarcações de pesca, de lazer e da marinha possam ajudar na retirada da população.

GNews - Cidades e Soluções - Depósito de rejeitos nucleares (Foto: Reprodução/GloboNews)
Galpões das usinas de Angra, no Rio, estocam rejeitos radioativos. Caixas guardam ferramentas, botas, macacões e lixo. Destino do material depende de decisão do governo.  (Foto: Reprodução/GloboNews)

Dentro de galpões, estão estocados os chamados rejeitos radioativos. São seis mil caixas com material de média radioatividade, que guardam ferramentas, botas de trabalhadores, macacões e todo o lixo gerado pela usina. Onde vai parar o novo volume de lixo radioativo gerado pelo país em 2020? “O Brasil ainda não decidiu o que fazer, é uma política de estado”, explica Luiz Porto.

Segundo o diretor de operação da Eletronuclear, pesquisas de opinião mostram que os vizinhos da usina se sentem seguros. Os moradores recebem da empresa um calendário no qual está marcado o teste da sirene, que ocorre todo dia 10. Dona Lizarb Pereira conta que o microfone é alto e divulga a mensagem de que o Corpo de Bombeiros do estado avisa que é um teste e que os habitantes podem continuar suas atividades normalmente. O problema é quando o teste da sirene não bate com o dia do calendário. Foi o que aconteceu há três anos. “Não era dia 10. Eram sete horas da manhã e disparou o alarme. Duas ou três horas depois eles vieram avisar que era defeito na sirene. Eu fiquei apavorada. Muita gente ficou nervosa”, conta Lizarb.

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Produção de energia no Brasil segue concentrada nas hidrelétrica

27/06/2013

Globo News

Há quase um ano, a terra da caatinga viu brotar 148 cataventos no solo semiárido, cada um com 122 metros de altura. Empresas privadas investiram R$ 1,2 bilhão na tecnologia brasileira, mas até agora nenhum megawatt foi gerado. Não falta vento, e sim a linha de transmissão para levar energia à casa das pessoas. Ela deveria ter sido construída pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Chesf, em julho do ano passado.

A empresa já foi multada em R$ 12 milhões pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por ter administrado mal os prazos. Segundo a companhia, a culpa é do Iphan da Bahia, que ainda não teria emitido um documento autorizando a construção. O órgão garante que a obra está liberada desde o dia 14 de março, enquanto a Chesf alega que a permissão é apenas para um trecho.

Durante a batalha judicial, os aerogeradores continuam quase parados; eles giram um pouco, bem devagar, por causa de uma manobra técnica da empresa para que a máquina não dê defeito. Maior complexo eólico da América Latina, ele poderia abastecer uma cidade do tamanho de Brasília.

Mas este não é um problema isolado. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, ao longo deste ano, vão ficar prontos 50 parques, mas a construção das linhas de transmissão que vão atendê-los já está atrasada. Por enquanto, este tipo de energia limpa, cujo potencial é incalculável, representa apenas 1,58% da matriz brasileira.

GNews - Cidades e Soluções - Parque eólico na Bahia (Foto: GloboNews)
Localizado no sertão baiano, maior complexo eólico da América Latina está parado há quase um ano por falta de linha de transmissão para transportar a energia que seria produzida. (Foto: Reprodução/GloboNews)

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que a energia eólica é a mais competitiva do ponto de vista dos custos, mas ela precisa ser complementada. “Quando falta vento, alguém tem que entrar no lugar. Essa complementação de eólica com reservatório é muito boa, só que você não está construindo mais reservatórios”, argumenta Hermes Chipp.

A matriz energética brasileira ainda é predominantemente hídrica (64,33%). Porém, a energia gerada pela força da água está mudando. Devido ao rigor de leis ambientais recentes, usinas com reservatório – que têm altos impactos ambientais e sociais – não devem mais existir no país. A maioria das novas hidrelétricas será a fio d’água. “É dentro desse marco que o Brasil construiu as usinas de Santo Antônio, Girau, Belo Monte e que vai construir outras, sempre respeitando o meio ambiente, porque é a fonte mais barata que se pode ter nesse momento”, explica o coordenador da UFRJ, Nivaldo de Castro.

Na usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), a produção energética varia de acordo com a quantidade de água dos rios em cada época do ano. Ela foi inaugurada parcialmente, para atender de forma emergencial a demanda do país. Ainda falta instalar 33 turbinas. O funcionamento pleno deve ocorrer a partir de novembro de 2015, quando a hidrelétrica terá capacidade para abastecer 40 milhões de pessoas, com prioridade para o Acre e Rondônia, estados que ainda sofrem com a falta de luz.

GNews - Cidades e Soluções - Rio Madeira (Foto: GloboNews)
Vizinhos da usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), reclamam dos impactos causados no rio Madeira. Eles dizem que águas estão mais agitadas e que encostas estão cedendo. (Foto: Reprodução/GloboNews)

Os vizinhos das usinas a fio d’água reclamam. Eles dizem que o rio, de onde sai o sustento da maioria, está diferente. Os diretores da usina Santo Antônio dizem que não há influência na força da correnteza do rio Madeira em um ponto que fica a cinco quilômetros da hidrelétrica, mas os moradores discordam. Segundo eles, a água ficou mais agitada e as encostas estão cedendo. “A força da água é tanta que hoje vocês estão vendo essa cratera. Há 35 anos, não existia”, diz Jorge de Souza. Para o diretor técnico da usina, trata-se de um efeito natural. “Nenhum desses processos que têm acontecido hoje vem acelerado ou sendo causados pela usina. Ela não vai piorar e nem melhorar a situação”, afirma Antônio de Pádua.

Se o fator social é de difícil resolução, depender de fenômenos naturais é ainda mais complicado. Sem chuva, os reservatórios brasileiros atingiram níveis críticos nos últimos meses. Como a fonte secou, o governo brasileiro se viu obrigado a acionar as usinas termelétricas. “Hoje, estão todas as térmicas operando. Boa parte por ordem de mérito econômico”, aponta o diretor-geral do ONS. Segundo Hermes Chipp, nunca houve, em um passado recente, a utilização de térmicas com tanta intensidade por um período tão longo, que começou em outubro. Não choveu o que era esperado, os reservatórios secaram e foram as termelétricas que garantiram um primeiro semestre sem maiores transtornos.

Elas não dependem de chuva, sol ou vento, mas produzem uma energia suja, que usa carvão mineral, óleo e gás. E são também caras: a produção de energia térmica custa cinco vezes mais que a hidrelétrica. A vantagem é que essas usinas podem ser construídas perto de centros urbanos, diminuindo a necessidade de linhas de transmissão e desperdiçando menos energia.

Na avaliação do governo, as termelétricas vão ter papel cada vez mais importante para o país. “Terão uma participação crescente em um momento em que não se constrói hidrelétricas com reservatórios, porque você tem que compensar a ausência. Mas essa complementaridade não é suficiente para trazer segurança”, observa o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

GNews - Cidades e Soluções - Termelétricas (Foto: Reprodução/GloboNews)
Fontes de energia suja e com custo mais alto, usinas termelétricas estão sendo usadas com intensidade desde outubro do ano passado para suprir a demanda energética do país. (Foto: Reprodução/GloboNews)

Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, fica a maior termelétrica natural do Brasil. Quando funciona dentro da capacidade máxima, o que não é raro, ela consegue gerar energia para 4,5 milhões de pessoas, mas não é possível dizer quem ela abastece. “A gente gera eletricidade e entrega para o sistema. O elétron não tem CPF, ele sai daqui e a gente não sabe para onde está indo”, conta o gerente de operação Antônio Ramos.

A energia vai para o Sistema Interligado Nacional. Só 3% da produção de eletricidade no Brasil ficam de fora, em pontos isolados da região amazônica. Os outros 97% formam múltiplas ligações pelo país e uma região colabora com a outra. “Elas são muito bem feitas, mas podem acontecer problemas técnicos, climáticos ou falhas humanas. Quando uma autopista é cortada, há um desequilíbrio na oferta de energia, que não chega onde há demanda”, explica Nivaldo de Castro.

A falta de energia tem sido mais constante que o normal. Os brasileiros ficaram 18 horas e 39 minutos sem energia no ano passado, 15 minutos a mais do que em 2011 e quase três horas acima do limite estabelecido pela Aneel, que é de 15 horas e 52 minutos.

Energia nuclear

Em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, ficam três usinas atômicas brasileiras, sendo uma ainda em construção. O acidente na central atômica de Fukushima, no Japão, em março de 2011, fez o setor nuclear mundial redefinir as estratégias. O governo japonês anunciou que vai construir na região atingida pelo desastre o maior parque eólico flutuante do mundo, com 143 turbinas, até 2020.

Dois anos antes, no Brasil, Angra 3 deve entrar em operação. A última previsão era junho de 2016 e o investimento é estimado em R$ 12,9 bilhões. “O importante é que o Brasil tenha alternativas térmicas e, dentro delas, a nuclear preenche uma parcela importante, porque o combustível é barato. Com as reservas conhecidas de urânio, o país tem a sexta reserva mundial”, destaca o diretor de operação da Eletronuclear, Luiz Porto.

Apesar do efeito Fukushima, ficou fora de cogitação interromper a obra de Angra 3. No Plano nacional de Energia de 2006, divulgado cinco anos antes do acidente, estavam previstas, em um cenário de bom crescimento econômico, a construção de oito usinas nucleares no Brasil até 2030. Já o Plano Decenal de Expansão de Energia de setembro do ano passado, também feito pela EPE, não há menção a novas usinas. Cita-se apenas o término das obras de Angra 3.

O acidente no Japão fez surgir um plano B em caso de emergência, chamado de Plano Fukushima, que prevê a construção de cais em duas praias. Eles permitiram a retirada de 15 mil pessoas pelo mar. “O plano retira preventivamente três quilômetros. Se houver necessidade, tira em um raio de cinco quilômetros”, diz o coordenador de emergência da Eletronuclear, Paulo Werneck. Segundo ele, serão desenvolvidos postos de triagens para que embarcações de pesca, de lazer e da marinha possam ajudar na retirada da população.

GNews - Cidades e Soluções - Depósito de rejeitos nucleares (Foto: Reprodução/GloboNews)
Galpões das usinas de Angra, no Rio, estocam rejeitos radioativos. Caixas guardam ferramentas, botas, macacões e lixo. Destino do material depende de decisão do governo.  (Foto: Reprodução/GloboNews)

Dentro de galpões, estão estocados os chamados rejeitos radioativos. São seis mil caixas com material de média radioatividade, que guardam ferramentas, botas de trabalhadores, macacões e todo o lixo gerado pela usina. Onde vai parar o novo volume de lixo radioativo gerado pelo país em 2020? “O Brasil ainda não decidiu o que fazer, é uma política de estado”, explica Luiz Porto.

Segundo o diretor de operação da Eletronuclear, pesquisas de opinião mostram que os vizinhos da usina se sentem seguros. Os moradores recebem da empresa um calendário no qual está marcado o teste da sirene, que ocorre todo dia 10. Dona Lizarb Pereira conta que o microfone é alto e divulga a mensagem de que o Corpo de Bombeiros do estado avisa que é um teste e que os habitantes podem continuar suas atividades normalmente. O problema é quando o teste da sirene não bate com o dia do calendário. Foi o que aconteceu há três anos. “Não era dia 10. Eram sete horas da manhã e disparou o alarme. Duas ou três horas depois eles vieram avisar que era defeito na sirene. Eu fiquei apavorada. Muita gente ficou nervosa”, conta Lizarb.

Fonte: http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/06/producao-de-energia-no-brasil-segue-concentrada-nas-hidreletricas.html

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